<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464</id><updated>2012-02-02T13:17:07.326-02:00</updated><category term='arte'/><category term='violência'/><category term='vida'/><category term='política'/><category term='patrimônio histórico'/><category term='condição humana'/><category term='cultura'/><category term='imagináro'/><category term='Brasil'/><category term='PT'/><category term='ABL'/><category term='mídia'/><category term='Bauman'/><category term='comportamento'/><category term='crônica'/><category term='funk'/><category term='existência'/><category term='futebol'/><category term='Bento Gonçalves'/><category term='exército'/><title type='text'>E.S.C.A.F.A.N.D.R.O</title><subtitle type='html'>Um blog para respirar!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>238</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2242771135045723415</id><published>2011-10-29T14:31:00.001-02:00</published><updated>2011-10-29T14:34:39.702-02:00</updated><title type='text'>Ir além do ensaio</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-miAzre1isjQ/TqwowJSginI/AAAAAAAAA3A/HYjQcves_8s/s1600/Voluspa.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="227" ida="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-miAzre1isjQ/TqwowJSginI/AAAAAAAAA3A/HYjQcves_8s/s320/Voluspa.bmp" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Obra de Voluspa Jarpa integrante da 8ª Bienal do Mercosul&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Sob o slogan “Ensaios de Geopoética”, a Bienal de Artes Visuais do Mercosul retorna à capital gaúcha. Desde 1997, com suas intermitências bianuais, o evento vem explorando sua posição frente ao conturbado cenário das artes visuais contemporâneas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Junto a outras Bienais que acontecem ao redor do mundo, cada qual buscando suas estratégias de afirmação, a Bienal do Mercosul – com suas intenções quase proféticas –, parece criar uma atmosfera de revelação estética que preenche vazios, costura memórias dissociadas, constrói significados e anuncia que já não somos uma soma de gentios colonizados. Sim, a Bienal do Mercosul traz consigo uma grandiloquência pretensiosa presente na maioria das coisas que se diz sobre a arte, este fenômeno geralmente elevado à categoria do intangível e de algo que foge à igualmente pretensiosa exatidão dos conceitos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;A arte nos ensina que é preciso ir além do ensaio, é preciso buscar a forma. E mais: é preciso que a linguagem engravide a forma, caso contrário não há arte, apenas o ensaio, o gesto, as tangências. Sem entrar nas questões implicadas nesta afirmação, sugiro que a Bienal do Mercosul carrega em si uma forma dupla: por um lado refiro-me à forma estrita e inerente à arte (mais estritamente às obras “em si”) e à sua maneira específica de comunicar e estimular diversas leituras; por outro lado, refiro-me à forma que modela a grande Mostra gaúcha no que se refere à sua aparição social. Isso quer dizer que a Bienal não é só uma ideia, um inofensivo e extravagante relâmpago cultural bianual, mas um contexto vivo onde poderosas lógicas sociais atuam de modo a revelar que a arte também pode ser compreendida como um uso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Algumas pessoas vão a museus de arte, visitam exposições, adquirem obras em leilões, interessam-se pela leitura de biografias de artistas, financiam instituições culturais e organizam coleções particulares; outras tantas passam a vida inteira sem jamais terem contato com tais esferas culturais da sociedade. O que as divide? O que as diferencia? Por que, para algumas pessoas, a arte ocupa um lugar central em suas vidas, enquanto para outras ela não passa de mero acessório, futilidade ou algo que não desperta qualquer interesse? As disparidades e os desníveis verificados no campo da arte estão também presentes em outros campos que constituem a vida social. Isso se deve, em grande parte, às clivagens e às estratificações presentes no âmbito da vida coletiva, as quais definem modos e estilos de vida, práticas de consumo cultural, bem como articulam as facilidades ou dificuldades de ingresso nas esferas consideradas “legítimas” à assimilação dos códigos estéticos de um determinado contexto histórico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Uma Bienal de arte não é um evento que serve apenas para “mostrar obras de arte”. Ela informa as transformações que vão ocorrendo no campo artístico num desdobramento que se ramifica para diversos campos, como o econômico, o político, o ideológico e o cultural. Dentre uma série de ações desencadeadas, modeladas ou induzidas por uma Bienal está o desenvolvimento de formas variadas de sociabilidade em seus espaços expositivos, algo que explorei mais detalhadamente numa pesquisa recente. Além disso, o evento constitui uma soma de práticas que, aparentemente, em nada vinculam-se à arte, mas que, numa leitura mais apurada, interferem profundamente no modo como nos relacionamos com ela. Isso é simples de ser compreendido, por exemplo, quando nos reportamos ao orçamento estipulado para um evento desta natureza. Um orçamento de vinte milhões de reais produziria um determinado perfil estético para a Bienal que um orçamento mais modesto não produziria. Outro exemplo: a escolha de uma equipe curatorial desencadeia um complexo processo de decisões, envoltas em vaidades pessoais, jogos de poder e manejo de influências. E isso é crucial para determinar o que vemos (e o que não vemos) numa Bienal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;A arte é também um uso. Este é um dos temores dos que investem em seu caráter transcendente e descolado da realidade, impondo-lhe a condição de refém de discursos esotéricos, dos quais só os “iniciados” podem participar. De fato, a arte é tão poliédrica e abrangente que pode encaixar-se em qualquer discurso, mas parece ter uma vinculação especial àqueles ligados aos idealismos, às mistificações e aos intelectualismos, como se apenas um grupo muito raro e especial de pessoas estivesse a ela conectado por uma determinação natural, à qual poderíamos nos referir, ironicamente, como “evolucionismo estético”. Entretanto, percebendo-a como um uso é possível verificar como são profundamente maleáveis os valores que atribuímos à arte, especialmente no contexto de uma Bienal, que, em sua aparição como evento cultural, deixa rastros do arranjo cooperativo de tarefas que fazem com que ela exista de uma forma socialmente objetiva. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Deste modo, dentre uma série de outros agenciamentos possíveis e não mencionados aqui, a Bienal tece seu fio na imbricada trama política que liga o Estado e as empresas privadas que lhe amparam financeiramente através de benefícios fiscais; oferece oportunidades de trabalho permanente ou temporário para diversos funcionários; diferencia culturalmente a cidade que a sedia; consagra artistas, constrói e destrói reputações entre agentes do campo artístico; orienta práticas de classificação de artistas e obras; amplia as possibilidades de reprodução de uma tecnologia do gosto através da ação de museógrafos e profissionais de expografia; atua na formação pedagógica do grande público, ainda considerado despreparado para este tipo de opção cultural; constitui uma alternativa de lazer para os que já enjoaram de &lt;em&gt;shopping centers&lt;/em&gt; e jardins zoológicos; gera pautas e editoriais em veículos de mídia especializados; integra pacotes turísticos dispostos a comercializar a experiência de visitação às exposições; explora comercialmente sua marca e sua identidade, negociando-as como moeda de troca simbólica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;A arte é visivelmente permeável às ações humanas à sua volta. Não há dúvidas de que ela não é uma atividade isenta de conflitos, ingênua ou que serve apenas para cadenciar as vicissitudes de sujeitos &lt;em&gt;gauches&lt;/em&gt; e alienados, como muitas pessoas podem pensar. Como um território da arte, a Bienal apresenta um enredo de relações construídas em âmbitos que podem não ter qualquer ligação com o mundo da arte, mas que participam da configuração de complexas forças sociais diluídas entre o que vemos e o que não vemos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Isolada num determinado ambiente e vedada contra a infiltração dos sentidos humanos, a arte converte-se num refém silencioso. Contudo, quando presente num circuito de relações humanas como uma Bienal, ela alcança um estatuto social diferenciado, por meio do qual temos acesso a uma série de questões que lhe são subjacentes: ideologias, lutas por monopólios, desníveis de classe, representações coletivas, marcações simbólicas, confrontos políticos etc. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;A conhecida sentença de Ortega Y Gasset diz que “eu sou eu e minha circunstância”. Há uma relação profunda entre o que eu penso que sou e a circunstância que me modela. Cientes de uma possível deturpação da ideia original do autor, talvez possamos aplicar a mesma conexão entre “ser” e “circunstância” para tentarmos alguma visibilidade sobre a arte, este fenômeno complexo e historicamente mutável que nos desafia. Tal orientação poderia nos mostrar que a arte estabelece uma relação umbilical com tudo que está à sua volta, mediante um jogo de distanciamentos e aproximações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;Se todos os seus sentidos estiverem bem calibrados e afinados, será possível para qualquer visitante da Bienal do Mercosul perceber a circunstância como um elemento importante para o entendimento das obras ali apresentadas. Vale lembrar que, para Ortega Y Gasset, a conexão é dramática e radical, pois expressa dois momentos únicos. Portanto, cabe a cada um vivenciá-la com toda a sua carga de risco e incerteza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Publicado no Caderno de Cultura do Jornal Zero Hora, em 29/10/2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2242771135045723415?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2242771135045723415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2242771135045723415&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2242771135045723415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2242771135045723415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/10/ir-alem-do-ensaio.html' title='Ir além do ensaio'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-miAzre1isjQ/TqwowJSginI/AAAAAAAAA3A/HYjQcves_8s/s72-c/Voluspa.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-335215825399942071</id><published>2011-06-21T20:10:00.002-03:00</published><updated>2011-06-21T23:12:48.919-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futebol'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ABL'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Intelectuais da bola</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-_An2w-aeWv8/TgEiUxh1oyI/AAAAAAAAA2c/u-Jnr5UBzRo/s1600/pensador.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320px" i$="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-_An2w-aeWv8/TgEiUxh1oyI/AAAAAAAAA2c/u-Jnr5UBzRo/s320/pensador.jpg" width="240px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O pensador - Auguste Rodin&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Buscar uma justificativa para a mais recente peripécia da ABL – Academia Brasileira de Letras – é, forçosamente, cair no escracho. Há algo de errado com o tradicional chá da confraria. Das duas uma: a erva usada na infusão está com a data de validade vencida ou andam trocando-a por doses generosas de uma pinga qualquer. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Em recente ato laudatório na sede da ABL, o jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho foi homenageado com uma das mais altas comendas da instituição, a Medalha Machado de Assis, honraria que confere destaque no campo da cultura e da criação artística. Em função da homenagem, o tom de deboche que circulou pela mídia é plenamente justificado, o que pode ser visto em alguns comentários que circularam, por exemplo, no Twiter: “Será que o troféu bola de ouro será dado a um escritor da Academia?”; “Está aí uma medalha que nem o Rei Pelé conseguiu!”; “Agora só falta a ABL homenagear o Tiririca”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;As críticas e ironias não surgem à toa. A ABL – lugar de mortos, imortais e mortos-vivos –, expôs o flanco ao referendar que a prática do futebol por um atleta esteja no mesmo nível de contribuição à cultura nacional que a obra de um Machado de Assis, de um Guimarães Rosa e de uma Clarice Lispector. Pois é exatamente isso que a homenagem a Ronaldinho Gaúcho produz como significância coletiva, a ideia de que, neste país, não existem mais fronteiras para nada, pois até semianalfabetos (desde que milionários e com projeção na mídia) são elevados à categoria de ícones da memória cultural nacional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não quero desmerecer o trabalho do jogador Ronaldinho Gaúcho. Dizem os entendidos no assunto que ele é brilhante, um jogador inigualável. O que está em questão aqui não é a crítica à qualidade esportiva do jogador, mas à atitude desastrada da ABL em conceder a honraria a uma pessoa que, em nada, absolutamente nada, foi, é ou será decisiva para compreendermos os rumos de nossa cultura e de nossa formação sócio-histórica, coisas que alguns escritores (os grandes) fazem com virtuosismo ímpar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O momento que vivemos é&amp;nbsp;único. Temos um ex-presidente que admitiu publicamente que nunca leu um livro na vida e, mesmo assim, foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa por uma universidade portuguesa. Temos prostitutas que escrevem livros sobre suas intimidades sexuais e viram celebridade nas telas do cinema. Temos artistas de circo que se candidatam a cargos públicos e, para a perplexidade geral, acabam por conseguir votações estonteantes. Temos também jogadores de futebol, os quais, junto às suas coleções de carros importados, ternos Armani e Marias-chuteiras, ostentam uma medalha que, para muitos escritores, pensadores e intelectuais, representa o coroamento de uma vida inteira dedicada ao estudo, à reflexão, ao aprendizado de línguas e ao aprimoramento estético de suas obras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;"O grande público nem sabe &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;que a ABL existe."&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não sei ao certo qual a intenção da ABL com tal homenagem, tampouco sei se esta prática de outorgar medalhas e honrarias faz parte de procedimentos habituais da instituição em questão. O fato é que a ABL sempre foi vista como uma confraria fechada, autocontida e elitista. Talvez o apelo popular de um jogador de futebol estaria no centro de uma campanha de marketing para melhorar a imagem da instituição, torná-la menos morta e mais viva. O próximo passo poderia ser um desconto de meia-entrada para estudantes e idosos no chá da tarde. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De qualquer maneira, a fúria opinativa que se criou em torno da homenagem a Ronaldinho Gaúcho não está isenta de críticas. Se a ABL tivesse outorgado uma homenagem a um cientista ou a um pensador brasileiro, que tipo de comentários isso teria gerado? Provavelmente nenhum, porque discutir questões qualitativas e relevantes não está na pauta cultural do brasileiro. A ABL só surge como mote de um debate público porque, desta vez, seus atos envolveram a figura de um jogador de futebol. No mais, o grande público nem sabe que a ABL existe, e isso é lamentável, já que deveríamos guardar um amor profundo por aquelas pessoas que, pelo viés da sabedoria que alcançaram em vida, nos ensinam a construir, ainda hoje, nossa identidade como brasileiros. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Muitos poderão dizer que o futebol também faz parte do processo de construção de uma identidade nacional. Não lhes tiro a razão. Pensar o Brasil, atualmente, é pensá-lo também com as contribuições do futebol, mas não APENAS a partir do futebol. Neste sentido, o essencialismo é sempre nocivo, pois cria uma cortina de fumaça que impede que nos aproximemos do discernimento. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Para celebrar as virtudes e qualidades de um atleta, existem inúmeros canais e pessoas especialmente constituídos para tal finalidade: Olimpíadas, Copa do Mundo, Campeonatos Nacionais. No âmbito destes espaços, o atleta de qualquer modalidade pode experimentar o êxtase da vitória e o amargor da derrota, amargor que o poeta Mário Quintana deve ter experimentado ao ser rejeitado como imortal pela mesma ABL que hoje homenageia Ronaldinho Gaúcho. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Está feita a escolha. A ABL trocou a cabeça pelo pé. O Brasil, como um todo, já fez isso há mais tempo. Estejam atentos nossos imortais fardados com mais esta demonstração de displicência e caduquice, pois está a um passo o dia em que o chazinho na sala neoclássica será substituído por uma farofa na arquibancada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Clóvis Da Rolt - Jaguarão/RS, 21/06/2011&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-335215825399942071?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/335215825399942071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=335215825399942071&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/335215825399942071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/335215825399942071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/06/intelectuais-da-bola.html' title='Intelectuais da bola'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-_An2w-aeWv8/TgEiUxh1oyI/AAAAAAAAA2c/u-Jnr5UBzRo/s72-c/pensador.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-1653377221517062163</id><published>2011-05-30T14:10:00.006-03:00</published><updated>2011-05-30T20:34:18.092-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='funk'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='exército'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>O exército do funk</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-113isKMTRUE/TePLvz5jsTI/AAAAAAAAA2Y/WVMizrPQz_A/s1600/sophie.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320px" src="http://3.bp.blogspot.com/-113isKMTRUE/TePLvz5jsTI/AAAAAAAAA2Y/WVMizrPQz_A/s320/sophie.jpg" t8="true" width="229px" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sophie Calle - O aniversário&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Um vídeo publicado no &lt;em&gt;Youtube&lt;/em&gt; correu os noticiários nesta semana que passou. Realizado no interior de um quartel na cidade de Dom Pedrito, no&amp;nbsp;Rio Grande do Sul, o vídeo mostra imagens de um grupo de soldados num momento de desconcertante alegria ao interpretarem o hino nacional brasileiro com uma batida funk. Foi o que bastou para que os conservadores e defensores do militarismo esbravejassem contra a maldição do mundo contemporâneo, no qual a Pátria Amada Idolatrada perdeu lugar para as Cachorras e Preparadas! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O que parece ser, logo nos primeiros segundos do vídeo, apenas mais uma demonstração da habilidade militar em inculcar a ordem e a padronização do comportamento, de repente torna-se uma antítese surpreendente desta concepção, já que os soldados em questão, tomados pela mixagem funk do hino nacional, começam a requebrar-se por meio dos movimentos nada contidos inspirados nos bailes cariocas. Uma vergonha nacional, dizem os bastiões do conservadorismo! Uma ofensa à Pátria, dizem os nacionalistas reacionários! Uma conduta lastimável, dizem os detentores das altas patentes militares! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A reação negativa ao vídeo dos soldados não pode se encarada como novidade. Já era esperada. Contudo, ela não pode ser encarada como a reação “correta” somente pelo fato de que os protagonistas do vídeo são soldados ou porque o hino é uma das representações máximas da brasilidade, do “ser brasileiro”. Afirmo que há, neste vídeo, um respeito e uma admiração pelo Brasil muito maiores do que há quando, por exemplo, veículos militares abarrotados de soldados transitam pelas ruas em seus exercícios rotineiros. O Brasil não está na postura rígida, na cara amarrada, no peito estufado e no brilho dos coturnos. Não combinamos com isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Eu vejo o Brasil na alegria, na dança, na traquinagem, nos pequenos desvios éticos (e nos grandes, é claro, quando se trata do campo político partidário). Esses soldados que aparecem no vídeo são mais representativos de nosso Brasil atual do que a própria letra do hino nacional. Não quero dizer, com isso, que devemos ver o Brasil apenas sob esta ótica. Esta é a minha visão e não estou aqui para angariar adeptos. O que você, leitor, escolhe? Ser um defensor da manutenção das ordens arcaicas, dos padrões mortificadores e das estruturas de um poder verticalizador? Ou ser um simpatizante do bom humor, da musicalidade pulsante de Eros e das pequenas transgressões que quebram a argamassa da ordem consensual? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;"Esqueceram-se os conservadores &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;de que o homem já vem ao mundo &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;sabendo como matar?"&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Não tenho dúvidas de que, no futuro, a &lt;em&gt;performance&lt;/em&gt; do hino-funk fará os soldados que aparecem no vídeo lembrarem-se de seu tempo de formação militar com muito mais intensidade do que quando rastejavam sobre poças de lama, submetidos à tortura psicológica e ao aprendizado da técnica da morte. Infelizmente, as instituições militares ainda persistem porque precisamos de técnicos que aprendam a matar com requinte e em grande escala em caso de necessidade. O medo dos conservadores que estão condenando o vídeo está pautado no discurso ultrapassado da inversão dos valores, da anormalidade do mundo atual e da perda da autoridade das instituições que atravessaram a modernidade. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Os paladinos do conservadorismo temem que todo o campo simbólico construído em torno do militarismo (a força, a virilidade, a masculinidade, o civismo, a ideia da Nação, etc.) seja quebrado sem que nada surja em seu lugar. Vale lembrar que esse pensamento é o que alimenta as tradições, as heranças, os espólios familiares e os modelos educativos reprodutores. Temem também que, no caso de uma convulsão bélica internacional, nossos soldados não saibam pegar numa arma e defender o país, simplesmente porque dançaram funk por alguns segundos. Esqueceram-se os conservadores de que o homem já vem ao mundo sabendo como matar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O que o vídeo nos mostra é que o ser humano representa, a todo momento, um mundo para si e para o grupo do qual faz parte. Não há um modo correto de ser, de viver. Há apenas a existência e a vida. O que fazemos com ambas é determinado por situações muito complexas, impossíveis de serem moldadas com base na&amp;nbsp;diversidade de opiniões que possamos ter acerca delas. Talvez o vídeo seja apenas isso, um grupo de jovens de vinte e poucos anos querendo se divertir um pouco. Que mal há nisso? O problema é a farda? A corrupção do hino? Não é melhor usar a farda para promover a alegria do que para promover a morte? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sinto-me, sim, ferido e ultrajado como brasileiro ao ver que Ministros de Estado, Senadores e Deputados enriquecem ilicitamente, aumentando seus patrimônios pessoais através do uso da estrutura pública e sem prestar qualquer esclarecimento à Receita Federal. Causa-me vergonha ser brasileiro&amp;nbsp;quando vejo os bolsões de miséria ao redor das nossas grandes cidades. Não me reconheço como brasileiro sempre que percebo o quanto somos um país desigual e cínico. É um equívoco comparar uma pequena trangressão simbólica (mesmo que seja com um símbolo nacional)&amp;nbsp;com outras questões que ameaçam nossa existência como Nação, como se seus impactos éticos, patrióticos e sociais fossem iguais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Se estes soldados forem expulsos da corporação (o que é bem provável que aconteça), sugiro a eles montar um grupo de funk – o Exército do funk. Talvez eles até consigam se apresentar, sem a farda,&amp;nbsp;em festas populares, onde muitos milicos encontram suas “cachorras” para a perpetuação da espécie.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Clóvis Da Rolt - Jaguarão/RS, 30/05/2011&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-1653377221517062163?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/1653377221517062163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=1653377221517062163&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1653377221517062163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1653377221517062163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/05/o-exercito-do-funk.html' title='O exército do funk'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-113isKMTRUE/TePLvz5jsTI/AAAAAAAAA2Y/WVMizrPQz_A/s72-c/sophie.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2728390256233460238</id><published>2011-04-08T16:21:00.001-03:00</published><updated>2011-04-08T16:36:32.811-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='violência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mídia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><title type='text'>O refinamento das armas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-NeNPerQtIw0/TZ9dcqzCHAI/AAAAAAAAA2U/TU7uqkHW96I/s1600/Kubrick.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="158" r6="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-NeNPerQtIw0/TZ9dcqzCHAI/AAAAAAAAA2U/TU7uqkHW96I/s320/Kubrick.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;2001: Uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Um espectro de morbidez ronda a mídia brasileira. Nos últimos dois dias, os veículos de comunicação de massa não fazem outra coisa senão remoer fragmentos desconexos em busca de uma explicação para o extermínio de doze crianças numa escola pública do Rio de Janeiro. Em sua coleção de catástrofes sociais, o Brasil pobre e terceiromundista ainda não contabilizava os rituais destrutivos e egoístas dos psicopatas que, após escreverem uma carta pedindo o perdão de Deus, disparam armas de fogo no interior de instituições escolares como uma forma desesperada de expiação ao demonstrarem que o mundo lhes é inadequado. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O massacre que ora repercute, envolto numa aura de novidade para os padrões brasileiros, já virou modalidade criminalística nos Estados Unidos, merecendo até departamentos especializados junto à polícia de lá. O país da civilidade, da concentração econômica mundial, da gigantização industrial e das imposições culturais registra os maiores índices de extermínio público executado por psicopatas, delinquentes e &lt;em&gt;outsiders&lt;/em&gt;. Será essa uma faceta sintomática do desenvolvimentismo massivo que se sobrepõe às pessoas, tornando-as meros joguetes nas mãos de um sistema excludente e gerador de autômatos? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Há dois dias os telejornais e outros programas televisivos não falam de outra coisa que não seja a ocorrência criminal na escola do Rio. A mídia está satisfeita, tem matéria-prima para fechar pautas e editoriais sem necessitar de muito esforço, tudo embasado na palavra ornamentada, nas fantasmagorias da notícia, nos julgamentos fáceis, nas explicações sem conteúdo, nos debates infrutíferos e nas ponderações descabidas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Um exemplo desta postura é a afirmação de alguns jornalistas, que alegam que o fato de o autor do massacre ter deixado a barba crescer “além do normal” é um indício de que seu comportamento estava alterado. Como se vê, uma tentativa absurdamente reducionista de explicar o que aconteceu, como aconteceu e mediante que influências aconteceu. Obviamente, a barba comprida foi trazida ao debate midiático de modo a propor uma possível ligação entre o criminoso e as correntes islâmicas fundamentalistas. Sendo assim, por uma aproximação lógica – pautada na matriz dos pré-julgamentos de grande parte da imprensa –, o Papai-Noel deve ser malhado em praça pública como se faz com o Judas das festas populares, já que Osama Bin Laden pode aparecer neste fim de ano, vestido de vermelho, em alguma festa familiar, com sua temível barba inspiradora do mal. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Outro exemplo estapafúrdio na busca das causas para o massacre é a hipótese de que o autor dos disparos era um sujeito que passava muito tempo em frente ao computador e tinha poucos amigos. Mais uma vez, por uma dedução lógica, podemos considerar que grande parte dos adolescentes de hoje são potenciais psicopatas, já que as sociabilidades virtuais do mundo contemporâneo são uma realidade que fala por si só. Eu mesmo, na condição de um profissional da educação, passo muitas horas do meu dia em frente ao computador, planejando aulas, fazendo buscas por livros, encaminhando burocracias universitárias, escrevendo minha tese, fazendo compras, movimentando a conta bancária, conversando com amigos. Isso faz de mim um potencial psicopata? Isso indica que posso abrir fogo contra os alunos de uma escola?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Precipitadamente, os veículos de mídia tomam certas características formais das condutas humanas para, a partir delas, criar julgamentos universais, especialmente se estes julgamentos renderem algum tipo de explicação momentânea, que é o que, de fato, lhes interessa. Quanto antes o culpado for apontado, melhor. Quanto antes for revelada a topografia comportamental do acusado, melhor. Quanto antes for formulada a ideia de que a “justiça foi feita”, melhor. Através da prática da precipitação e do ornamento, a grande mídia encontra sua razão de ser.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Apresentadores televisivos esbravejam em frente às câmeras com seus olhares tensos e seu arsenal de frases decoradas para causar impacto. Na condição de arautos da ordem pública, cobram mais atuação da polícia, exigem maior presença do Estado nas ações de coibição ao crime, clamam por uma justiça que sequer pode ser pensada fora das relações humanas, apelam a Deus, à moral, aos valores. Juntam, em torno de si, tantas variáveis e possibilidades de acesso ao mundo da vida social humana, que acabam vítimas de sua própria grandiloquência. Não teria o jovem autor do massacre se espelhado nessas figuras públicas, da grande mídia, para chegar à conclusão de que o mundo é um grande estratagema da linguagem, um caos fulgurante, uma batalha animalesca em busca de posições sociais e visibilidade? Vale a pena viver num mundo assim? Poderia o criminoso ter feito a si mesmo essa pergunta? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;No afã de oferecer respostas – antes mesmo de averiguar a trama complexa dos impulsos, símbolos, influências, expectativas e condicionamentos que revelam quem fomos, quem somos e quem podemos ser –, esbarramos na retórica, nas avaliações circunstanciais, na redução imediatista que pareça mais conveniente. Doze crianças morreram. É o único fato de que dispomos. A dor das famílias não pode ser anulada, ainda que uma resposta possa surgir diante do furacão das suposições.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Ninguém nos informa que, ao virmos para o mundo, teremos que lidar com o sofrimento. Mas ele surge, arrebatador e avassalador, como um registro vital da nossa espécie. Kubrick sintetizou magistralmente essa condição paradigmática da vida humana em sua obra &lt;em&gt;2001: Uma odisseia no espaço&lt;/em&gt;. A cena em que o bípede peludo ergue um osso aos céus, dando a ele um significado destrutivo e poderoso, mostra que, a partir daí, a docilidade e a paz não seriam mais possíveis para nós. Seguimos sendo aquele mesmo bípede peludo apresentado esteticamente no filme de Kubrick. Mudamos apenas o refinamento das armas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Clóvis Da Rolt, Jaguarão-RS, 08/04/2011&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2728390256233460238?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2728390256233460238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2728390256233460238&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2728390256233460238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2728390256233460238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/04/o-refinamento-das-armas.html' title='O refinamento das armas'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-NeNPerQtIw0/TZ9dcqzCHAI/AAAAAAAAA2U/TU7uqkHW96I/s72-c/Kubrick.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-3386453571761470764</id><published>2011-04-07T12:32:00.004-03:00</published><updated>2011-04-07T18:50:10.190-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='condição humana'/><title type='text'>O homem é um disfarce</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-abHXgkHfsQQ/TZ3W9oD079I/AAAAAAAAA2Q/aGeJeIwzTUk/s1600/Kazuo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="237" r6="true" src="http://1.bp.blogspot.com/-abHXgkHfsQQ/TZ3W9oD079I/AAAAAAAAA2Q/aGeJeIwzTUk/s320/Kazuo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O dançarino Kazuo Ohno&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O homem é um disfarce, um ser de muitas peles. Também é um ser de muitas línguas, já que fala, intermitentemente, alternando suas várias camadas, a da verdade e a da mentira, a da pancada e a do olho roxo. Sabedor de que a vida sem disfarces seria algo insuportável, o homem aprende a ver em seu semelhante apenas os disfarces que igualmente construiu para si. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Feito um holograma, é preciso olhar para o outro com manobras visuais, procurando o foco, o ajuste capaz de revelar uma figura completa. E quando a figura foi construída à nossa frente, ela surge como algo que é apenas uma circunstância, tendo em vista que a imagem pode ser desconstruída com um simples piscar de olhos. O que foi, já não é. A memória também conta suas vítimas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A compreensão deste quadro não é imediata. Fomos construídos assim, desde tempos remotos, através das escolhas que diversos grupos sociais fizeram antes de nós. Poderíamos ter trilhado caminhos diferentes, menos áridos, mais sintonizados com uma vida leve e naturalmente feliz. Mas somos humanos, e isso quer dizer que somos fascinados pelo caminho mais difícil, o que tem mais pedras, em cujo percurso haja mais cadáveres espalhados. O homem é um disfarce. Em lugar nenhum está de corpo inteiro. Contar os cinco dedos de uma mão é uma tolice: os cinco dedos, juntos, nunca fecham tal soma. A armadura forte e polida pode até causar impacto, mas estará o cavaleiro em seu interior?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Se herdamos muitos símbolos, arquétipos e imaginários, também vamos apagando, lentamente, tantos outros. A incompletude humana é tão grande que precisamos de várias peles para nos lembrarmos de que, neste exato momento, não somos nem os melhores nem os piores, somos apenas aquilo que as urgências determinam, que as leis não cumpridas ameaçam, que o armamento pesado do mundo estoura, que os venenos burocráticos inoculam. As várias peles querem unir-se para ser uma só. Mas é impossível. O vento nos leva – e a nossos disfarces – para assentar em diversas geografias. Onde estamos agora? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Em tempos pretéritos, o cadafalso foi tomado como uma ferramenta de justiça. O extermínio da vida através de um ritual público já foi considerado modelo de civilidade e de correção moral. Mas que justiça ele fez? Em nome de quem? Certamente, seria mais simples admitir que partimos do nada rumo ao nada e que, neste intervalo, somos envolvidos por disputas, discórdia, ilusões, ganância e egoísmo que nos impedem de perceber que não seremos nós os eleitos para completar o projeto cósmico da vida sobre a Terra. Somos apenas mais um punhado de ossos e emoções tatuando a história provisoriamente, sem a mínima noção dos resultados que nossos disfarces produzirão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O homem é um disfarce, um quebra-cabeça sem encaixes. É mais fácil repelir do que unir. Por traz do jovem que, nesta manhã, abriu fogo contra os alunos de uma escola no Rio de Janeiro, há a humanidade toda, completa, pesada. Todos nós matamos aquelas crianças. Se nas virtudes, nas realizações positivas, nos louros da vitória, no amor e na paz mundial estão colocadas algumas aspirações que dizem respeito à humanidade como um todo, no revés destas aspirações também podemos buscar interpretações sobre o homem. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Fugir dos disfarces, fingir que eles não existem e negligenciá-los como coisa menor, pode conduzir a desvios ilusórios e reduções fáceis. Sou falado, sou pensado, sou vivido, sou ouvido, sou construído sem a minha permissão. Meus disfarces fazem com que o melhor de mim seja apenas uma hipótese. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Clóvis Da Rolt, Jaguarão-RS, 07/04/2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-3386453571761470764?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/3386453571761470764/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=3386453571761470764&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3386453571761470764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3386453571761470764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/04/o-homem-e-um-disfarce.html' title='O homem é um disfarce'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-abHXgkHfsQQ/TZ3W9oD079I/AAAAAAAAA2Q/aGeJeIwzTUk/s72-c/Kazuo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-410211193517936660</id><published>2011-03-31T11:30:00.001-03:00</published><updated>2011-03-31T13:24:28.687-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='existência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bauman'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>O golpe do samurai</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Pigp1sB_K6w/TZSNOU1DWMI/AAAAAAAAA2M/qd_T26S8cK8/s1600/louise-bourgeois.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" r6="true" src="http://3.bp.blogspot.com/-Pigp1sB_K6w/TZSNOU1DWMI/AAAAAAAAA2M/qd_T26S8cK8/s320/louise-bourgeois.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Obra de Louise Bourgeois&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Quando algumas pessoas dizem que o mundo não é mais o mesmo, certamente tomam como referências comparativas um emaranhado de situações e experiências que, de algum modo, ajudaram a forjar a imagem de uma realidade estática e previsível, da qual, nos últimos tempos, nos afastamos mais e mais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Bauman definiu imageticamente este novo mundo ao enquadrá-lo num universo líquido, de seres e lógicas escorregadios, maleáveis, fracionados como as gotas de um fármaco que pode ser letal se a dose for indevida. Vivemos num mundo de overdoses, de elevações ao quadrado, de temperos exagerados e diversas formas de saturação. Como se um controle remoto pudesse nos programar, estamos todos operando no nível máximo, à beira de um colapso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;A crítica sempre direcionada aos fanáticos que aderem às seitas que pregam o suicídio coletivo precisa, a partir de agora, ser reorientada. Nossa realidade – este mundo que não é mais o mesmo – tem revelado o mesmo poder, em níveis massificados, de eliminar pessoas através da crença cega e da redução das complexidades a um ato extremo. Como se não bastasse, também cultuamos o banal, investimos em frivolidades e nos vitimizamos para podermos nos entender numa linguagem comum.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;As seitas perderam o sentido da redenção; elas não mais separam o joio do trigo na tentativa de dividirem a sociedade entre os “perdidos” e os “redimidos”. Se, antes, partíamos de uma cosmologia rumo a uma teologia, hoje resta-nos apenas a existência imediata, o ato, o momento, a forma nua, compactada. As pontes foram rompidas, não há mais nada a ser ligado. Atingimos o ponto nevrálgico da vida: não sabemos se somos a maior dádiva da natureza ou o seu maior equívoco. À maneira do fanatismo criticado e agredido por aquelas milhares de pessoas sempre tão seguras e tão certas de si, também nós estamos unidos – como uma extensa humanidade – , em prol do instante mortal, aquele instante que, simultaneamente, anula e dá sentido, constrói e destrói, desfere o golpe e faz a sutura.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;O mundo nos escapou, o mundo de antes e o mundo de agora. Pouco importa se ele é líquido ou se está desmanchando no ar. Estamos inseridos no meio de alguma coisa que sequer pode ser definida. Estamos entre. Neste mundo que não é mais o mesmo, o golpe do samurai encontra apenas a resistência do ar: o fio da espada tornou-se uma abstração inofensiva. As extremidades uniram-se para conspirar. Todos matam e todos morrem. Quem é mesmo o bandido? Quem é o homem de boa índole? Quem quer confiar em mim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;Algo ficou para trás, junto às grandes retóricas, às metafísicas, aos grandes homens de ciência, aos mártires das causas nobres e aos estadistas facínoras. Sem exemplos, deixamos de ser exemplo. Para o bem ou para o mal, não seremos lembrados como o são gregos e romanos. Para o bem ou para o mal, não seremos assunto para apostilas escolares. O homem contemporâneo aprende a viver sem deixar vestígios: vive e apaga a existência, elimina o que é incômodo, corrige as imperfeições de tudo, não tolera a dor, vive simbioticamente unido ao descartável, é tão paranoico quanto um &lt;em&gt;brother&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;reality show&lt;/em&gt;. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;No eterno fluir do mundo, cada parede, cada cerca, cada metro quadrado construído, cada rua asfaltada e eletrificada, cada novo mapa traçado, podem ser evidências das mais nobres intenções humanas, como também podem ser as marcas do desastre que chamamos de cultura. O mundo é terrivelmente volumétrico, está em todas as direções, para onde quer que a atenção&amp;nbsp;humana&amp;nbsp;esteja voltada: na raiz da árvore, na bandeira&amp;nbsp;a meio mastro, no barulho da serra elétrica, nos telhados de amianto. Por um instante, experimento a revelação, nem dor nem alegria, só a gratuidade do estar. Penso, como Hesse: “chegará o dia em que o último pedacinho da Goldwand terá sido ocultado por uma construção, o belo parque das termas terá se transformado em fábrica, mas eu já não viverei para ver isso.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Clóvis Da Rolt, Jaguarão-RS, 31/03/11&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-410211193517936660?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/410211193517936660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=410211193517936660&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/410211193517936660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/410211193517936660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/03/o-golpe-do-samurai.html' title='O golpe do samurai'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-Pigp1sB_K6w/TZSNOU1DWMI/AAAAAAAAA2M/qd_T26S8cK8/s72-c/louise-bourgeois.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-6562637658790479315</id><published>2011-02-13T13:04:00.000-02:00</published><updated>2011-02-13T13:04:48.995-02:00</updated><title type='text'>Para ler na chuva</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-nZwFiRPB2Yc/TVfxRWPw8qI/AAAAAAAAA2I/eJFDQ8LyUkk/s1600/Michelangelo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" height="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-nZwFiRPB2Yc/TVfxRWPw8qI/AAAAAAAAA2I/eJFDQ8LyUkk/s320/Michelangelo.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Obra de Michelangelo Pistoletto&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Choveu todo o dia e a casa está com um ar pesado. Nos dias de chuva, sinto que as coisas ao meu redor manifestam uma presença alterada, parecem mais densas, corpóreas, como se mostrassem seu desejo de serem percebidas. Com a chuva veio a umidade, e isso quer dizer que o meu contorno está pegajoso, pois é assim que me sinto nos dias úmidos, como uma impressão digital num copo de vidro, mais ciente de que tenho um corpo que é a minha contribuição para que a humanidade tenha uma forma, da qual, por várias vezes, eu teria dado tudo para não fazer parte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo isso sem qualquer constrangimento, como uma verdade íntima que eu não faço a menor questão de que seja entendida. Inúmeras vezes desejei ser um objeto, um livro, uma mesa, uma coberta. A existência é perfeita para os objetos, já que eles não pensam em si mesmos e simplesmente estão aí, deslumbrantes, sem qualquer necessidade de reivindicarem reconhecimento. Objetos não se projetam para além de si mesmos, não fazem planos, não manejam o tempo como tática de sobrevivência, são o que são, confinados em sua pacífica presença. Realizar isso que até mesmo um alfinete consegue pode ser a busca dolorosa de uma vida, busca que parece confrontar a todos nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que o dia perfeito é um dia ensolarado. Tenho dúvidas quanto a isso. Para mim, todos os dias são imperfeitos e transcorrem como sucessões de pequenas quedas, como as peças de um dominó meticulosamente aproximadas para comporem um espetáculo visual quando a primeira delas é derrubada. Quando nasci, caiu a primeira peça. O movimento continua. Uma após a outra as peças vão se tocando, somando as unidades de suas faces numéricas e o vazio de suas faces negras. Nem o sol nem a chuva podem alterar o ritmo contínuo do espetáculo. Qual será a última peça? Que formas o conjunto das peças já derrubadas terão desenhado? Silêncio. Mesmo que submetidas à tortura do meu inquérito desesperado, as janelas baças da sala nada dizem além do que já sabem, além do que já sei. E chove, fino e contínuo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Quando nasci, caiu a primeira peça.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu deveria ocupar-me com algo que combinasse com a chuva. Cozinhar seria uma boa opção. Mas não, pensei em assistir a um filme ou talvez organizar as fotografias de uma viagem que fiz recentemente. Ler seria perfeito! Eu poderia também sair na chuva e fazer o que faria se o dia estivesse ensolarado, como se chovesse apenas para os outros e não para mim. Mas como fazer isso? Como? Eu certamente chegaria a alguns lugares e as pessoas diriam: “e essa chuva, heim?”, ou “estávamos precisando desta chuva, pois tem feito muita seca!” e, desta forma, minha autoilusão estaria arruinada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem tentar ir além do que o meu conjunto de precárias circunstâncias humanas pode formular, fito a chuva através de um canto da janela , sobre cujo vidro eu passei a mão para poder ver o lado de fora. Desejo profundamente ser a chuva que despenca do céu, rasgando as nuvens e todas as sujeiras químicas que pairam acima de mim. Nem passa pela minha cabeça uma chuva limpa e revigorante, mas tão somente a aquisição de uma outra forma de queda já conhecida pelas gotas perfurantes que tocam&amp;nbsp;telhados, ruas, carros e plantas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As paredes estão frias e o ar gelatinoso. A água toma conta de tudo, do dentro e do fora, do homem e do bicho, da razão e das emoções. Seres das águas copulam em meu interior, em minha placenta de ideias destinada a integrar esta vida que tanto me fascina e que de mim tanto rouba. Tudo o que quero agora é trocar de lugar com a chuva, experimentá-la como uma forma nova, a circunstância da matéria líquida. Grudo os olhos na janela. Chove. Chove. Desde sempre fui separado de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clóvis Da Rolt, Bento Gonçalves-RS, 13/02/11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-6562637658790479315?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/6562637658790479315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=6562637658790479315&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6562637658790479315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6562637658790479315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/02/para-ler-na-chuva.html' title='Para ler na chuva'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-nZwFiRPB2Yc/TVfxRWPw8qI/AAAAAAAAA2I/eJFDQ8LyUkk/s72-c/Michelangelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7917266548564491088</id><published>2011-01-31T21:22:00.001-02:00</published><updated>2011-01-31T21:23:02.983-02:00</updated><title type='text'>O ponto cego no radar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TUdDRc9EdHI/AAAAAAAAA2A/X1zF0DexD3A/s1600/Elcio+Rossini.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="239" s5="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TUdDRc9EdHI/AAAAAAAAA2A/X1zF0DexD3A/s320/Elcio+Rossini.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ato sem título - Obra de Élcio Rossini&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Quem escreve sofre de uma grande ilusão e de uma grande obsessão. A ilusão de achar que tudo, absolutamente tudo, pode ser traduzido num texto escrito, e a obsessão de tentar realizar alguma coisa em torno da qual todos possam se reconhecer. Comigo é assim, frequentemente me vejo tentando traduzir coisas que vivo no meu cotidiano – ou mesmo vivências compactadas durante anos – em algumas linhas, num texto escrito. O resultado nunca me satisfaz. Nunca. Tudo que escrevo tem o formato de uma rede de pesca, através da qual somente alguns peixes são capturados, pois tantos outros se evadem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senso de pertencer a algo maior, à humanidade, ao cosmos, à sociedade global, não me tocou até hoje. Imagens globais sempre me incomodaram. São essas imagens que conduziram e estão conduzindo o homem à sua mortificação lenta e duradoura: os impérios, as invasões, as religiosidades, as ciências. São muitas as formas que a ideia do “todo” toma para mascarar seu parasitismo. Assim, é comum para quem escreve – talvez por uma presunção inocente – desejar conexões, reações em cadeia, abrangências, isto é, desejar ver o mundo representado num modesto conjunto de palavras que, recortadas do texto e livres de sintaxe, nada mais são do que palavras, frágeis corpos disputando espaço no vagão lotado da linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, durante a manhã, eu estava numa fila de espera para a realização de uma radiografia, coisa simples, milhões de pessoas fazem isso diariamente. Era só entrar no hospital, pegar a senha, inteirar-me dos procedimentos e pronto! A manhã perfeita, conforme o planejado! Mas, naquele momento, as ilusões e as obsessões de quem escreve ficaram evidentes para mim. Naquela sala de espera, entre pessoas desconhecidas, com seus olhares tramando vazios e seus ossos reivindicando uma existência para além das coisas invisíveis, fui tomado pela sensação de que algo inexplicável envolvia aquilo tudo, aquela sequência de eventos que aconteciam (ou simplesmente estavam lá), orquestrados pelos números do painel eletrônico que chamava os pacientes, por uma televisão que apresentava um programa de culinária, por uma pessoa que me cumprimentou porque me conhecia, pela luz vermelha que indicava que o local demandava cuidados com a radioatividade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Falhei profundamente no meu intento e aqui estou, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;f&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;eito uma vítima do ponto cego no radar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei com vontade de escrever algo, sintetizar, poetizar a lógica, porém, imediatamente, forcei toda a minha percepção a encarar o ambiente exatamente como aquilo que ele era: uma sala com algumas pessoas esperando para fazer radiografias. Parecia-me que, então, o “todo” era exatamente uma questão de circunstância, um modo de operar, e que não havia nada interessante naquele meu pequeno todo que merecesse ser comunicado. E Wall Street? E Davos? E as vítimas da enchente no Rio de Janeiro? E o paredão do BBB? Em que lugar ficariam as outras totalidades frente ao meu reino do absurdo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei bloquear as entradas e as saídas, encurralei o pensamento de modo a deixá-lo cativo da falta de referências, isolado do exuberante jogo que trama os sentidos das coisas. Falhei profundamente no meu intento e aqui estou, feito uma vítima do ponto cego no radar. Pensar por mim, viver por mim, procurar-me na mesma linguagem que vale para os outros e para mim, é algo que faço com grande esforço. Porque a linguagem é um tipo de estratégia de perseguição. Quando escrevo, pingando o pensamento entre ruas estreitas e becos escuros, na cola do assaltante que de mim roubou algumas posses e algumas certezas, vou tentando reaver o que foi perdido, pacientemente, uma pista aqui, um vestígio ali, uma impressão digital acolá. Como se o mundo fosse só meu e todas as experiências de todas as demais pessoas passassem, necessariamente, pela minha experiência, vou articulando palavras que tentem dizer o que ninguém viu ou viveu. De alguma forma, cada sala de espera é o lugar de todos e de ninguém, o lugar do encontro de totalidades absurdas com absurdos totais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clóvis Da Rolt, Bento Gonçalves-RS, 31/01/11&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7917266548564491088?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7917266548564491088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7917266548564491088&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7917266548564491088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7917266548564491088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/01/ato-sem-titulo-obra-de-elcio-rossini.html' title='O ponto cego no radar'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TUdDRc9EdHI/AAAAAAAAA2A/X1zF0DexD3A/s72-c/Elcio+Rossini.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-3929148303766746167</id><published>2011-01-22T17:44:00.004-02:00</published><updated>2011-01-23T13:29:10.390-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='patrimônio histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bento Gonçalves'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>Regar quintais, pulverizar plantações</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TTsudZgUPqI/AAAAAAAAA18/7kvyT5lX6_8/s1600/olive.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="323" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TTsudZgUPqI/AAAAAAAAA18/7kvyT5lX6_8/s400/olive.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Vincent Van Gogh - Plantação de oliveiras&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Com a transferência da Vinícola Salton para o distrito de Tuiuty, há cerca de sete anos, a antiga sede industrial da empresa, no centro de Bento Gonçalves, passou a ser uma espécie de necrópole, na qual coabitam cimento, tijolos, vigas, aço, símbolos culturais, ações jurídicas e interesses imobiliários. Este emaranhado de elementos pode, sem dúvida alguma, levar qualquer pessoa bem intencionada a relativizar profundamente qualquer discussão que se fizer em torno da noção de “patrimônio histórico”, já que este assunto precisa ser considerado a partir de diferentes âmbitos enunciativos. Porém, em nossa cidade, este caráter relativista em torno da discussão nunca existiu e vai continuar inexistente, devido à falta de interlocução entre as esferas envolvidas nas decisões relativas à preservação patrimonial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A demolição de parte da antiga sede da Vinícola Salton fez a discussão em torno do patrimônio histórico ressurgir e trazer consigo, como de praxe, o olhar unilateral de quem dela participa mais ativamente. Um misto de perplexidade contra as ações legalistas que limitam a plena fruição da propriedade privada por parte dos legítimos proprietários do conjunto de imóveis, aliado ao clamor romanticista dos preservacionistas, à manutenção de uma suposta “ordem cultural” por parte dos memorialistas, à ideia de que o mundo se desgasta e perde sua razão de ser por parte dos historicistas, à inexpressividade de contribuições por parte do Poder Público (e de suas Secretarias especializadas em evadir-se de tudo), à lógica econômico-mecanicista do campo imobiliário, às evocação turísticas que monumentalizam o banal e banalizam o monumental através de reducionismos crassos e da criação de fetiches da experiência e, por fim, à imposição de imagens estereotipadas sobre o que se compreende por “patrimônio histórico” sobre o grande público, tudo isso, conjuntamente posto em discussão, sinaliza apenas o ponto de partida para o que quer que se diga sobre o patrimônio histórico. Assim, não é necessário muito esforço para constatarmos que, em Bento Gonçalves, uma discussão desta natureza nunca aconteceu.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Patrimônio é algo que nunca foi discutido com seriedade em nossa cidade. E isso, dentre uma série de outros possíveis motivos, é uma grave falha de todas as pessoas que vêm a público e manifestam-se como proprietárias de determinados campos do saber, simplesmente porque conseguem agregar em torno de si alguns partidários de suas ideias parcialistas e impregnadas de vaidades pessoais. É deveras estranho (ou, talvez, perfeitamente explicável) que, no âmbito da cidade de Bento Gonçalves, as decisões tomadas em torno da esfera do patrimônio histórico sejam levadas a cabo sem a mínima consideração sobre a complexidade do assunto, sem o debate coletivo que é quem reduz, ainda que minimamente, a precariedade conceitual com a qual julgamos, presunçosamente, conhecer o mundo na sua integridade e no seu caráter de revelação plena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo claro desta postura pouco profissional foi a declaração de um integrante do COMPAHC – Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Bento Gonçalves, que, em entrevista, alegou que &lt;b&gt;&lt;i&gt;“nós, do Conselho Municipal do Patrimônio, somos quem mais entende de patrimônio histórico aqui no município.”&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; Pura soberba. É por este e por outros motivos que o debate inexiste em Bento Gonçalves, pois suas regras já estão, de antemão, colocadas: cada um fala do alto da torre do seu castelo de certezas. Quem vai contestar o que diz o COMPAHC, já que ele é o detentor da verdade suprema sobre o patrimônio? Quem vai contestar o dono da Vinícola Salton? Quem submete o IPURB – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano – à mínima flexibilidade sobre o tema? O que deferem os Senhores Juízes de Direito não pode ser contestado? As imagens dos romanticistas não podem ser desconstruídas ou reorganizadas com alguns argumentos? E o sujeito anônimo que nada entende sobre o tema, nunca participou, leu ou se inteirou de qualquer discussão, não tem ele o direito de se manifestar sobre aquilo que “os outros” dizem que faz parte de sua história, de sua memória e de sua identidade? E que conceitos são estes (história, memória, identidade), tão habilmente manipulados pela retórica dos guardiões da cultura local e que, a despeito da pompa com que são revestidos, podem não passar de um punhado de equívocos tão bem sintetizados pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss, para quem os homens sempre significam algo diferente do que dizem ou fazem, e sempre dizem ou fazem algo diferente do que significam? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei, é uma covardia citar Lévi-Strauss. Pode parecer pedantismo acadêmico da minha parte ou apenas um recurso ilustrativo a um texto fraco que, para se garantir, precisa do enxerto de uma citação impactante. De fato, não é isso. Tenho por princípio aprender com aqueles que julgo saberem mais do que eu. Mas aqui, na Bento Gonçalves das certezas e das transparências, todos já sabem o suficiente. Não lhes interessa nada que não venha de seus próprios quintais de conceitos e preconceitos. Me divirto com isso. Enquanto uns regam quintais, outros pulverizam plantações. Estou no segundo time. Minha ignorância em relação a uma infinidade de coisas me obriga a ser assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Salton centenária – dos tempos em que a vinícola funcionava no centro da cidade – deu lugar à Salton criança, à infante rebelde que decidiu mudar para adequar-se aos “novos tempos”. A criança é só alegria, estampa de um canto a outro da boca um sorriso de fazer inveja às suas concorrentes de meia-idade. Contudo, a criança deixou para trás o contragolpe do tempo. Tentou fazer-se de desentendia – jovem que é –, sem dar muita atenção ao novo mundo que se descortinava. Ela teve a desventura de ter sido, outrora, considerada uma anciã que jamais deveria morrer, sob o risco de que, com suas paredes depostas, também nós teríamos nossas estruturas subjetivas abaladas e deixaríamos, instantaneamente, de saber quem nós tínhamos sido até então. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;"Enquanto uns regam quintais, &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;outros pulverizam plantações."&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que as paredes da antiga Vinícola Salton estão virando pó, compassadas pelo barulho dos motores das máquinas, a cidade corre o risco de sofrer uma amnésia coletiva. Corre o risco de ver seus cidadãos andando pelas ruas feito zumbis errantes, inconscientes de quem são, de onde vieram e para onde vão, como se o prédio da Vinícola que está sendo demolido (mesmo se continuasse em pé por mais cem anos) tivesse respostas para estes que são os mais antigos dilemas existenciais da humanidade. Tudo culpa da infante que ousou saber qual a extensão da batalha travada entre o tempo físico e o tempo cultural, em torno dos quais situa-se o discurso do patrimônio histórico. Os feridos serão muitos. Certamente, faltará vinho para induzir-lhes a inconsciência. E vinho não será um problema para a infante rebelde. Calará ele muitas bocas? Suponho que apenas o COMPAHC sairá ileso da batalha, já que ele tem as respostas sem mesmo saber quais são as perguntas. É um prodígio esse COMPAHC!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho dúvidas de que pouco será feito, a curto e médio prazo (que expressão mais estúpida: quanto tempo é curto prazo? E médio?), para o avanço qualitativo das discussões em torno do patrimônio histórico em Bento Gonçalves. O Poder Público está extremamente mal assessorado sobre esta questão. Seus órgãos, comissões e conselhos pouco fazem para tornar a questão uma pauta abrangente, já que, segundo alegam,&amp;nbsp;ela tem uma relação direta com a própria noção de “pertencimento” dos cidadãos à cidade em que vivem. Todavia, o amadorismo com que o tema vem sendo conduzido em nossa cidade é de causar constrangimento a qualquer pessoa esclarecida que vê a situação “de fora”, sem um olhar localmente comprometido. O tema em questão, o do patrimônio histórico, é de uma complexidade evidente, que envolve uma discussão multidisciplinar voltada para diversos âmbitos do conhecimento humano: filosofia da história, estética, psicologia, sociologia, antropologia, direito e economia. Insistentemente, baseados apenas nas suas próprias convicções tópicas – e dando as costas às teorias, formulações, pesquisas e publicações mais atualizadas sobre o tema – os agentes envolvidos diretamente com este campo, em Bento Gonçalves, são incapazes de perceber que não existe “verdade”, “certeza” ou um ponto de vista “correto” e indiscutível sobre a questão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não apenas diálogo é o que falta, já que nas esferas da decisão política isso é quase uma excentricidade. Falta respeito a quem não participa dessas esferas diretamente (falo das pessoas que não estão vinculadas a partidos políticos, órgãos governamentais, esferas decisórias, etc), como eu e milhares de outras pessoas, que precisamos tolerar a forma como somos tratados, como se fôssemos incapazes de perceber as ideologias, as manipulações, os conchavos, os desmanches morais, as obscenidades opinativas, a patifaria econômica e um sem-fim de outros quesitos que nos reduzem a expectadores passivos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o patrimônio histórico for tratado como questão de interesse pessoal e como guerrilha particular (e é assim que ele é tratado em Bento Gonçalves), poderemos fazer o inventário e o tombamento da cidade inteira e elevá-la à condição de ícone da memória – cada grão de uva de nossos parreirais, cada casa de todas as nossas ruas, cada pedra de nossas calçadas, cada animal que habita nosso território, todos os nossos automóveis, cada prato de nossa gastronomia, cada um dos varietais produzido pela indústria vinícola local, nosso dialeto, tudo! – que ainda assim seremos um bando de desconhecidos uns para os outros. “Patrimônio” só existe quando é mutuamente reconhecido, quando é vazado na matriz do diálogo e da alteridade, quando é profundamente marcado por uma atitude hermenêutica (aquela que diz que a “verdade” é mera utopia, já que sempre emitimos juízos a partir de um “lugar”, de uma “circunstância”, mediante um determinado jogo de linguagem). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A antiga Vinícola Salton vem abaixo, é inevitável. Um clarão está surgindo onde antes, olhando de cima, podiam ser vistos telhados. Quem pode deter o tempo físico? Quem institui a validade e a pertinência do que reza o tempo cultural? Deve o “novo” ser barrado, sob o pretexto de que é o “antigo” quem define o que o ser humano é num âmbito coletivo? Que tipo de história, de memória e de identidade o “antigo” preserva e ajuda a perpetuar? A história oficial, vista de cima, da qual só os grandes participam? A memória das elites econômicas que, com seu dinheiro, poder e influência, construíram a fisionomia que a cidade tem hoje? A identidade de nossos antepassados que, absurdamente, é referenciada e reverenciada como se fosse modelo absoluto de virtude e de elevação humana? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para concluir, há questões bem pontuais e visíveis sem grande esforço que surgem a partir da celeuma patrimonialista em Bento Gonçalves. Eis algumas delas: a) nossos paladinos do patrimônio histórico ainda precisam aprender muito; b) nossa imprensa escrita local ainda precisa evoluir muito para oferecer ao leitor uma discussão sobre este tema, de modo que ela seja esclarecedora e oportunize a reflexão; c) nossos Conselhos Municipais precisam de mais humildade, a fim de admitirem que são apenas uma parte do sistema (e não o sistema todo funcionando em modo automático); d) nossos representantes políticos precisam ser melhor assessorados; e) palestras, seminários, fóruns e encontros precisam ser organizados para uma discussão mais abrangente sobre o tema, os quais, evidentemente, devem permitir a ventilação de ideias, bem como, devem dar voz a outros segmentos e agentes sociais, ou seja, que não sejam sempre os mesmos a falar para suas audiências cativas; f)&amp;nbsp;nossos legisladores, coitados, esses não têm jeito: precisam nascer de novo para entrar na discussão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clóvis Da Rolt, Bento Gonçalves-RS, 22/01/11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-3929148303766746167?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/3929148303766746167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=3929148303766746167&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3929148303766746167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3929148303766746167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/01/regar-quintais-pulverizar-plantacoes.html' title='Regar quintais, pulverizar plantações'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TTsudZgUPqI/AAAAAAAAA18/7kvyT5lX6_8/s72-c/olive.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-6911065193720013521</id><published>2011-01-20T12:22:00.000-02:00</published><updated>2011-01-20T12:22:06.683-02:00</updated><title type='text'>CONCURSO DE POESIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;I CONCURSO DE POESIA DO BLOG ESCAFANDRO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;TEMA: O MUNDO NUM GRÃO DE UVA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;“Quando da explosão do Big Bang, pairava no ar um Grão de Uva e o Verbo. O Verbo embriagou-se. Da embriaguez do Verbo surgiu a célula mater que operou a maior revolução química jamais vista pela humanidade: assim surgiu Bento Gonçalves."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Francis Bacon com Ovos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "I Concurso de Poesia do Blog Escafandro”, em parceria com o Instituto de Pesquisas Avançadas sobre a Uva e o Vinho, o Museu Municipal do Mosto, o Comitê Nacional para Assuntos Viníferos, a Associação de Amigos do Resveratrol, a Sociedade Bentogonçalvense de Defesa da Memória do Vinho e a Igreja Mundial “Daime de Uva”, visa a estimular a produção literária que tenha como foco o tema inédito: &lt;strong&gt;“O mundo num grão de uva”.&lt;/strong&gt; O Concurso será uma oportunidade única para os amantes da literatura divulgarem o seu trabalho e serem reconhecidos por sua criação patética, digo, poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. Participação:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A participação no Concurso é aberta a qualquer interessado, que poderá encaminhar textos escritos em qualquer língua (viva ou morta), desde que já tenha sofrido as consequências de um pileque (devidamente documentado com fotos, hemograma, comprovante de etilômetro). Não serão aceitos textos que apresentem rimas que ofendam, degradem ou diminuam a importância da uva e do vinho no cenário cultural da cidade de Bento Gonçalves. No mais, como diz o Tim Maia, vale tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Inscrições:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As inscrições são gratuitas e poderão ser realizadas a partir de hoje até o dia 15 de abril de 2011. Os textos devem ser encaminhados para este blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Normas e Terezas para inscrição:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O textos deverão estar adequados a este edital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há limites para a extensão dos textos, tampouco diretrizes para a sua formatação. Arquivos muito “pesados” serão detectados pelo sistema de anti-spam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras “uva” e “vinho” deverão, obrigatoriamente, aparecer no texto, sob o risco de o mesmo ser desclassificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Textos vanguardistas, experimentalistas e de linguagem suspeita, serão desclassificados no ato de inscrição, sob o risco de ofensa à tradição e aos mais elevados valores de “nossa gente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Modalidades:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Concurso se divide em duas modalidades:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Modalidade A: Tintos e distintos&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderão participar desta modalidade os apreciadores de vinho tinto, descendentes legítimos de italianos de reconhecida estirpe e cuja atuação social já lhes tenha rendido prêmios, condecorações e, no mínimo, uma portaria de louvor e reconhecimento expedida pela Câmara de Vereadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Modalidade B: Brancos, negros, pardos e amarelos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderão participar desta modalidade os apreciadores de vinho branco que não se encaixarem na modalidade A. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Comissão Julgadora.:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As obras inscritas serão analisadas por uma equipe altamente conceituada, formada por profissionais com destacada atuação na área da literatura e das artes. Farão parte da comissão julgadora: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-a Imperatriz da Fenavinho 2011 (auxiliada por sua corte);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-dois enólogos;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-um engenheiro agrônomo com especialização em cultivo de videiras;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-um representante de cada uma das Instituições parceiras do Concurso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada membro da comissão julgadora receberá como pagamento uma réplica em bronze do grão de uva que surgiu com a explosão do Big Bang, cujo original encontra-se sob forte regime de segurança junto ao SBI – Sistema Brasileiro de Inteligência. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A decisão do júri é soberana e irrecorrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Premiação:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "I Concurso de Poesia do Blog Escafandro” premiará os vencedores na seguinte ordem de classificação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1° lugar:&lt;/strong&gt; Uma caixa de vinho tinto, uma caixa de geleia de uva, uma caixa de licor de uva,&amp;nbsp;uma caixa de xampu à base de extrato de uva,&amp;nbsp;uma caixa de suco de uva, uma caixa de pirulitos sabor uva, uma caixa de uva, um manual prático para o cultivo da uva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2º lugar:&lt;/strong&gt; Uma caixa de vinho tinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3º lugar:&lt;/strong&gt; Uma garrafa de vinho tinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três primeiros colocados serão agraciados com um jantar com a Imperatriz da Fenavinho 2011, em cuja efeméride serão revelados os segredos da técnica de pisar a uva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Resultado:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vencedores serão divulgados durante a realização da Fenavinho 2011,&amp;nbsp;através deste blog, e terão seus nomes gravados em uma placa comemorativa a ser descerrada por autoridades locais. A placa será, posteriormente, levada à lua como garantia de preservação da memória dos vencedores, caso alguma catástrofe destrua o Planeta Terra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-6911065193720013521?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/6911065193720013521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=6911065193720013521&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6911065193720013521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6911065193720013521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/01/concurso-de-poesia.html' title='CONCURSO DE POESIA'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-1369303358788634050</id><published>2011-01-18T15:08:00.007-02:00</published><updated>2011-01-18T22:14:05.132-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='arte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='imagináro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cultura'/><title type='text'>O dentro e o fora</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TTXHmNCW-qI/AAAAAAAAA14/AWtmPDNgY1E/s1600/GOMEZ_%257E1.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TTXHmNCW-qI/AAAAAAAAA14/AWtmPDNgY1E/s1600/GOMEZ_%257E1.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O artista Guillermo Gómez-Peña&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;Ao pegar a correspondência de hoje, tive a exata noção da extensão de um paradoxo. Em sua chamada de capa, o Jornal Gazeta conclama os moradores da cidade a ajudar as vítimas dos desastres naturais no Rio de Janeiro. No interior de um envelope com timbre da Fenavinho 2011, uma correspondência dirigida aos artistas plásticos da cidade conclama-os a participar da pintura de um mural temático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;O paradoxo em questão pode ser assim resumido: a chamada de capa do Jornal Gazeta referencia a dimensão do “fora”, ao passo que a correspondência da Fenavinho 2011 referencia a dimensão do “dentro”. Outros rótulos, para efeito didático, também poderiam ser usados e atingiriam o mesmo resultado paradoxal: ao invés das dimensões do “dentro” e do “fora”, o paradoxo em questão poderia referendar as dimensões do “interno” e do “externo”, ou, ainda, do “autóctone” e do “alóctone”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;O paradoxo assim se explica. Num jornal de interior, voltado para uma cobertura jornalística sem qualquer interesse macroabrangente, é muito comum que, a cada nova edição, apenas tenhamos que atualizar a data em que a leitura está sendo feita, já que, no seu teor e na sua forma, a informação veiculada não produz qualquer abalo na estrutura de mundo do leitor, o qual apenas vê confirmada a sua posição num mundo estático, diante do qual ele possui “pleno” domínio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Mas a edição de hoje do Jornal Gazeta parece quebrar essa lógica. A chamada de capa consegue o feito de levar o pensamento do leitor para outra região (geográfica e simbólica) ao sugerir que ele também pode ajudar as vítimas dos desastres no Rio de Janeiro, através de doações. Sem entrar no mérito de tais iniciativas – que podem ser apenas um reflexo das invocações da grande mídia e do despertar de uma solidariedade que, de tempos em tempos, precisa mostrar que ainda existe – o que me chamou atenção foi o fato de ter pego o jornal e, nele, não ter visto, como de praxe, os brios afirmativos do localismo que atinge qualquer jornal de pequeno porte. Fiquei surpreso ao ver que o jornal, naquele momento, estava lançando-me para fora de minha geografia. E, com isso, caracterizo a dimensão do “fora”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;A correspondência da Fenavinho 2011, por sua vez, é a síntese fiel do que se poderia chamar de dimensão do “dentro”. Trata-se de um concurso/edital que selecionará dez artistas da cidade para a pintura de um mural, cujo tema “Arte... Uva e Vinho” referenda o mais completo confinamento cultural de que somos vítimas. Já perdi a conta de quantos editais e concursos, formulados no âmbito da cidade de Bento Gonçalves, propunham como tema os manjados clichês “uva” e “vinho”, o que me faz concluir que entre artistas e enólogos não há qualquer diferença. De certo modo, tanto a postura maçante por parte dos formuladores destes concursos, quanto a rendição dos artistas à ditadura temática por eles proposta, caracterizam a manutenção de um presunçoso etnocentrismo, o qual, sem dúvida, administra fortemente as lógicas culturais locais que se espraiam por todos os setores sociais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;"As grandes obras são inadequadas, &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;não encontram um lugar de consenso &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;frente ao mundo que lhes rodeia."&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Dentro destas lógicas de ação, o campo estético local se mantém sem conflitos, sem renovações, sem surpresas, embalsamado por discursos autoritários que temem a renovação, a ousadia e a quebra das estruturas estáveis do mundo. Todos se mantêm seguros no interior desta forma de organização do imaginário local, pois é ela que permite o agrupamento de pessoas diante de um mesmo propósito. Por outro lado, a total apatia estética de nossa cidade (pra não dizer morte estética, de fato) é celebrada como se fosse algo profundamente elaborado, como se fosse produto de um ideal de elevação criativa, manejado por pessoas hábeis em decifrar os enigmas da representação artística em inofensivas garrafas de vinho, em enfadonhos cachos de uvas, em deprimentes paisagens forradas de videiras, além de outros êxodos de inteligência, materializados em imagens óbvias e sem qualquer relevância artística. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Definitivamente, não é mediante a adequação que uma obra de arte ganha vigor. As grandes obras são inadequadas, não encontram um lugar de consenso frente ao mundo que lhes rodeia. Os artistas só podem ser assim reconhecidos se duvidarem de tudo e se nos fizerem duvidar de tudo. Definitivamente, não há arte sem uma revisão nos valores, sem a quebra de certas estruturas de significação, sem o golpe da criação que desbrava os caminhos para o prosseguimento desta coisa incerta que denominamos “humanidade.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;A vida se torna insuportável sem o jogo articulado entre o “dentro” e o “fora”. É essa tensão que nos faz ver mais longe, para além de nossas presunções. Tudo aquilo que tenta reduzir a relação entre o dentro e o fora deve ser visto com descartável e despropositado. O dentro, como dimensão da facticidade, do óbvio, do revelado, do conclusivo, do mastigado, precisa encontrar na dimensão do fora, da abertura, da amplitude, do inconcluso, do volátil, a sua medida de justificação provisória, medida que tem valor somente até o limite em que não produza a imbecilidade coletiva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Clóvis Da Rolt, Bento Gonçalves-RS, 18/01/11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;FICA MEU APELO PARA QUE OS ARTISTAS DA CIDADE REFLITAM:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;PARA QUE NÃO SE DEIXEM REDUZIR EM SUA IMPORTÂNCIA E RELEVÂNCIA SOCIAL;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;PARA QUE NÃO SE SUBMETAM ÀS SANÇÕES IMPOSTAS POR PESSOAS, GRUPOS E INSTITUIÇÕES QUE USUSFRUEM DO TRABALHO DOS ARTISTAS PARA INCREMENTAR SEU REPERTÓRIO DE SILÊNCIOS E IDEIAS CADUCAS.&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;PARA QUE NÃO ACEITEM A ESMOLA DE R$ 400,00 (É O VALOR DO PRÊMIO PAGO PELO CONCURSO), PAGA POR UMA FEIRA QUE MOVIMENTA MILHÕES EM NEGÓCIOS; &lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;PARA QUE NÃO SE DEIXEM AMORDAÇAR POR TEMAS ESTÚPIDOS E REDUTORES DA GRANDEZA SIMBÓLICA QUE SE PODE EXPLORAR EM RELAÇÃO AO MUNDO;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;PARA QUE NÃO SE RESIGNEM AO ÓBVIO; &lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;PARA QUE NÃO PARTILHEM COM SEUS COLEGAS DE PROFISSÃO O COMODISMO DAS CERTEZAS E DA FALTA DE DESAFIOS;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;PARA QUE NÃO JUSTIFIQUEM SUAS ATIVIDADES ( E SUA ARTE, SE FOR O CASO)&amp;nbsp;EM EXPECTATIVAS&amp;nbsp;SIMPLÓRIAS;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;PARA QUE NÃO CONFIRMEM&amp;nbsp;O FASTIO&amp;nbsp;DE&amp;nbsp;CONCURSOS QUE EM NADA PROMOVEM O CRESCIMENTO DA ATIVIDADE ARTÍSTICA NUM PLANO QUALITATIVO;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;PARA QUE NÃO SEJAM MEROS COADJUVANTES EM RELAÇÃO A UMA ATIVIDADE QUE, AO LONGO DA HISTÓRIA, FOI OCUPADA POR PESSOAS QUE AJUDARAM A ORIENTAR OS RUMOS DO PENSAMENTO E DA INTELIGÊNCIA HUMANA;&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;PARA QUE NÃO &amp;nbsp;SE JULGUEM TÃO BONS A PONTO DE CONTINAREM A FAZER O QUE SEMPRE FIZERAM, SÓ PORQUE UM BANDO DE DESAVISADOS&amp;nbsp;CHAMA ISSO DE "ARTE";&lt;/strong&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-1369303358788634050?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/1369303358788634050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=1369303358788634050&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1369303358788634050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1369303358788634050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/01/o-dentro-e-o-fora.html' title='O dentro e o fora'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TTXHmNCW-qI/AAAAAAAAA14/AWtmPDNgY1E/s72-c/GOMEZ_%257E1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-8657658701787136301</id><published>2011-01-16T23:34:00.000-02:00</published><updated>2011-01-16T23:34:39.370-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size: large;"&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;"O adulto é triste e solitário."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Clarice Lispector&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-8657658701787136301?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/8657658701787136301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=8657658701787136301&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8657658701787136301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8657658701787136301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/01/o-adulto-e-triste-e-solitario.html' title=''/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-5291210196670995928</id><published>2011-01-08T12:39:00.005-02:00</published><updated>2011-01-11T13:02:41.921-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='PT'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Brasil'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Bento Gonçalves'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='política'/><title type='text'>Os monstros de lá, os monstros de cá</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TShy-KL8uaI/AAAAAAAAA10/ov-h6S5m69s/s1600/Nolde.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" n4="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TShy-KL8uaI/AAAAAAAAA10/ov-h6S5m69s/s1600/Nolde.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O baile de máscaras - Obra de Émil Nolde&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A apatia política é uma das evidências mais gritantes de nossa época. Com a suposta consolidação da democracia, aliada à estabilidade momentânea da economia e aos índices ascendentes que vêm caracterizando os diversos setores da sociedade brasileira, parece que nos tornamos anêmicos e destituídos de um necessário (e sempre útil) caráter reivindicatório sobre os rumos da esfera pública nacional. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Uma imobilidade geral parece ter tomado conta do brasileiro, esta figura meio real, meio fictícia, forjada mediante a soma de um passado perturbador e um futuro ingenuamente esperançoso. Deixando de lado teorias, análises e conjunturas históricas (elas não convém neste momento, neste veículo rápido que é o blog), parece que o que nos define, na atualidade, é um modo de operar na reserva de combustível, na passividade, no contragolpe involuntário. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;O otimismo ostensivo e celebratório implantado em nossas vidas, especialmente nos últimos dez anos, tem nos deixado covardes, acomodados e completamente apáticos. Diante de situações aviltantes – como o recente aumento nos salários dos deputados federais –, não se viu surgir nenhum sinal reverso, nenhuma manifestação nacionalmente relevante, nenhum indício de repúdio efetivamente prático. Também em Bento Gonçalves, o aumento no salário de vereadores, secretários e prefeito, sequer motivou algum tipo de reflexo por parte das cobaias errantes que nos tornamos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A política é um sistema. Poucos políticos (refiro-me às pessoas que têm a política como profissão) sabem o que isso significa na prática, e dificilmente procuram saber. Mas há situações em que o sistema, que não funciona sozinho, mas respaldado por outras esferas paralelas, mostra do que é capaz. Em situações que lhe são convenientes, todo político sabe o que é o sistema, ou seja, sabe que pode usá-lo para benefício próprio. Assim, o aumento indiscutivelmente imoral e ultrajante que os deputados federais se autoconcederam, fez com o que o sistema aparecesse, mostrasse um rosto e uma forma, a forma da vergonha nacional estampada em nossas vidas intercambiáveis na sua falta de ação e de protesto. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;O chamado “efeito cascata”, promovido pelo aumento nos salários dos deputados federais, motivou o despertar do sistema. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Momentaneamente, todas as esferas políticas também modificaram as cifras de seus contracheques. Incompreensivelmente, estamos aceitando tudo isso. Estamos aceitando permanentemente. Aceitaremos até o ponto em que nos falte o mínimo discernimento em relação aos aspectos mais íntimos das nossas vidas, aí, então, despertaremos, como cidadãos mortos em vida. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: inherit; font-size: large;"&gt;"Os beneficiários de um cargo em comissão &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: inherit; font-size: large;"&gt;funcionam como os olhos, os ouvidos e a boca &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: inherit; font-size: large;"&gt;da administração em voga, &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: inherit; font-size: large;"&gt;no caso de Bento Gonçalves, &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: inherit; font-size: large;"&gt;o PT e suas coligações."&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Circula pela internet um e-mail assinado pelo advogado Adroaldo Dal Mass, o qual é decorrência (e, de certa forma, uma continuidade) de dois textos seus anteriormente publicados em seu blog. Felizmente, este e-mail está circulando e sendo repassado numa cadeia de contatos que tem gerado algum tipo de discussão, o que já é algum progresso neste tempo de gargantas suturadas e mãos decepadas. O referido e-mail apresenta uma alternativa ao que eu e, certamente, qualquer pessoa minimamente esclarecida, considero um escarro em nossas caras, uma evidência (mais uma) de que o campo político é a maior pústula criada pela cultura humana. Sem mencionar o que poderia ser feito no âmbito de uma mobilização nacional contundente, o referido e-mail – modesto em suas intenções, mas perfeitamente executável em seus fins – conclama quem estiver interessado a participar de uma Ação Civil Pública contra o aumento, recentemente anunciado, nos salários dos funcionários que ocupam cargos em comissão (CC’s) na Prefeitura de Bento Gonçalves.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A lei 5.175, recentemente aprovada, alterou o texto da lei complementar 130, de 23 de dezembro de 2008, que previa uma incorporação de 5% nos salários dos funcionários concursados que estivessem sob o regime de CC. Com a alteração, o novo texto, respaldado pela atual administração pública que se beneficiaria dele, passou a determinar uma incorporação anual de 20% aos salários dos funcionários em cargos de comissão, até o limite de 100%. Mas não apenas os chamados CC’s incorporariam o aumento, como também os funcionários beneficiados com subsídios (prefeito, secretários e vereadores). Tudo engenhosamente armado para beneficiar a atual administração petista. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Não precisa ser muito bom em matemática para fazer um breve cálculo e verificar que, em quatro anos, um funcionário beneficiado com um cargo em comissão aumentaria em 80% o seu salário. E isso, sem qualquer justificativa plausível,&amp;nbsp;sem qualquer motivo humanamente compreensível que determinasse o aumento. Ao que parece, o Prefeito Roberto Lunelli anda dando declarações que alegam que o aumento de 20% já estava na lei original (de 2008) e que seus esforços seriam para barrar o aumento de 20%, ainda que permanecessem os 5%. Na tentativa de eximir-se de uma participação direta no feito, sua “luta” (palavra que os petistas adoram), agora, é por garantir modestos 5%, o que, com seu recente aumento salarial, geraria um acréscimo de R$ 2.000 em seu salário de professor (considerando os dois anos restantes do seu mandato), para o resto da sua vida, sem contar os outros R$ 4.000 provenientes de uma possível (e até agora improvável) reeleição. A mesma lógica, com os devidos ajustes de cálculo, valeria para qualquer funcionário concursado, beneficiado por um cargo em comissão ou subsídio. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;O que me parece mais arrogante neste tipo de ação política é a supervalorização com a qual nossos governantes se autodefinem. Talvez isso seja uma patologia estritamente aplicável ao campo da política, tendo em vista que jamais vi algum político sofrer de baixa autoestima, falta de autoconfiança ou qualquer tipo de insegurança que, normalmente, atingem os serem humanos comuns. Todavia, os políticos não são seres humanos comuns. Eles efetivamente acreditam que são tão bons, tão necessários e tão indispensáveis, que mereçam receber, até o fim de suas vidas, os dividendos por ocuparem um cargo que qualquer outra pessoa poderia ocupar, sobretudo no que se refere aos cargos em comissão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Cargos em comissão não são movidos por competência profissional, titulação acadêmica, histórico de serviço à comunidade, capacidades intelectuais, perfil de liderança ou qualquer outra variável que possa ser mencionada. São cargos movidos pela falácia de todo o campo político na sua variante partidária. Os beneficiários de um cargo em comissão funcionam como os olhos, os ouvidos e a boca da administração em voga, no caso de Bento Gonçalves, o PT e suas coligações. Por que, neste caso, temos que gratificá-los até o fim de suas vidas por seus joguinhos de espionagem e suas guerrilhas partidárias? Estariam eles dispostos a aumentar, anualmente, 5% de sua capacidade de trabalho (até o limite de 100%) em benefício da cidade que sustenta seus privilégios? Que os 5% de incorporação salarial saíssem do bolso dos partidos não me pareceria uma má idéia, mas, do bolso do cidadão, que paga seus impostos e que pretende ver seu dinheiro aplicado com idoneidade, parece-me uma sujeira descarada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Fazendo um eco ao artigo de Dal Mass, proponho que é preciso termos ciência de que toda cidade brasileira é uma filial de Brasília. O microcosmo imita o macrocosmo. Os monstros de lá são os mesmo de cá, têm cara feia, olhos grandes e dentes pontiagudos, tudo muito bem disfarçado como reza a cartilha da política. A diferença entre as duas esferas é da ordem das grandezas. Lá nos defendemos de avalanches, cá nos defendemos de um escorregão no cascalho. Porém, no fim das contas, tudo nos prejudica da mesma forma: algumas vezes um pequeno arranhão, outras vezes a morte da pouca esperança que nos resta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clóvis Da Rolt, Bento Gonçalves-RS, 08/01/11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-5291210196670995928?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/5291210196670995928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=5291210196670995928&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5291210196670995928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5291210196670995928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2011/01/os-monstros-de-la-os-monstros-de-ca.html' title='Os monstros de lá, os monstros de cá'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TShy-KL8uaI/AAAAAAAAA10/ov-h6S5m69s/s72-c/Nolde.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2548855928950753387</id><published>2010-12-30T12:26:00.002-02:00</published><updated>2010-12-30T12:35:42.677-02:00</updated><title type='text'>Tiririca, meu voto é seu!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TRyVbV7frZI/AAAAAAAAA1s/djKCeujpIFw/s1600/Tiririca.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" n4="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TRyVbV7frZI/AAAAAAAAA1s/djKCeujpIFw/s320/Tiririca.jpg" width="232" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Eu sei, a pauta é retardatária. Tiririca foi a sensação do jornalismo brasileiro e dos críticos políticos com sua devastadora votação no último pleito para deputado federal. Nesta época, eu não estava no Brasil, embora tenha acompanhado as notícias relativas às eleições como respingos que chegavam a mim através de ligações telefônicas, televisão, jornais ou correio eletrônico. Este último, por sinal, foi o suporte mais utilizado pela comunicação de massa com o intuito de achincalhar o referido candidato e condenar-lhe por ser analfabeto, despreparado e oportunista, características que, aos olhos da crítica popularesca, pareciam nunca ter feito parte do cenário político brasileiro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Recebi mensagens iradas, portadoras de uma capacidade destrutiva que causaria inveja ao mais insano dos homens-bomba. E tudo porque um palhaço (o substantivo, não o adjetivo) alcançou um dos patamares mais elevados da esfera política nacional. Era a prova que precisávamos de que a nossa democracia funciona, não vê cara nem coração, não repele os ímpios nem os crédulos, aceita desde aquele que mal sabe escrever o próprio nome até aquele que ocupa uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Somos exemplo para o mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Se é verdade que a voz do povo é a voz de Deus, então Deus deu o maior berro da história política deste país. Resta, é claro, saber se a votação arrebatadora de Tiririca representa a vontade do povo, a eficácia da manipulação que associou as esferas da mídia e da política ou apenas uma brincadeira do tipo “vamos votar nele, já que ele não ganhará mesmo.” Qual um Judas malhado em praça pública, atormentado pela ira de uma horda de eleitores seguros de si e portadores da mais profunda consciência democrática, Tiririca foi a bola da vez, o ícone da bandalha nacional e do jeitinho pátropi de ser. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O que se espera dele, a partir do próximo ano, é que demonstre capacidade de ação política, habilidade no trato com as diferenças ideológicas e percepção para alavancar discussões amplas sobre temas emergentes, enfim, o que se espera de qualquer político. É pedir demais? Sim, certamente, e não porque se trata de Tiririca, mas porque se trata de política, uma das instâncias mais desacreditadas deste país, que insiste em depositar no voto todas as suas expectativas futuras, como se a democracia fosse um conceito que apenas precisamos avaliar a cada quatro anos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;"Estamos sós, no deserto, &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;acompanhados apenas por muitos demônios."&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;É por isso que eu digo: Tiririca, estou com você, assim como estou com vocês, Tarso Genro, Roseana Sarney, Geraldo Alckmin, Manuela D’Ávila, Gabriel Chalita e Antony Garotinho. Para mim, vocês são todos iguais, apenas usam figurinos e perucas de cores diferentes. E acreditem, eu dou muitas gargalhadas com vocês e de vocês. Vocês são a maior diversão deste país, uma diversão que parece ser gratuita mas custa caro aos nossos bolsos. Vocês inventaram a maior e mais convincente anedota de que precisávamos para receberem alguns aplausos como retribuição, a de que somos o “país do futuro”, este futuro que vocês insistem em destruir porque isso convém a seus próprios egos e contas bancárias. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Nossas bibliotecas estão entulhadas de livros que relatam a trajetória dos grandes homens públicos e dos personagens políticos mais marcantes do país. Estes livros costumam assinalar que os grandes homens são aqueles que já nascem como promessas de gerarem volumosas biografias, nas quais constem suas titulações acadêmicas, seus percursos formativos, suas alianças ideológicas, sua capacidade de mobilização e agenciamento popular e, é claro, seu afã de integrar o rol das figuras míticas. Tiririca veio para aniquilar, com todas as evidências e com todas as letras, a falsa ideia de seriedade que há por traz da política e das biografias políticas, algo que nunca foi novidade para nós, embora sempre tenhamos insistido – por absoluta falta de alternativa, imobilidade, descrédito ou autoanulação – que o Enviado poderia ser o próximo, ou o próximo, ou o próximo... Mas o Enviado nunca chega. Estamos sós, no deserto, acompanhados apenas por muitos demônios. Tiririca está aí para mostrar que entre ele e Juscelino Kubitschek não há qualquer diferença, já que, ao vestirem uma gravata e possuírem um gabinete com o nome na porta, todos são nivelados por meio da instantânea mística do clubinho da política.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;stou certo de que Tiririca não vai me decepcionar. Estou contando com ele para, enfim, aposentar Hobbes, Rousseau, Maquiavel, Marx, Weber, Bobbio e uma constelação de pensadores que, até hoje, não fizeram mais do que contaminar-me com suas falas torpes e suas ideias desacopladas do mundo real. Talvez o errado seja eu. Talvez eu não devesse ter investido em formação e aprimoramento intelectual, tendo em vista que, com base nessas opções, o que se ganha é o deboche alheio por querer entender um pouco mais de perto o mundo em que vivemos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Meu voto é de Tiririca. Ele nos mostra que não é preciso falar bonito para fazer política, além de nos dar, como garantia de seu trabalho, a possibilidade de convencer seus colegas deputados&amp;nbsp;com algum chiste sobre portugueses, nordestinos, loiras ou viados. Ele nos ensina que só é preciso mostrar os dentes para alcançar um dos cargos públicos mais poderosos do Brasil! Contudo, ele tem um grave defeito, talvez o mais grave de sua plataforma de governo, que é o fato de já começar sua vida política desfalcado, pois em sua boca sequer pode-se contar trinta e dois dentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Clóvis Da Rolt, Bento Gonçalves-RS, 30/12/10&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2548855928950753387?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2548855928950753387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2548855928950753387&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2548855928950753387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2548855928950753387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/12/tiririca-meu-voto-e-seu.html' title='Tiririca, meu voto é seu!'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TRyVbV7frZI/AAAAAAAAA1s/djKCeujpIFw/s72-c/Tiririca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7268261900079665398</id><published>2010-12-29T14:12:00.000-02:00</published><updated>2010-12-29T14:12:43.654-02:00</updated><title type='text'>Van Gogh e o dilema do quarto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TRtcgHioqzI/AAAAAAAAA1o/4KuV1b3EY7U/s1600/VanGogh-Quarto.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="243" n4="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TRtcgHioqzI/AAAAAAAAA1o/4KuV1b3EY7U/s320/VanGogh-Quarto.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Van Gogh - O quarto do artista em Arles.&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Um amigo perguntou-me se é brega pendurar reproduções de obras de arte em casa. Ele comprou uma reprodução d’O Quarto do Artista em Arles, uma das obras de Van Gogh mais disseminadas pela indústria da cópia e, mal terminou de analisar a incrível (e virtual) textura da tinta – simulada através de lentes fotográficas cada vez mais potentes – pôs-se a pensar nas implicações morais advindas de sua aquisição de uma cópia, ao invés de um original. Alguém dificilmente me escreveria pedindo se pendurar um original de Van Gogh na parede de casa pode ser considerado brega, ainda que eu respondesse que sim, que ter um original de Van Gogh pode ser extremamente brega, se a pessoa que o ostenta for incapaz de torná-lo uma obra solene. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;De cara, deixo uma dica para o meu amigo: ser brega não é um atributo da obra (quer seja o original ou a cópia), mas um preceito da conduta e do comportamento das pessoas que, de posse de uma obra (original ou cópia) poderão condená-la à mais profunda excrescência. Um exemplo desta prática de condenação é o retrato pseudoimpressionista da Baronesa Thyssen e seu cãozinho schnauzer, perturbadoramente colocado ao lado de quatro esculturas de Rodin, no hall de entrada do Museu Thyssen-Bornemisza, em Madri. A meu ver, aquele retrato da baronesa, especialmente pelo “lugar simbólico” que ocupa na entrada do museu, torna toda a coleção um tanto brega, mesmo que nela convivam preciosidades como El Greco, Francis Bacon, Hopper e dezenas de expressionistas alemães. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A pergunta continuou me instigando. Usei-a, portanto, como mote para retomar as publicações no blog, depois de um intervalo de abstinência de “senhas e logins”. O que significa ser brega? Por que perguntar a mim sobre o assunto? Por que preocupar-se com aquilo que se coloca na parede de casa, este ambiente tão confinado em uma redoma de símbolos íntimos? Meu amigo queria uma resposta. E eu, como profissional das artes (e, talvez por isso mesmo, a pessoa menos indicada a sugerir-lhe algo), senti que, naquele momento, precisaria fazer valer o meu juramento acadêmico de jamais deixar amigos sem resposta sobre aquilo que eles devem pendurar na parede de casa. Disse a ele que sim, que as reproduções de obras de arte são bregas, mas não tive como convencê-lo com argumentos muito sólidos, já que as palavras ditas através das mídias de comunicação instantânea são como infindáveis vagões cruzando linhas que se sobrepõem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Sugeri a ele que procurasse um artista ou artesão local e adquirisse uma obra original, ou mesmo que fosse à procura de cartazes antigos que, emoldurados, deixam qualquer ambiente com mais personalidade. No Brasil, estamos cheios de opções muito mais interessantes do que as sórdidas reproduções, que, sob determinadas circunstâncias e sob determinados pontos de vista, servem como um atestado de penúria estética de quem as possui. E esse, definitivamente, não é o caso do meu amigo. O trabalho das rendeiras da Bahia, as garrafinhas com desenhos feitos de areia em Fortaleza, as xilogravuras que enobrecem a imagética dos textos contados e cantados pelo cordel de Pernambuco, os espontâneos rótulos das garrafas de pinga do Maranhão, há muito para ser explorado e levado para dentro de casa e, desta forma, deixá-la com um DNA semelhante ao do seu dono.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Costuma-se pensar na obra de arte como uma junção de corpo e alma, matéria e símbolo, objetividade e subjetividade, embora outros argumentos também sejam válidos na tentativa de responder a uma das perguntas mais antigas que a sociedade colocou a si própria: o que é arte? Na falta das polaridades antes mencionadas, o que sobra é o uso socialmente condicionado de algo que não é arte e nem almeja ser. A reprodução não quer tomar o lugar do original, não pode competir com ele, mas transforma-o, contamina-o, faz dele o fiel depositário das manifestações estéticas de uma sociedade ávida por consumir signos que expressam as mais diversas preocupações, inclusive a de tomar uma posição: ser brega ou chique. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;strong&gt;"Numa reprodução,&amp;nbsp;tudo é ilusão, &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;strong&gt;inclusive o dilema moral de ser brega &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: &amp;quot;Arial&amp;quot;, &amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 12pt; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;strong&gt;por mostrá-la na parede de casa. "&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Nos consultórios médicos e jurídicos é muito comum ver reproduções de obras de arte. Suponho que estes profissionais tenham alguma disciplina voltada à decoração de interiores em seus currículos acadêmicos, pois é impressionante como conseguem reproduzir na decoração de seus escritórios e consultórios a mesma previsibilidade com que elaboram uma minuta ou diagnosticam um paciente. Evidentemente, estes profissionais não podem ser condenados por suas valorações estéticas, já que apenas perpetuam o “ethos”, a bolha de signos que faz com que eles se diferenciem das demais pessoas e dos demais profissionais. No mais, estas reproduções de obras de arte, no caso de advogados e médicos, funcionam como itens do “check list” cultural que eles precisam dominar para serem considerados criaturas superiores dentro das estruturas sociais, embora eles dificilmente saibam quem é o artista que executou a obra original, cuja cópia funciona como éter em suas salas de espera.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;É compreensível que algumas pessoas admirem tanto algumas obras de arte, que queiram possuir uma cópia delas em suas casas. Não há mal algum nisso. Grande parte da arte romana é cópia, surgida numa época em que a cópia não tinha o sentido e o uso que possui hoje. Porém, sob uma análise contextual, a cópia, hoje, funciona como a virulência da fraude criativa e como sinal de debilidade do gosto artístico, instâncias historicamente problemáticas e nem por isso descartáveis. A reprodução tem o magnífico poder de substituição. Contudo, ela não cumpre fielmente o que promete oferecer, já que, para olhos acostumados com um necessário “peneiramento estético”, nela tudo é ilusão, inclusive o dilema moral de ser brega por mostrá-la na parede de casa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Se considerarmos os rumos de nossa sociedade, marcada pela produção de criaturas vivas sob o anonimato dos bancos de células, pela massificação da notícia que pulula entre diversos canais televisivos sem nada acrescentar que já não tenha sido dito, pela falta de autenticidade ou personalidade política que dominam a esfera pública atual, bem como por uma série de outras evidências, veremos que ser chique, atualmente, pode ser ostentar uma reprodução de qualquer obra de arte na parede de casa, já que o gosto estético reflete a época da qual é resultado. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Por que meu amigo precisa de uma aprovação social para decorar sua própria casa, este espaço construído mediante constantes fricções com o mundo externo? É simples. Somos extremamente preocupados com aquilo que os outros pensam a nosso respeito, especialmente se nossa casa costuma ser frequentada e, sobretudo, se formos detentores de certos atributos distintivos que produzem o discurso (sempre equivocado) do bom gosto, como, por exemplo, se formos críticos de arte, professores universitários, investidores da bolsa de valores ou atores de novelas televisivas. Uma pessoa portadora destes atributos não pode ser brega. Por mais que isso seja um absurdo evidente, é isso que a sociedade lhe cobra. Ela é a referência do gosto tolerável. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Tentei explicar ao meu amigo que a casa dele é um problema de ordem pessoal, e que aquilo que ele coloca lá dentro não tem que passar pelo crivo dos outros. Se a reprodução d’O Quarto do Artista em Arles possui alguma faceta fortemente significativa na vida do meu amigo, então ele deve avaliar a possibilidade de fazer um furo a mais na parede, sem, contudo, esquecer-se de que toda imagem tem o poder de remeter o olhar e o julgamento para confins inimagináveis. Para alguns, ele será o sujeito cult do prédio, o cara contrastante que venera Godard mas tem um pé no populacho; para outros, a figura que convida para um jantar sem precisar apresentar-se, já que a parede de casa também produz discursos. Por fim, ele ainda poderá ser julgado como o camarada que nada entende de arte (quem entende?), mas nutre o fetiche por imagens que podem ser tanto um quase Van Gogh quanto uma Virgem Maria produzida pela indústria chinesa. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;Clóvis Da Rolt, Bento Gonçalves-RS, 29/12/10&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7268261900079665398?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7268261900079665398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7268261900079665398&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7268261900079665398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7268261900079665398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/12/van-gogh-e-o-dilema-do-quarto_29.html' title='Van Gogh e o dilema do quarto'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TRtcgHioqzI/AAAAAAAAA1o/4KuV1b3EY7U/s72-c/VanGogh-Quarto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2970752620379697613</id><published>2010-12-26T19:53:00.002-02:00</published><updated>2010-12-26T20:05:42.528-02:00</updated><title type='text'>Preciso voltar</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TRe6GpNKCaI/AAAAAAAAA04/9wpCdxp751A/s1600/Granada%2B1163.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5555113288687815074" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TRe6GpNKCaI/AAAAAAAAA04/9wpCdxp751A/s320/Granada%2B1163.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Andy Warhol - Detalhe de obra de Miguel Scheroff&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Faz algum tempo que o blog Escafandro não dá sinais de vida. Não sei qual o intervalo exato entre uma publicação e outra para que um blog seja considerado ativo, embora alguém – para o deleite dos que se nutrem de banalidades – certamente deve saber de um site que faz esse cálculo. Fora essa questão irrelevante, retomar a atividade de publicações semanais, nos moldes como acontecia enquanto eu atuava como colunista fixo do Jornal Gazeta, está fora dos meus planos para 2011. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A idéia é não estabelecer uma regularidade, mas deixar os textos surgirem de acordo com sua própria maturação. Não ter a “obrigação” de entregar um texto semanal ao editor do jornal pode ser o maior desafio a encarar a partir de agora. Assim, contrariando uma das principais virtudes assinaladas pela ética cocanhesa, o trabalho nunca foi motivo de orgulho para mim. Isso quer dizer que não serei mais um obreiro das idéias, seduzido por um pouco de vaidade e pela parca visibilidade em uma cidade que o mapa quer engolir. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A partir de agora, as idéias serão como sensuais odaliscas presas no meu harém, ou como &lt;em&gt;go go boys&lt;/em&gt; inflados de hedonismo e satisfeitos com algumas cédulas presas na cueca. Marginal, virado ao avesso, sem eira nem beira, bicombustível, meio &lt;em&gt;cool &lt;/em&gt;meio sulfúrico, desbotado, um lúcido errante, é assim que quero voltar, vivendo tudo e nada, sendo aquele que fala e repele o que foi dito somente pelo prazer de ser suspenso e volátil.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sob muitos aspectos, a necessidade e a obrigação são fatores que fizeram com que o blog mantivesse certa regularidade nas postagens. Agora, sem a necessidade e sem a obrigação, não sei que rumo as coisas tomarão. Talvez a displicência seja o que eu estava buscando para este momento de retomada, de modo a deixar para traz velhos temas, interesses passados ou conjunturas que a mim pareciam importantes e dignas de serem partilhadas com os leitores. Com mais liberdade para manejar o tempo, é provável que os textos surjam modificados no seu teor, na sua forma, na sua pertinência ou, quem sabe, em tudo isso junto. Há também a probabilidade de que nada mais surja. Posso ter chegado ao limite do microscópio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;A experiência como colunista do Jornal Gazeta foi, ao mesmo tempo, um presente e um castigo, um privilégio e um fardo. Não poderia ser diferente. A vida é contraditória na sua essência e, por isso mesmo, o ganho que vem de um lado pode ser facilmente anulado pela perda que está do outro. Para ser sincero, não sei se os ganhos foram maiores que as perdas ou vice-versa. Este balanço ficará sem ser feito, viverá em mim como suposição, como eu gosto que as coisas sejam, sem as obsessões humanas que parecem sempre nos forçar à escolha de um lado. Eu sou multifacetado, fico em pé em qualquer lado, direção ou sentido. O fato é que ainda vivo, ainda escrevo, ainda penso, ainda falo, ainda ouço. E isso que eu “ainda” faço pode ser a garantia de que a tecla “delete” ficará intacta e o blog não ganhará uma lápide virtual. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;De qualquer modo, preciso voltar, mas não sei ao certo como fazer. Parece-me que as palavras pediram demissão, saturadas dessa cabeça que as tratava a pão e água, apenas. E se tento esboçar algumas idéias; se sinto as palavras querendo reaver seu posto; se surpreendo a mim mesmo, estanque, pensando em algo para escrever, logo penso que posso estar acrescentando mais inutilidades a este mundo já tão sobrecarregado de entulhos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;2010 não poderia terminar sem que o blog fizesse alguma borbulha na superfície. Há coisas vivas na epiderme. Importa mais a casca de tinta que sai da parede do que a nova cor que a cobre. Sem voar é impossível experimentar o medo. O cilindro de oxigênio não é só meu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2970752620379697613?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2970752620379697613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2970752620379697613&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2970752620379697613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2970752620379697613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/12/preciso-voltar.html' title='Preciso voltar'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TRe6GpNKCaI/AAAAAAAAA04/9wpCdxp751A/s72-c/Granada%2B1163.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-5902489895389792225</id><published>2010-08-26T11:59:00.001-03:00</published><updated>2010-08-26T12:00:55.262-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;strong&gt;EM BREVE VOLTAREI A MERGULHAR...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-5902489895389792225?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/5902489895389792225/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=5902489895389792225&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5902489895389792225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5902489895389792225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/08/em-breve-voltarei-mergulhar.html' title=''/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-8188005242039059314</id><published>2010-07-16T18:49:00.001-03:00</published><updated>2010-07-16T18:53:15.226-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TEDUnKIXklI/AAAAAAAAA0E/fmBSXvkno-U/s1600/Unisinos.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5494625314591445586" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TEDUnKIXklI/AAAAAAAAA0E/fmBSXvkno-U/s400/Unisinos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;JU Online - Unisinos&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;Link: &lt;a href="http://www.juonline.com.br/index.php/mestrado-e-doutorado/16.07.2010/pos-graduacao-internacional/2393"&gt;http://www.juonline.com.br/index.php/mestrado-e-doutorado/16.07.2010/pos-graduacao-internacional/2393&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-8188005242039059314?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/8188005242039059314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=8188005242039059314&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8188005242039059314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8188005242039059314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/07/ju-online-unisinos-link-httpwww.html' title=''/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TEDUnKIXklI/AAAAAAAAA0E/fmBSXvkno-U/s72-c/Unisinos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-5111443944805987450</id><published>2010-07-09T21:01:00.005-03:00</published><updated>2010-07-10T00:31:24.078-03:00</updated><title type='text'>Alucinações</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TDe45iN4jdI/AAAAAAAAAz0/awltg5dVJfE/s1600/woody_allen__1218229285_1191.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5492061569178701266" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TDe45iN4jdI/AAAAAAAAAz0/awltg5dVJfE/s320/woody_allen__1218229285_1191.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;O cineasta Woody Allen&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na edição de hoje do Jornal Gazeta, de Bento Gonçalves, o professor de Literatura Douglas Ceccagno aborda o tema das transformações ocasionadas pela recepção do cinema a partir das tecnologias 3D. Com a perspicácia e a sutileza comuns à sua forma de abordar diversos temas, Douglas (não vou tratá-lo pelo sobrenome porque ele é meu amigo e isso seria pedante demais) levanta uma discussão sobre os limites estéticos da produção do cinema na contemporaneidade, considerando as profundas transformações causadas pelas intervenções tecnológicas neste segmento de consumo cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, a problemática levantada pelo autor do artigo não é, de forma alguma, um fenômeno isolado, mas uma expressão (dentro do universo da linguagem cinematográfica) do alcance e das modificações ocasionadas pela tecnologia no âmbito da produção artística atual. Um eco em relação ao artigo de Douglas poderia ser levantado no tocante às artes visuais, à música e às demais formas de produção artística que vêm delineando o perfil de novas sensibilidades e perspectivas estéticas radicalmente conflitantes em relação a um passado não tão distante, do qual sequer nos despedimos por completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O artigo de Douglas, apesar da sua qualidade argumentativa, deixa transparecer uma subjacente nostalgia ufanista que almeja retroceder a um tempo em que a “verdadeira” retribuição estética deveria estar, obrigatoriamente, alojada na separação entre o real e o ficcional, como se estas duas instâncias pudessem ser contrapostas através da radicalidade dos contrastes que a arte tão habilmente nos propõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Douglas teme que a sua experiência de aficionado por cinema seja reduzida em seu teor distintivo (o que ocorre com pessoas cultivadas e que fazem do cinema uma experiência não apenas estética, mas também crítica), alcançando o patamar da massificação, o que poderia desestabilizar a “sua realidade”, aquela “realidade” que ele quer ver combatida, anulada, ultrajada ou confirmada sempre que assiste a uma obra cinematográfica genuinamente artística. Se o cinema 3D tomar conta da indústria cinematográfica (e do verdadeiro cinema), como o Douglas avaliará sua existência sem o auxílio desta ferramenta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos nós queremos nos diferenciar. Se não o fazemos conscientemente, o próprio sistema social se encarrega de fazê-lo. Está aí o Douglas criticando uma prática de consumo cultural que não lhe convém, mas que é essencial para uma grande parcela da sociedade refém da própria inconsciência em relação àquilo que consome. E não adianta dizer-lhes que essa experiência “quase real” do cinema 3D é somente uma &lt;em&gt;bricolage&lt;/em&gt; de efeitos ópticos e sensoriais que serve à alienação e não faz pensar criticamente. O “sistema” não é uma coisa grandiosa, inacessível. Tanto o Douglas quanto eu, através de nossos artigos, o estamos construindo mediante a criação de fronteiras que definem onde termina o nosso quintal e onde começa o quintal do vizinho. A vida é combate. O sistema é cada uma de nossas escolhas colocadas no palco para o delírio de uma platéia vasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concordo com o Douglas em quase todos os seus apontamentos relativos ao artigo em questão. Entretanto, o ataque à tecnologia precisa ser muito bem avaliado, pois, não fosse a tecnologia, nem mesmo o daguerreótipo teria sido inventado e, sem ele, os irmãos Lumière poderiam ter ganho a vida como mascates anônimos. Mas é preciso ressaltar que Douglas deixa perfeitamente delimitado o foco da sua discussão: o uso da tecnologia 3D para a criação de &lt;em&gt;blockbusters&lt;/em&gt;. Nesse sentido, sua citação a Woody Allen é providencial, afinal, sem explosões, sem corpos esquartejados e sem o choque de meteoros com o planeta Terra, o cinema 3D revela sua pouca relevância como recurso para construir uma narrativa inteligente. E, sim, concordo que o cinema não pode abrir mão da inteligência. Mas isso, embora seja muito vago de afirmar, não parece ser uma questão somente ligada ao desenvolvimento tecnológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma edição do Jornal Gazeta, divulgou-se uma nota sobre um novo projeto que está sendo coordenado pela Casa das Artes. Trata-se do “Cine Mais Cultura”, cuja proposta é levar cinema, através de projeções por meio de kits digitais, a oito pontos de exibição distribuídos pela cidade (áreas rurais e comunidades carentes). Eis aí um bom mote para se pensar a respeito de questões relativas aos usos sociais do cinema neste nosso mundo onde proliferam projetos culturais notadamente marcados por objetivos assistencialistas e que, perfunctoriamente, apregoam o uso da arte para a correção moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, ao ler um Edital do Ministério da Cultura – voltado para o patrocínio das artes visuais – um dos itens do Edital determinava que a produção da obra de arte deveria “promover a inclusão de comunidades carentes” (a velha obsessão petista pela “correção” do mundo que os outros corromperam/corrompem). Então, perguntei a mim mesmo: estão querendo patrocinar arte ou políticas sociais? Enquanto, de um lado, o Douglas revela sua preocupação em relação ao binômio real/ficcional (uma preocupação douta e erudita, típica das elites letradas), do outro lado, uma instituição política planeja o uso do cinema como dispositivo de promoção humana (uma preocupação pragmática e politicamente orientada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é verdade que precisamos de atividades culturais e de incentivo às artes e aos artistas, também é verdade que tais ações devem ser fruto de uma compreensão ampla sobre o lugar da arte na vida cultural da sociedade. Sei que isso é uma quimera e está longe de acontecer. Com isso, quero dizer que não compactuo com o discurso que prega que a arte “corrige” as pessoas, prepara-as para serem cidadãs mais atuantes na esfera pública ou possibilita que elas saiam da marginalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte não está acima do bem e do mal, não é uma dádiva constituída à margem da história dos homens e de suas problemáticas estruturas sociais. É por isso que acho ideologicamente corrupto o uso da arte como um veículo atenuante para as desigualdades ou como um bálsamo - do qual as “comunidades carentes” podem usufruir para esquecer que são carentes e que são olhadas como minorias destituídas de cultura. O pior, contudo, é quando este tipo de predicado adquire o poder de fazê-las perceber que são agraciadas com a benevolência política que lhes permite consumir os mesmos produtos culturais que as camadas privilegiadas consomem. Isso sim, trazido para o centro do debate – e para citar o que disse o Douglas em seu artigo – pode ser fonte de alucinações. Nem real, nem ficção, mas algo que está nascendo e ainda não se deixa definir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clóvis Da Rolt&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-5111443944805987450?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/5111443944805987450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=5111443944805987450&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5111443944805987450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5111443944805987450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/07/alucinacoes.html' title='Alucinações'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TDe45iN4jdI/AAAAAAAAAz0/awltg5dVJfE/s72-c/woody_allen__1218229285_1191.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-3083868859166776711</id><published>2010-07-02T15:56:00.003-03:00</published><updated>2010-07-02T16:14:22.791-03:00</updated><title type='text'>O canto da sereia</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TC43Dqp6O8I/AAAAAAAAAzk/OL41kAP6rbY/s1600/Cadeira+-+Van+Gogh.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 246px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489385531940420546" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TC43Dqp6O8I/AAAAAAAAAzk/OL41kAP6rbY/s320/Cadeira+-+Van+Gogh.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Cadeira - Pintura de Vincent Van Gogh&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Futebol não é minha praia. Nas ondas deste oceano, sou uma concha cuspida pela ressaca. Mesmo assim, não sou imune ao futebol e parece-me que não há como o ser. O transe coletivo do grande evento futebolístico que é a Copa do Mundo parece ter uma força sobrenatural sobre as muitas pessoas que põem suas vidas entre parênteses durante o período em que transcorre o evento. As justificativas para isso são muitas: o amor à pátria, a manifestação dos ideais nacionais, a exaltação dos brios iconoclastas sobre a ordem consensual do cotidiano (as pessoas deixam de trabalhar, tiram as fantasias do baú carnavalesco, pintam o rosto para marcar um território simbólico) e tantas outras situações que definem o lugar do futebol no mundo contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob muitos aspectos, o futebol, juntamente com a religião e o consumo de frivolidades televisivas, está inscrito na categoria da produção cultural alienante (que o digam os marxistas, sempre hábeis em definir como “alienado” qualquer sujeito que se desvia do projeto histórico da revolução proletária), a qual parece embaçar o “verdadeiro” destino histórico da espécie humana que precisa ser tornado visível para além das manifestações imediatas do cotidiano, local onde a vida é, aristotelicamente falando, ato e potência simultaneamente. No cotidiano a vida tem sua dimensão palpável, o resto é metafísica, espaço das abstrações isoladas que almejam definir o mundo como quem o olha “do lado de fora”, como quem não participa da sua construção como presença nas relações vivas e nos atos de escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A parcela do futebol que mais me interessa é aquela que remete diretamente às suas contradições e desvios. O jogo, em si, não me causa qualquer tipo de atração, tampouco desperta em mim os sentimentos de “pertencimento” a uma nação. Acho enfadonho e previsível o que se diz sobre o futebol. Entre o Galvão e o Neto, não sei qual resmunga mais. Também acho extremamente pedantes as pessoas que tomam para si a autoridade do discurso, como se “futebol” fosse assunto que somente alguns poucos iniciados podem discutir, o que vale também para todos os demais campos de discurso da sociedade (às vezes tenho a impressão de que só a Marina Silva pode falar sobre o meio-ambiente, só o Lula pode falar sobre o pré-sal e só o Papa pode autenticar o que se diz sobre o catolicismo). E isso, é claro, não é culpa deles, mas da obsessão cientificista que legamos da modernidade e que nos faz acreditar em tudo que é especializado, estatisticamente demonstrado ou numericamente representado. Dou gargalhadas quando vejo, no intervalo de alguma partida transmitida pela televisão, os esquemas táticos demonstrados em gráficos e os percentuais de desempenho dos times. Até parece que estão disseminando uma ciência exata sobre alguma coisa que é lúdica, relativista e tomada pela dimensão do acaso e das circunstâncias. O time que tem mais posse de bola, mais chutes a gol, mais escanteios cobrados e mais craques nem sempre é o que sai vitorioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Igualmente interessante (digo interessante para não dizer hilário) no futebol é o choque entre civilidade e animalidade. Tomando o exemplo da Copa do Mundo, antes de iniciarem as partidas há um verdadeiro ritual de civilidade e ordem captado pelas câmeras de televisão. Bandeiras entram enfileiradas, jogadores surgem acompanhados de inocentes crianças, assume-se o &lt;em&gt;Fair Play&lt;/em&gt; como premissa do jogo e entoam-se os hinos nacionais. Até mesmo campanhas do tipo “Say no to racism” são estimuladas por meio de faixas que parecem sinalizar o fim do problema em âmbito mundial. Tudo grandiloqüente, cênico e performático conforme as exigências do ser humano, este ser que não suporta a contenção e que vive como uma represa sempre prestes a romper-se. Mas tão logo o jogo inicia, a civilidade dá lugar à animalidade dos palavrões (dane-se o racismo!), à brutalidade das jogadas desleais, às cuspidas supersônicas que cruzam o campo de um extremo a outro, aos gestos obscenos que superlotam o cu alheio e às vaporizadas de Gelol que fazem lembrar que &lt;em&gt;Fair Play&lt;/em&gt; é só uma expressão bonita para um significado vazio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A popularidade do futebol se deve, em grande parte, ao crescimento dos dispositivos de mídia que fizeram com que ele fosse distribuído nos lares do mundo todo sob a tutela da indústria cultural de massa, bem como do poderoso campo publicitário que alimenta os afetos e os instintos combativos que nos constituem como espécie humana. Os comerciais televisivos, durante os jogos da Copa, vestem os jogadores como guerreiros romanos na tentativa de fabricarem a imagem de que cada jogador da seleção está comprometido com a vida individual de cada torcedor, como se levassem na armadura a glória dos Césares imperiais aclamados por seus súditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Futebol, repito, não é minha praia. A sereia desse mar não canta no meu ouvido. Contudo, acho estimulante ver como este esporte motiva algumas formas de sociabilidade, fundamentalismo, violência, agressões e paixões, tudo o que precisamos para prosseguirmos alimentando a nossa “dignidade” humana, tão excêntrica, tão vaporosa e, por vezes, tão vergonhosa.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-3083868859166776711?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/3083868859166776711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=3083868859166776711&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3083868859166776711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3083868859166776711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/07/cadeira-pintura-de-vincent-van-gogh.html' title='O canto da sereia'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TC43Dqp6O8I/AAAAAAAAAzk/OL41kAP6rbY/s72-c/Cadeira+-+Van+Gogh.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-1831854027004706438</id><published>2010-05-31T23:45:00.004-03:00</published><updated>2010-05-31T23:52:09.230-03:00</updated><title type='text'>Era da informação?</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TAR0SvKdWtI/AAAAAAAAAzc/aYb5Onxq0LQ/s1600/IBER%C3%8A.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 257px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477630912036166354" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TAR0SvKdWtI/AAAAAAAAAzc/aYb5Onxq0LQ/s320/IBER%C3%8A.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Tudo te é falso e inútil - Iberê Camargo&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Numa rápida passagem pelos principais portais da internet é possível perceber o quanto somos afetados pela profusão da informação de que dispomos na atualidade. Em questão de minutos, com alguns cliques vacilantes no &lt;em&gt;mouse&lt;/em&gt;, fico sabendo que pesquisadores da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram inscrições secretas nas pinturas que Michelangelo realizou na Capela Sistina, no século 16; que em seu novo livro “Do Sputnik à Lua: a história secreta do programa espacial soviético”, Pierre Baland retrata episódios e curiosidades que antecederam e sucederam a proeza histórica da antiga União Soviética; que uma criança indonésia de dois anos de idade está sendo submetida a um tratamento médico para largar o cigarro, hábito que adquiriu por estímulo do próprio pai; que uma empresa de consultoria divulgou uma lista com as melhores cidades do mundo para se viver; que a simples exposição à bactéria &lt;em&gt;Mycobacterium vaccae&lt;/em&gt;, encontrada no solo, pode aumentar a capacidade de aprendizado e a expansão da inteligência, segundo explica um estudo recente divulgado na Revista Science Daily.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dispersivo como costumo ser, mal concluo minha aventura exploratória nas marés do espaço virtual e já estou atento à outra atividade, lendo, escrevendo, preparando uma síntese da obra de algum autor ou esboçando as linhas gerais do artigo semanal que publico neste espaço. Aquilo que eu buscara há poucos instantes na internet começa a evanescer-se feito fumaça, sem deixar pistas, como se minha exploração não tivesse alcançado o êxito pretendido. Imediatamente, penso no tipo de experiência peculiar que a internet proporciona. É possível, a partir dela, construir um conhecimento genuíno? Como criar hierarquias ou operações seletivas a partir da informação obtida na rede mundial de computadores? Hierarquias ainda são necessárias? A informação está num nível inferior em relação ao conhecimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o filósofo Gianni Vattimo, as tecnologias e as mídias estão construindo uma nova percepção da “realidade” por meio do entrecruzamento das múltiplas imagens, interpretações e reconstruções de sentidos que competem entre si e nos contaminam sem qualquer coordenação central. É bom lembrar que esta coordenação foi operada, durante muito tempo, pela ciência, pela religião e pela autoridade das instituições estatais. A hiper-exposição à informação disponibilizada na internet é um dos fenômenos mais desafiadores do nosso tempo. Nunca antes tivemos tanta possibilidade de acessar arquivos mundiais a partir de uma única unidade provedora, mediante recursos relativamente pouco onerosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, contudo, sérias contradições sobre o papel social da internet na circulação da informação no mundo atual. Por um lado, os conservadores burocratas dizem que a nova estrutura de produção e consumo da informação da qual a internet faz parte é nociva e, por conta dela, perderemos a autoria/autoridade da produção do conhecimento, fato que nos levará à extinção da tutela social em relação a quem detém os poderes de legitimar o que se entende por “conhecimento válido”. Por outro lado, os liberais voláteis alegam que, no âmbito da pós-modernidade, estamos inevitavelmente condicionados a um “vale tudo” contra o qual não há como lutar, pois ele está diretamente ligado à descentralização dos valores tradicionais e decadentes que não nos servem mais. Talvez, dessa querela, resulte a hipótese de estarmos presenciando a consolidação de uma “era da informação” que subjugará a presumível “era do conhecimento.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Karl Mannheim argumenta que os indivíduos não constroem uma visão do mundo exclusivamente a partir das suas próprias experiências, mas mediante processos cooperativos da vida em grupo. Do modo como absorvo a leitura de Mannheim, penso que não podemos negligenciar o impacto da internet frente à vida social atual, tendo em vista que este impacto vem exigindo a revisão de todo o terreno sobre o qual estão pautados os desenvolvimentos da educação, da ética e da manutenção das relações de solidariedade. Informação e conhecimento estão, atualmente, em rota de colisão. Dito de outro modo, pode estar próximo o choque entre um corpúsculo nanotecnológico e um osso de dinossauro fossilizado. Certamente, este confronto de mentalidades e estruturas intelectuais opostas exigirá de todos nós grandes capacidades de adaptação e de reinvenção do nosso lugar no mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 01/06/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-1831854027004706438?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/1831854027004706438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=1831854027004706438&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1831854027004706438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1831854027004706438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/05/era-da-informacao.html' title='Era da informação?'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/TAR0SvKdWtI/AAAAAAAAAzc/aYb5Onxq0LQ/s72-c/IBER%C3%8A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-6607715298275890816</id><published>2010-05-24T17:46:00.004-03:00</published><updated>2010-05-24T17:53:50.856-03:00</updated><title type='text'>Ver por dentro</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S_rmIN2dBcI/AAAAAAAAAzU/kioFcdrS2qs/s1600/stelarc_exoskeleton.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5474941325853656514" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S_rmIN2dBcI/AAAAAAAAAzU/kioFcdrS2qs/s320/stelarc_exoskeleton.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Obra de Stelarc&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A despeito dos seus muitos aspectos positivos, o mundo contemporâneo pode ser cruel em relação a uma das suas facetas mais características, a do valor excessivo que damos à aparência. A dimensão externa, o lado de fora, a superfície, a casca, o reboco e a pele tornaram-se evidências de um modo de vida que nos convoca a olhar para o revestimento das coisas e não para ao seu interior. Há um mundo despencando à nossa volta, mas fingimos não ver suas tubulações hidráulicas e fiações elétricas, pois o conformismo da superfície mostra-se mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos uma necessidade ancestral de ver por dentro, a partir de dentro. O filósofo Hans Carossa diz que “o homem é a única criatura da terra que tem vontade de olhar para o interior de outra.” Sem dúvida, trata-se de uma vontade de deslocar-se e de relativizar experiências tendo como eixos os universos íntimos nos quais repousa tudo aquilo que não pode ser disfarçado. Mas esta vontade – a de olhar para dentro, do outro e de si – parece ter sido bloqueada em nosso mundo embalado a vácuo, onde os produtos que encontramos nas prateleiras dos supermercados, embora sejam iguais em seu conteúdo, tentam forjar distinções por meio de rótulos multicoloridos e jogos visuais. A vida na sociedade contemporânea produz a falsa intimidade do olhar externo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ver por fora é mais fácil e exige menos esforço. Instalar-se na superfície é o modo mais cômodo de viver: ali estão todos os estereótipos adotados sem qualquer esforço seletivo. Só há cercas na superfície. Vista de dentro, a terra não tem fronteiras. Guarda-roupas, cofres, envelopes, porta-jóias, armários, gavetas e casas devem ser invadidos para que a intimidade que lhes é própria possa ser descoberta. Com as pessoas, o princípio é o mesmo; porém, acostumamo-nos de forma tão passiva a ver apenas a sua exterioridade, que desistimos de tentar perfurá-las em busca de outras interpretações possíveis sobre a realidade que elas também ajudam a construir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A aparência pode conferir uma sensação de segurança em relação a um mundo estático, onde os conflitos não existem e onde tudo pode ser linearmente assimilado. A figura emblemática do travesti nos ajuda a compreender que o interior é um conflito permanente, feito de muitas dissociações. O travesti simula externamente o que ele vive como uma verdade interna; seu esforço consiste em convencer pela imagem, pela aparência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A intimidade é um esconderijo, um lugar onde a iluminação precisa ser conquistada. Talvez isso justifique a célebre afirmação de Bachelard, para quem “todo o conhecimento da intimidade das coisas é imediatamente um poema.” Michelangelo, ao contemplar uma escultura finalizada, dizia que apenas havia libertado a figura que estava aprisionada dentro do bloco de mármore. Que bela imagem! Só um espírito grandioso como o de Michelangelo seria capaz de compreender a poesia interna da pedra antes mesmo de dar-lhe uma forma artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é um drama de símbolos, diz Bachelard. Um “drama” porque envolto pelas incertezas da liberdade da escolha, por desejos e frustrações; “de símbolos” porque invadido pela riqueza de imagens e sentidos difusos acumulados desde eras remotas. No contexto cultural em que vivemos, condicionamos as pessoas à visibilidade aparente com que nos mostramos – expressão de um drama profundo. É mais fácil colocar um papel de parede naquele ambiente do qual o mofo e as rachaduras tomaram conta; é consolador polir o carro velho para dar-lhe uma aparência renovada; com uma calça de grife é possível simular o nivelamento social a um grupo ao qual não pertencemos. Tais ações podem ser encaradas como tentativas de evitar o mergulho na profundidade e de trapacear o exercício de escuta das confissões internas. E o interior tem voz própria, é preciso ouvi-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez todos nós sejamos travestis que vivem o conflito diário de desviar a atenção do espaço interno para o espaço externo. As motivações para isso são muitas: medo, receio, preservação, exigências do convívio humano ou apego às normas sociais. De qualquer maneira, a crueldade da aparência, como vem sendo vivida e disseminada na sociedade contemporânea, exige um exame apurado capaz de amenizar seus efeitos. Quem vê por dentro aprende também a deixar-se ver com mais verdade e intensidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 25/05/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-6607715298275890816?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/6607715298275890816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=6607715298275890816&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6607715298275890816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6607715298275890816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/05/ver-por-dentro.html' title='Ver por dentro'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S_rmIN2dBcI/AAAAAAAAAzU/kioFcdrS2qs/s72-c/stelarc_exoskeleton.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-6661044847200432887</id><published>2010-05-17T18:04:00.004-03:00</published><updated>2010-05-17T18:12:09.562-03:00</updated><title type='text'>Gabinetes de curiosidades</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S_GvcPFWOoI/AAAAAAAAAzM/gR8riNK8MEc/s1600/blog.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 234px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5472347921852021378" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S_GvcPFWOoI/AAAAAAAAAzM/gR8riNK8MEc/s320/blog.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Pequena câmara de curiosidades.  Anônimo do final do século 18, Florença, Itália&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O deputado federal Cândido Vacarezza é um sujeito de cara redonda que usa os óculos estrategicamente posicionados na ponta do nariz rotundo. O parlamentar ressente-se de inveja de Jesus Luz e Lady Gaga, figurinhas fáceis neste mundo pós-ultra-hipermoderno que permite ascensões meteóricas através de um casamento ou das extravagâncias de um visual bricolado com elementos de Grace Jones e David Bowie. Se fosse colocado numa jaula, como atração de um gabinete de curiosidades de um circo popular, Vacarezza poderia sofrer uma mutação em frente à platéia e transformar-se no Renan Calheiros: ninguém saberia detectar qualquer diferença entre ambos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Amuado em meio aos seus congêneres – alguns deles figuras paradigmáticas da política nacional –, Vacarezza decidiu botar o tico e o teco para funcionar. Se seu intento era conseguir visibilidade imediata e o nome estampado no YouTube, ele conseguiu. Só não exclamou “Eureka” porque sua idéia não foi original; o contrário, evidentemente, seria pouco provável tratando-se de qualquer iniciativa surgida no picadeiro do Congresso Nacional, onde mulheres barbadas, engolidores de faca e homens-elefante escamoteiam suas imagens nos espelhos da indecência política nacional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Líder do governo na Câmara, Vacarezza propôs a antecipação do chamado “recesso branco” em um mês, de modo que os deputados federais possam acompanhar os jogos da Copa do Mundo de futebol. A proposta prevê uma folga aos deputados que se estenderia do dia 10 de junho (um dia antes do início da Copa) ao dia 03 de outubro, ou seja, quase quatro meses em que os deputados funcionariam no modo stand by, feito uma televisão, meio ligada, meio desligada. O assunto está sendo discutido, pois em Brasília tudo precisa decantar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sugestivamente, o chamado “recesso branco” é caracterizado por uma quebra na rotina, o que faz os parlamentares atuarem mediante a premissa do “esforço concentrado”. Na prática, os deputados só apareceriam para votar alguma pauta de urgência, mediante convocação. Esforço concentrado? Dito deste modo, fica parecendo que eles estão prestando um favor à nação e que o fazem gratuitamente, por amor à causa. De qualquer modo, a tática é compreensível e precisamos ser solidários: quem ousaria trocar um drible do Kaká por uma sessão plenária para discutir políticas de saúde ou educação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;O próprio Vacarezza admite: “a partir do dia 10 de junho, ninguém vai fazer com que os deputados venham aqui votar”, ou seja, ao que tudo indica, com ou sem a aprovação da antecipação do recesso, os cofres públicos custearão os quatro meses de vagabundagem dos deputados. O recesso já é uma realidade, querem ampliá-la. Isso chega a ser ultrajante se comparado ao que acontece com qualquer trabalhador de chão-de-fábrica que perde o direito à cesta básica alimentar se precisar faltar um dia de trabalho, mesmo se o motivo da falta for honesto e necessário. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;São idéias inescrupulosas vindas de figuras como o petista Cândido Vacarezza que alimentam a desconfiança em relação às campanhas do tipo “Voto Consciente”, como a que recentemente vimos afundar em Bento Gonçalves. Esta campanha estava fadada ao fracasso, e meu argumento gira em torno da auto-percepção política dos candidatos. Eles sabem que a consciência deve vir primeiramente deles. Mesmo assim, insistem em transferir as responsabilidades para o eleitor porque assim fica mais fácil eleger o bode expiatório.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Está na hora da anestesia geral e do bloqueio das transmissões da inteligência. Durante a Copa do Mundo, qualquer assunto passa a ter estatura menor. Temos futebol, a obra magna da nossa cultura. Temos a desculpa perfeita para a pilantragem política lançar seus tentáculos sem sofrer sanções, já que o argumento afetivo em torno da paixão nacional por este esporte pode até mesmo legitimar a vadiagem dos nossos políticos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Sei que é difícil manifestar-se sobre alguns temas sem parecer moralista. E isso não é o que pretendo aqui. A vagabundagem tem seu grau de pertinência e pode ser muito criativa para quem souber aproveitá-la. Mas esse, definitivamente, não é o caso dos deputados que estão arquitetando mais um golpe para benefício próprio. No interior dos seus gabinetes (onde cobras de duas cabeças são conservadas em frascos de formol) eles devem pensar: “Trouxa é quem bate o cartão-ponto enquanto o Robinho pedala.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 18/05/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-6661044847200432887?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/6661044847200432887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=6661044847200432887&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6661044847200432887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6661044847200432887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/05/gabinetes-de-curiosidades.html' title='Gabinetes de curiosidades'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S_GvcPFWOoI/AAAAAAAAAzM/gR8riNK8MEc/s72-c/blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-5923555676545403757</id><published>2010-05-11T00:47:00.003-03:00</published><updated>2010-05-11T00:52:02.454-03:00</updated><title type='text'>Leitura enlatada</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S-jTVJAlmlI/AAAAAAAAAzE/ObBr5q-W7rA/s1600/leon_ferrari3.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 226px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5469854107590564434" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S-jTVJAlmlI/AAAAAAAAAzE/ObBr5q-W7rA/s320/leon_ferrari3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Jaula de santos - León Ferrari &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Somos um país que lê pouco. Embora isso seja comprovado por estatísticas governamentais e especialistas da área das Letras, não é a falta de livros ou de bibliotecas que nos condiciona a um quadro de precariedade neste quesito. As opções de leitura hoje são muitas. Não faltam bibliotecas públicas, associações de bairro, bibliotecas escolares e universitárias, feiras e bibliotecas itinerantes (muitas vezes funcionando em ônibus adaptados) oferecendo livros a quem tiver disposição para lê-los.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;São muitos os “sebos” onde podem ser encontrados livros excelentes (em conteúdo e em estado de conservação) por menos de cinco reais. Na internet, livros legalizados podem ser “baixados” na íntegra e até mesmo impressos no verso daquela pilha de folhas usadas que aniversaria no interior do balcão. Há também jornais gratuitos sendo distribuídos em farmácias e lojas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os índices de leitura dizem que lemos pouco, porém não alcançam a outra faceta deste dado: a da qualidade da leitura. Não apenas lemos pouco como também lemos mal. Isentas de uma compreensão mais ampla em relação a este tópico, muitas pessoas – inclusive profissionais com anos de estrada no meio literário – rendem-se à justificativa precipitada da “falta de acesso” ao livro e às instituições que o disponibilizam. Todavia, penso que o problema não pode ser reduzido a apenas um aspecto. Falta de acesso pode ser apenas uma desculpa para esta nossa era de preguiça generalizada, em que os cérebros funcionam no sistema de &lt;em&gt;bluetooth&lt;/em&gt; porque julgam mais simples captar o que já foi mastigado pelos outros. Se o suposto problema do acesso fosse plenamente resolvido, teríamos nas mãos um problema ainda maior, o do excesso de oferta. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não estamos preparados para exercer a habilidade classificatória e seletiva que a boa leitura exige. As causas do despreparo podem ser muitas. Quando uma criança nasce, seu primeiro presente é uma camiseta de um time de futebol. As festinhas de aniversário que transcorrem até os cinco anos de idade incluem todo o tipo de bugiganga no rol dos presentes. Aos dez anos é a vez do vídeo game. A televisão no quarto ou a viagem à Disney vêm como prêmio pela conclusão do ensino médio. Ao término da faculdade não se espera outra coisa que não seja um carro “zerinho” como recompensa pela conquista. O livro passa distante de todos estes momentos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Não estou afirmando que as situações acima, das quais é possível extrair imagens estereotipadas, têm validade social irrestrita. Eu apenas as tomo para dizer que as crianças e jovens crescem cercados por certos valores com os quais os livros têm que competir. Soma-se a isso o pouco incentivo familiar para que as crianças sejam iniciadas no universo da leitura, além do péssimo exemplo que vem dos nossos professores, cuja maioria desconhece o que é leitura de qualidade. Ao lado deles – e submetidos às suas práticas pedagógicas – passamos em média onze anos de nossas vidas (considerando apenas a Educação Básica), tempo suficiente para a formação do gosto literário. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Neste momento em que estamos vivendo a 25ª Feira do Livro, penso que deve ser aberto um espaço para que a conscientização em torno das funções estéticas e sociais da leitura e da literatura seja, de fato, uma realidade. As Feiras do Livro não estão isentas de uma crítica sobre o modo como apresentam o livro ao conferir-lhe o estatuto de veículo do conhecimento e de ferramenta de dinamismo cultural. Visões romantizadas criarão a ilusão de que o livro é a única forma de mudar o mundo para melhor, quando sabemos que isso não é verdade. Posturas marqueteiras e propagandísticas farão das Feiras eventos políticos que sufocam sua contribuição artístico-cultural. Concepções revolucionárias podem fazer com que o livro seja visto como ameaça aos valores dominantes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Embora o discurso deslumbrado e pedante acerca do valor cultural do livro seja muito comum nas Feiras (muitas vezes alimentado por uma inocente visão libertária), tento evitá-lo ao máximo, mesmo que isso não seja fácil. Um objeto de paixão é sempre perigoso e traiçoeiro: ao menor descuido, já caímos em sua armadilha. Nesta nossa época em que a comida enlatada faz da leitura enlatada sua correlata, é preciso estar atento ao que se consome. Não apenas precisamos dos livros. Antes, precisamos de bons leitores. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 11/05/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-5923555676545403757?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/5923555676545403757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=5923555676545403757&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5923555676545403757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5923555676545403757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/05/leitura-enlatada.html' title='Leitura enlatada'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S-jTVJAlmlI/AAAAAAAAAzE/ObBr5q-W7rA/s72-c/leon_ferrari3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2386996427033699222</id><published>2010-05-03T19:55:00.002-03:00</published><updated>2010-05-03T20:34:52.539-03:00</updated><title type='text'>Meu escudo no coração</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S99c9ho-dhI/AAAAAAAAAy8/6Gk7fUeRx8A/s1600/YvesKlein20.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 257px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467190684723082770" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S99c9ho-dhI/AAAAAAAAAy8/6Gk7fUeRx8A/s320/YvesKlein20.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Antropometria - Pintura-performance de Yves Klein&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Chego em casa, abro a porta e recolho do chão uma correspondência a mim endereçada. Trata-se de uma proposta “imperdível” para assinar uma revista de circulação nacional. Num dos lados da mala-direta, há a imagem de uma camiseta amarela que traz consigo um escudo do lado direito, do qual faz parte a bandeira do Brasil. No outro lado, meu nome aparece impresso juntamente com uma frase que diz: “ainda é tempo de aproveitar: assine VEJA pela metade do preço e ganhe a camisa para torcer pela seleção.” Dissimuladamente, a correspondência deixa a impressão de ser única e personalizada, embora eu só consiga pensar que a promoção é fruto da cabeça de algum profissional de marketing que a concebeu para satisfazer os desejos que eu nem sabia que possuía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo instante, algo ficou claro para mim: a conflitante relação entre o “universal” e o “particular” não é apenas um assunto para pomposas teorias. É algo real. O conflito estava evidente num simples pedaço de papel. A imagem da camiseta amarela impressa em um lado da correspondência era a evidência do “universal”, ao passo que o meu nome impresso no outro lado era a evidência do “particular”. A imagem da camiseta amarela, ofuscante, tomava todo o campo visual de um lado do impresso promocional. Do outro lado, meu nome grafado em letras negras timidamente conferia um ar de personalização diante de uma transação comercial, algo tão falsário quanto os slogans que se vê aos montes em bancos, imobiliárias e clínicas médicas: “atendimento personalizado”. Será mesmo? Numa cadeira de dentista onde sentam milhares de pessoas, alguma coisa pode ser personalizada a não ser a assinatura do cheque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que tenhamos uma identidade pessoal formada por meio dos impulsos de uma rede complexa de relações, trajetórias, histórias, imagens, interpretações e sentidos, a esfera pública atuará sempre como um campo de redução da nossa identidade individual com vistas à construção de um “enquadramento”. O filósofo Ortega Y Gasset deu a esse enquadramento o nome de massa. Segundo ele, a massa surgiu mediante um processo segundo o qual converteu-se o que era apenas quantidade (a multidão) em uma determinação qualitativa que congrega “a qualidade comum, o monstrengo social, o homem enquanto não-diferenciado dos outros homens e que representa um tipo genérico.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso da correspondência que recebi, a referida revista não está dando a mínima para quem eu sou. Não lhe interessa saber o que penso, se sou gaúcho ou capixaba, se ouço música eletrônica ou erudita, se tenho alguma orientação política, se acredito em OVNIS ou se tomo o Daime para mentalizar o mistério sagrado. Fui enquadrado nas aspirações médias do “universal” massificado. Quiseram convencer-me de que uma camiseta amarela era tudo o que eu estava precisando para comprar a assinatura da revista, de modo que a possível adesão à proposta ainda prestaria o relevante serviço de tirar-me do anonimato dos sem-camisa, dos que ficam à margem e não tomam a decisão de pertencer à massa dos torcedores da seleção brasileira. Enganou-se a revista. Anônimo é quem veste a camisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chute passou longe do gol. A revista errou feio, como sempre erram feio todas as iniciativas que partem do pressuposto de que somos todos iguais, de que o universal tem autonomia em relação às particularidades que o compõem. De forma petulante, a revista acredita que não posso viver sem uma camiseta amarela (feia e cafona, provavelmente desenhada para satisfazer o gosto médio), caso contrário minha identidade como brasileiro será afetada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma revista que não sabe quem eu sou e não faz a menor idéia do que penso, quer convencer-me de que minha não-adesão à sua proposta pode ser vista como uma blasfêmia nesta época em que nos aproximamos da Copa do Mundo, época em que “ser brasileiro” é ficar estupidamente hipnotizado em frente à televisão para reverenciar jogadores de futebol na sua funesta missão de construírem a “verdadeira” identidade nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem delongas, rasguei a correspondência enviada pela revista sem sequer abri-la. Tudo que eu precisava saber já estava dito do lado de fora. Não tive a mínima curiosidade em saber qual seria o preço a ser pago para continuar fazendo parte do pensamento débil que governa o mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jonal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 04/05/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2386996427033699222?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2386996427033699222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2386996427033699222&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2386996427033699222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2386996427033699222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/05/meu-escudo-no-coracao.html' title='Meu escudo no coração'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S99c9ho-dhI/AAAAAAAAAy8/6Gk7fUeRx8A/s72-c/YvesKlein20.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-1929521075631184724</id><published>2010-04-26T19:12:00.003-03:00</published><updated>2010-04-26T19:18:19.414-03:00</updated><title type='text'>Pecados civis</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S9YP0sbMsPI/AAAAAAAAAy0/ZHfeal0gf_I/s1600/Maria+martins"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 310px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464572595813527794" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S9YP0sbMsPI/AAAAAAAAAy0/ZHfeal0gf_I/s320/Maria+martins" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Maria Martins - "O impossível"&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Após ler meu artigo intitulado “Morteiros humanos” na edição da Gazeta de 20/04, a leitora Daniela entrou em contato comigo para manifestar sua preocupação com o problema da miséria em Bento Gonçalves. Ela tomou como exemplo os mendigos da Praça Vico e, inclusive, sugeriu que eu visitasse as redondezas para verificar in loco algumas situações por ela apontadas. Para Daniela, as instituições de caridade só fazem aumentar o problema da miséria, sem resolvê-lo. A leitora manifestou preocupações com seu filho que precisa atravessar a praça para ir à escola, além de relatar que os mendigos consomem bebidas alcoólicas, espalham sujeira e promovem atos obscenos como exposição da nudez e até masturbação explícita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo a preocupação de Daniela, mas não acho que devemos ser essencialistas e olharmos apenas para o modo como a situação aparece. Antes, devemos olhar para as suas origens, para o seu desenvolvimento histórico e para as suas relações com outros contextos. Apontar o dedo para os mendigos e dizer que "eles estão errados" não ajuda em nada. A todos os julgamentos punitivos, sua resposta será uma só: a negação do social. Alguém já se perguntou se é a sociedade que os rejeita ou se são eles que rejeitam as formas sufocantes, competitivas e vampirizadas de nossa sociedade? Já refletiu sobre a hipótese de que tudo aquilo que temos ou almejamos em excesso é o que pode estar faltando para os outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Bento Gonçalves, o problema da mendicância está só começando. Muitos abrigos precisarão ser instalados. Nas últimas duas décadas, o Poder Público – sobretudo através de secretarias ligadas ao desenvolvimento econômico, industrial e turístico – investiu na divulgação de imagens e de discursos referentes a uma Bento Gonçalves rica, próspera e desenvolvida (no plano econômico, que fique claro, pois no plano da civilidade ainda somos bárbaros). Várias pessoas migraram vindas de outras cidades e instalaram-se aqui. Isso foi só o início do problema. Quem era rico, ficou ainda mais rico e as desigualdades aumentaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resolução do problema da miséria não depende das "autoridades", das políticas públicas ou de leis mais atuantes, pois essas formas de expiação dos pecados civis já deram provas de que não funcionam. É o homem que precisa mudar e não as próteses com que ele se liga ao mundo. Por estarem à margem de todo o sistema social, os mendigos não podem ser cobrados por seus atos, da mesma forma que ninguém nos cobra por estarmos em frente à lareira de casa, saboreando um "fondue" ou investindo fortunas numa coleção de sapatos e relógios de grife. Ninguém jamais bateu à porta da minha casa para cobrar satisfações sobre os meus atos e sobre os produtos que eu consumo. Mas em relação aos mendigos, todos querem julgar e punir moralmente, como se alguém tivesse condições de fazer isso sem denunciar-se pela incoerência a que se expõe. Se o objeto de desejo de um indigente é uma garrafa de pinga, o que isso difere de uma caminhonete importada que é o objeto de desejo do gerente comercial “bem sucedido”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou completamente favorável à instalação de casas e lares de caridade para os mendigos. Sei que isso não resolve o problema, mas pode amenizá-lo. Sobre o comportamento dos mendigos (geralmente vinculado ao consumo do álcool, ao atentado ao pudor e à sujeira), há correspondências possíveis de serem estabelecidas com outras esferas sociais. Uma garrafa de cachaça nas mãos de um indigente é motivo para julgá-lo e incriminá-lo, ao passo que, em tempos de Fenavinho, distribui-se vinho gratuitamente no centro da cidade e alega-se que isso é "cultura", como também são “culturais” as bebedeiras carnavalescas ou o rastro de sujeira deixado por jovens que estacionam seus carros em postos de combustíveis para “fazer festa”. O ator José Mayer, na novela Viver a Vida, aparece sempre com um copo de uísque na mão como parte da estratégia de composição do charme do galã. Vendem-se revistas e filmes pornográficos em qualquer banca da cidade e fecham-se os dois olhos para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repito, não podemos ser essencialistas. Uma mesma situação exige vários olhares. Vemos mais longe quando vemos conjuntamente com os olhos dos outros. Procuro pensar que a indigência é a expressão dos contrates de uma sociedade cancerígena e que poderá nunca vir a ser mais igualitária ou mais justa, talvez porque igualdade e justiça nunca tenham sido nossas prioridades. Mais difícil do que aceitar isso é conviver com a sensação de que a civilização é um acúmulo de fracassos que nos forçam a caminhar sobre mortos inumados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 27/04/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-1929521075631184724?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/1929521075631184724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=1929521075631184724&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1929521075631184724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1929521075631184724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/04/pecados-civis.html' title='Pecados civis'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S9YP0sbMsPI/AAAAAAAAAy0/ZHfeal0gf_I/s72-c/Maria+martins' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7995705912277754987</id><published>2010-04-19T18:37:00.003-03:00</published><updated>2010-04-19T18:40:12.856-03:00</updated><title type='text'>Morteiros humanos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S8zNNrlFeXI/AAAAAAAAAys/MWpdg6q-TVA/s1600/Hans_Haacke_isolation_box.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 273px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5461966083013835122" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S8zNNrlFeXI/AAAAAAAAAys/MWpdg6q-TVA/s320/Hans_Haacke_isolation_box.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Hans Haacke - Caixa de isolamento, 1981.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Muitas pessoas agem como se vivessem em mundos ideais, governados por sua própria vontade e egoísmo. Nestes mundos ideais, todo tipo de ameaça é prontamente eliminada por meio da violência, da ação política ou dos discursos articulados publicamente com vistas à obtenção de adeptos. Um caso flagrante relacionado a estes exemplos é o repúdio ao projeto de instalação da Casa de Passagem para mendigos na Rua Assis Brasil, cuja possibilidade de efetivação tem gerado o desconforto dos moradores das redondezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme matéria divulgada na Gazeta de 16/04, os moradores mobilizaram-se e estão preparando um abaixo-assinado contra a instalação da Casa. A manifestação é lícita dentro de um regime democrático em que todas as expressões e idéias podem ser colocadas em discussão, mas é vergonhosa se encarada como expressão do mais puro preconceito e da mais genuína alienação sobre os desníveis que compõem nossa sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os argumentos apresentados por algumas pessoas que estão encabeçando o abaixo-assinado expressam o modo autoritário, centralizador e auto-proclamado com que elas se colocam como defensoras de um mundo que não tem espaço para a diferença e para as disparidades. Seus mundos ideais não permitem que elas encarem os problemas de frente na tentativa de uma convivência, pois isso seria o mesmo que sofrer uma punição em vida para algo que elas julgam que só terão que prestar contas num paraíso post-mortem, quando já não tiver mais sentido o desfiar dos seus rosários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo por esta seara, vemos como se reproduz a lógica da exclusão das diferenças, fato que vem ocorrendo também com a construção do novo presídio na Linha Palmeiro e que continuará ocorrendo com qualquer outro projeto que venha a ferir os princípios burgueses que regem a vida daquelas pessoas que acham que a sua rua ou o seu bairro não fazem parte do mundo real, e que tudo ali precisa ser regulado contra qualquer “invasão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este olhar parcial e unidimensional sobre os problemas sociais é o que faz com que eles continuem existindo e perpetuando-se como anomalias que não cabem no mundo ideal. Mas o mundo, na dimensão das práticas humanas, não tem um ideal. Ele é caracterizado por nossa invasão à bolha ética inflada pelos outros, é um eterno fluir, um desdobramento de intenções em constante modificação. É impossível conceber o mundo sem estuprar suas imagens, seus sentidos e seus padrões. A busca pela perfeição do mundo ideal é o anti-combate dos que já morreram e não sabem, dos que fazem dos abaixo-assinados um exercício deplorável de intimidação. Os idealistas podem ser mais perigosos do que pessoas armadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preocupada, uma representante da comissão de moradores da Rua Assis Brasil alega que a proximidade da Casa de Passagem com o colégio Nossa Senhora Aparecida pode potencializar o risco que os mendigos oferecem à sociedade. Sinceramente, nunca ouvi alegação tão absurda. Primeiro, porque os mendigos também “são” a sociedade, fazem parte dela, ou seja, não é preciso ser versado em assuntos especializados para saber que qualquer pessoa oferece risco à sociedade. Todos nós somos morteiros prestes a lançar a granada. Segundo, porque seria muito pertinente uma boa dose de realidade às crianças educadas em colégios de elite, os quais as confinam no interior de cavernas morais onde elas são preparadas para atuarem como futuros agentes de dominação no contexto em que se inserirem. Terceiro, porque quem move o mundo não é a vontade individual, mas uma soma de situações, aspirações e realizações que não temos como pesar em sua totalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Secretário de Habitação e Assistência Social, Roberto Locatelli, expressou-se muito bem ao dizer que “todos cobram soluções do Poder Público, mas não querem a solução perto de sua casa.” No entanto, não creio que a Casa de Passagem solucionará o problema da mendicância em Bento Gonçalves, mas poderá servir para testar os limites da tolerância e a disposição que temos em tentar amenizar os problemas da desigualdade. A julgar por estes aspectos, a comissão formada por alguns moradores da Rua Assis Brasil (creio que não sejam todos) está dando um grande exemplo de incivilidade e de alienação diante do mundo complexo em que vivemos, o qual, ao que tudo indica, parece caber em seus próprios umbigos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 20/04/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7995705912277754987?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7995705912277754987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7995705912277754987&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7995705912277754987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7995705912277754987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/04/morteiros-humanos_19.html' title='Morteiros humanos'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S8zNNrlFeXI/AAAAAAAAAys/MWpdg6q-TVA/s72-c/Hans_Haacke_isolation_box.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2046087093132067045</id><published>2010-04-13T01:13:00.003-03:00</published><updated>2010-04-13T01:21:30.774-03:00</updated><title type='text'>A grande vida, a pequena vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S8PwqmuX1OI/AAAAAAAAAyc/Y740cc212nQ/s1600/imagem+capa+2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5459471788043392226" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S8PwqmuX1OI/AAAAAAAAAyc/Y740cc212nQ/s320/imagem+capa+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Obra de Farnese de Andrade&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Uma visitante inusitada está aqui em casa. Ela chegou por motivos que não vou explicar, pois isso demandaria o uso de mais espaço do que disponho para escrever. Há cerca de dez dias uma tartaruguinha está hospedada na varanda do meu apartamento. O fato é que os poucos centímetros de existência do bichinho alteraram as lógicas de funcionamento da casa. E fui posto à prova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca tive animais de estimação. Não tenho a mínima paciência para envolver-me com os cuidados que os bichos demandam. Além do mais, me sentiria um completo imbecil falando com um bicho da mesma forma com que se fala com uma criança, simulando uma vocalização infantilizada. Se já acho um contra-senso falar com crianças através de trejeitos infantilizados, em relação aos animais isso beira a caricatura mais grosseira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conservo uma relação de distanciamento com os animais porque os enquadro dentro do seu universo e do seu habitat, o que não inclui a minha cama, o sofá ou o banheiro de casa. Embora existam poderosas forças culturais atuando na relação entre os homens e os animais (o surgimento da religião, através do totemismo, é um exemplo), de um modo geral acho esta relação doentia e despropositada quando elevada às raias do excesso, algo que não é nada incomum de se presenciar em nossa sociedade atual. Sinto asco, por exemplo, em ver bichos vestidos com roupa de gente, embonecados com fitas e laçarotes, expostos em fotografias nas páginas virtuais de relacionamento na internet e tratados por meio de patetices do tipo “filhinho, vem com a mamãe”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que organizam suas vidas em função dos animais que possuem. Eles, de fato, alteram o funcionamento da casa, exigem atenção, demandam cuidados e motivam o disciplinamento dos seus donos, que passam a ter horários e calendários não apenas para si, mas também para os bichos que possuem. Eles passam a fazer parte dos assuntos à mesa, das conversas ao telefone e, assim como minha hóspede sem nome, exercem um poder oculto – poder que fez com que eu saísse do computador há poucos minutos para ver se a pequenina não estava virada com o casco para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho um profundo senso de delimitação espacial, pelo qual sou muito cioso. Isso vale especialmente no que se refere ao meu contato com animais (neste caso, o animal humano não é exceção), os quais gosto de ver livres das paranóias da civilização que construímos em meio a tantos equívocos. Sei que as pessoas têm o direito de viver da forma que quiserem e de demonstrar seu afeto a quem quiserem e do modo que julgarem pertinente, porém, em relação aos animais, há certos exageros e excentricidades que soam asquerosamente dispensáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tartaruguinha vai bem: come, refresca-se na água e dorme. Executa magistralmente sua três tarefas básicas. Chego a sentir inveja da perfeição do seu mundinho tão reduzido, tão compacto e aparentemente tão desprovido de objetivos. Mas então eu lanço o olhar para o horizonte em busca da lucidez de que tudo está perfeitamente situado na grande teia biológica tecida pela natureza, teia que contém tanto a minha vida cheia de intenções e projetos quanto a vida da tartaruguinha anônima que não precisa teorizar sobre si mesma. Concluo que ela é para mim o estranho que sou para ela. Se é a natureza que nos aproxima, por um notável paradoxo também é a natureza que nos afasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofro um incômodo com responsabilidades que se estendem às coisas vivas. Por este motivo, até hoje sequer tive uma samambaia sob meus cuidados. Assim, não é difícil supor que não tenho filhos e tampouco penso em substituir a ausência deles por algum animal que faça de mim uma pessoa mais “humana”, mais “realizada”, mais “feliz“ ou o que quer que seja. Sendo o que sou, convivo com o paraíso e com o inferno em proporções oscilantes. Qualquer pessoa minimamente esclarecida saberá do que estou falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem nome a criaturinha. Sequer tinha antes de chegar aqui em casa, onde ficará por mais alguns dias. Eu a olho com o fascínio que se pode sentir por um fiapo de vida que desenvolve o seu estar-no-mundo num total descrédito à minha presença. E essa é a grande prova de que posso ser invisível apesar de meu metro e oitenta de altura; que pouco importa o que eu faça, pense ou diga: para a tartaruguinha, tudo pode não passar de um acréscimo de distâncias do qual ninguém é testemunha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 13/04/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2046087093132067045?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2046087093132067045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2046087093132067045&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2046087093132067045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2046087093132067045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/04/grande-vida-pequena-vida.html' title='A grande vida, a pequena vida'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S8PwqmuX1OI/AAAAAAAAAyc/Y740cc212nQ/s72-c/imagem+capa+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-3773003048807490658</id><published>2010-04-05T19:14:00.003-03:00</published><updated>2010-04-05T19:18:11.222-03:00</updated><title type='text'>Sertanejo com diploma</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S7pg7LWpgJI/AAAAAAAAAyU/v55VctR5Nh4/s1600/Jua3.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 234px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456780468289110162" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S7pg7LWpgJI/AAAAAAAAAyU/v55VctR5Nh4/s320/Jua3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Obra de Juarez Machado&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nunca concordei com o ditado popular que diz que “gosto não se discute.” O fenômeno do “sertanejo universitário”, por exemplo, é uma pequena amostra de que o gosto musical passa por segmentações e por processos de identificação no interior de um determinado púbico, o que ocorre também como o samba, o hip hop, a música eletrônica ou qualquer outro produto cultural. A segmentação do público é uma prática universal da estrutura econômica capitalista, que, para manter-se sempre viva e ativa, precisa estar continuamente construindo novos públicos e formando novos gostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chamado “sertanejo universitário” constitui um dos fenômenos de consumo de massa mais deploráveis dos últimos tempos. Trata-se de um rótulo relativamente recente, que começou a ser construído no início dos anos 2000 e logo ganhou a adesão de duplas sertanejas repaginadas, dispostas a deixar para traz a caipirice de outrora e investir num público mais sofisticado, formado por estudantes universitários, principalmente das capitais, reunidos em festas de faculdades e diretórios acadêmicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moda pegou, “é da lata”, como diria o produtor musical brasileiro Nelson Motta. Porém, o mais lamentável é que o sertanejo universitário adentrou um ambiente e um circuito de consumidores dos quais se esperaria o mínimo de senso crítico em relação à diarréia sonora que consomem. Mas não: eles aceitaram a esmola, as parcas migalhas do que há de mais decadente na produção musical brasileira. Esqueceram-se – ou nunca tomaram conhecimento – de que temos uma história musical rica, exuberante, e que exatamente no contexto universitário essa história deveria ser propagada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia, é esperar demais que o estudante universitário de hoje tenha uma cultura musical que lhe permita repudiar as vozes esganiçadas, as harmonias medíocres, as sonoridades chatas, as letras pobres e o visual empacotado das duplinhas sertanejas do momento. Há inúmeros estudantes universitários que mal sabem interpretar um texto e escrever com correção gramatical. Eles estão na universidade por vários motivos: por mera exigência do mercado de trabalho, porque a empresa onde trabalham paga metade do curso, para cumprir um rito social, para alegrar os pais, para galgar espaços ascendentes na sociedade, para ter salários melhores, para diferenciarem-se de quem não tem uma formação superior, para enganarem a si mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os universitários, de quem se esperaria uma atitude diferenciada em relação ao consumo cultural, renderam-se às vulgaridades da música sertaneja. Para as duplas do momento isso é perfeito, porque elas descobriram um tipo de consumidor que, aos olhos da sociedade, tem bom gosto e é culturalmente bem desenvolvido, o que confere certa credibilidade a este segmento musical. Mas eis onde está o engano: possuir um nível estético cultivado não faz parte do perfil da maioria dos estudantes universitários na atualidade, que trabalham durante o dia e estudam à noite, que não vão à aula porque a sala de aula está no monitor do computador, que não lêem nada além do que esteja estritamente impresso nas apostilas incluídas no valor da mensalidade, que querem obter uma formação rápida, técnica e desprovida de uma dimensão humanista e espiritual. Para este tipo de estudante, os diplomas são atestados de ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como a indústria da comunicação produz revistas para noivas, negros, gays, cães e adolescentes dentro do sistema da segmentação de mercado, também o “sertanejo universitário” é uma extensão da lógica de operação da indústria cultural de massa. Ele tem um público específico, com um perfil próprio e hábitos de consumo semelhantes entre seus adeptos, o que facilmente mostra que o gosto pode ser discutido, tendo em vista que ele não é uma entidade abstrata, conferida ao indivíduo por uma força sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gosto é construído no contato social entre pessoas que criam aproximações, identificações, repulsas e negociações. No caso do “sertanejo universitário”, basta olhar quem são os consumidores deste tipo de música e traçar um perfil. Não será surpreendente descobrir que, em suas expectativas de vida, aspirações e metas, eles são frutos de uma tática de mercantilização cultural. Um público débil, tão débil quanto a música que consome, é tudo que as gravadoras precisam para lucrar com facilidade. E tudo que as duplinhas sertanejas precisam para comprar suas fazendas e jatinhos, mediante a oferta do que existe de mais vulgar em termos musicais.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 06/04/10&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-3773003048807490658?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/3773003048807490658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=3773003048807490658&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3773003048807490658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3773003048807490658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/04/sertanejo-com-diploma.html' title='Sertanejo com diploma'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S7pg7LWpgJI/AAAAAAAAAyU/v55VctR5Nh4/s72-c/Jua3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-976091429168459868</id><published>2010-03-29T18:23:00.004-03:00</published><updated>2010-03-29T18:27:07.476-03:00</updated><title type='text'>O espetáculo da morte</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S7Eae7j_r1I/AAAAAAAAAyM/AlfZWeSo4wg/s1600/walter.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 242px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454169742409445202" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S7Eae7j_r1I/AAAAAAAAAyM/AlfZWeSo4wg/s320/walter.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Campo de relâmpagos - Obra de Walter de Maria&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ao ser lançado da janela do sexto andar de um prédio em São Paulo, em 2008, o corpo da menina Isabella Nardoni deu início a uma verdadeira epopéia da mídia brasileira. A morte de Isabella tinha tudo para ser apenas mais um caso impune de homicídio neste país que sofre de deficiência investigativa crônica e que, considerando este e outros motivos, construiu um sistema jurídico frágil, duvidoso e sem credibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por algum motivo difícil de precisar, a morte de Isabella atingiu níveis de popularidade poucas vezes vistos no Brasil. De um caso de homicídio, a situação foi transformada em “novela da vida real”, com personagens cuidadosamente escaladas para a sua representação: Isabela, a vítima; Alexandre (o pai), o algoz; Cembranelli, o vingador; Podval, o crápula defensor de assassinos; Ana Carolina (a mãe), a carpideira abalada pelo infausto. Tudo perfeitamente conduzido para não deixar dúvidas sobre quem era quem neste espetáculo da morte que se tornou o “Caso Isabella Nardoni.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os homens amam a guerra. Por isso / se armam festivos em coro e cores / para o dúbio esporte da morte”, diz o poeta Affonso Romano de Sant’Anna. Seu poema pode ser aqui tomado como referência à guerra urbana e às suas sociabilidades tensas e faiscantes, por meio das quais somos forçados a escolher o sabre ou o escudo. Ficar no meio é impossível: nosso lema é matar ou morrer. Com ele, assimilamos a dualidade cultural que nos construiu como uma humanidade formada por entidades binárias. Somos uma coisa “ou” outra; uma coisa “contra” a outra; uma coisa “aquém” ou “além” da outra. Nunca estamos no mesmo nível. O ser humano não tem nível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poema de Sant’Anna também pode aludir à guerra da imprensa e à sua obstinação mortificadora em atormentar o espaço coletivo com a construção de uma “realidade” que ela julga conveniente para si e para o seu modo de distribuir e alimentar as imagens do mundo e a opinião alheia. Quantas horas de programação televisiva a morte de Isabella rendeu? Quantas pautas deixaram de ser escritas ou pensadas para dar lugar às especulações sobre a morte da menina? Na guerra pela audiência, qual das emissoras televisivas foi mais atuante? Qual revista deu mais detalhes sobre o caso? Qual jornal conseguiu divulgar notícias em primeira mão? Com a morte de uma pessoa, joga-se com a vida de milhares de outras. Eis a lição que se pode tirar deste episódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, a sentença do juiz Maurício Fossen – que não passou de mero exercício retórico – foi proferida apenas para formalizar algo que já havia sido construído anteriormente, através da paixão e do entorpecimento popular por uma garotinha que a mídia transformou num mito inumado, ensinou a amar e elevou à categoria de “arauto da justiça” num país em que discutir o que é e o que não é justo nunca esteve na ordem do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisávamos da morte de Isabella. Precisamos que muitas outras Isabellas morram. Isabellas nunca morrem em número suficiente. “Os homens mal suportam a paz”, diz o poeta Sant’Anna. Não sabem viver sem o transe dos grandes ritos públicos de execução e julgamento, onde sentem prazer em apontar o dedo na direção dos outros para incriminá-los. Não sabem comover-se sem que um corpo voe do alto de um prédio para a morte. Não reparam em seu semelhante a menos que ele esteja com o peito ensangüentado e transpassado por uma bala. No fundo, somos flores carnívoras disfarçadas. E nosso destino é a devoração mútua. Justiça? Quem se importa com isso, afinal? A próxima Isabella poderá ser morta por um juiz, por um advogado ou por mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio às filas que se formaram junto ao Fórum, aos cartazes, ao empilhamento de repórteres, à queima de fogos e à explosão popular com suas palavras catárticas, o julgamento dos acusados mais parecia um evento do “show biss” internacional ou uma partida final do Brasileirão. Se a justiça foi feita, é impossível dizer. Vivemos no inferno da linguagem. Somos vítimas dos conceitos vagos que criamos para nossas vidas sempre carentes de tudo. Finda a paranóia, a conclusão a que se chega é uma só: Isabella Nardoni poderá, enfim, morrer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 30/03/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-976091429168459868?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/976091429168459868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=976091429168459868&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/976091429168459868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/976091429168459868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/03/o-espetaculo-da-morte.html' title='O espetáculo da morte'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S7Eae7j_r1I/AAAAAAAAAyM/AlfZWeSo4wg/s72-c/walter.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2336394866101156183</id><published>2010-03-22T18:41:00.004-03:00</published><updated>2010-03-22T18:47:02.869-03:00</updated><title type='text'>Viver e reviver</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S6fkiGSp7tI/AAAAAAAAAyE/jp5QcJZoJl0/s1600-h/erasuregenteel_eraseddekooning.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 274px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5451577148410818258" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S6fkiGSp7tI/AAAAAAAAAyE/jp5QcJZoJl0/s320/erasuregenteel_eraseddekooning.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;blockquote&gt;"De Kooning apagado" - Obra de Robert Morris&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A citação é um fenômeno da comunicação amplamente inscrito na cultura contemporânea. Ela está presente no cinema, nas artes visuais, na música, na propaganda e em diversos outros segmentos que operam por meio de intertextualidades. Quem nunca assistiu a um filme e percebeu que determinada cena fazia uma menção a outro filme ou a uma imagem retirada de outro contexto? Quem nunca assistiu a uma propaganda e viu que ela estava se referindo a outro contexto com o qual “dialogou” e do qual extraiu uma mensagem sutil?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banda Pato Fu, quando surgiu, fazia citações sonoras freqüentes aos Mutantes, grupo musical da década de 1960 que revelou a cantora Rita Lee. O Livro do Avesso – obra do escritor João Silvério Trevisan, que li recentemente – é um festival de citações confessadas pelo próprio autor, que constrói uma narrativa instigante ao costurar imagens de Hitchcock, Flaubert, Chesterton, Fritz Lang, Pirandello, Calvino e vários outros autores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No filme O Anticristo, do cineasta Lars Von Trier, o protagonista vivido pelo ator Willem Dafoe é submetido ao suplício do corpo por meio de uma roda presa à sua perna, o que caracteriza uma citação a outro filme do mesmo cineasta, Dogville, em que a protagonista vivida por Nicole Kidman sofre a punição de ter que arrastar-se presa a uma grande roda de ferro. Em outro filme, Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci, uma cena arrebatadora protagonizada por Eva Green mostra a atriz nua sobre um fundo negro, vestindo luvas negras até a metade do braço. O resultado é que ela fica parecendo a escultura grega Vênus de Milo. Eis aí uma citação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas artes visuais contemporâneas, o fenômeno da citação ocupa lugar central, já que, ao contrário da arte moderna, a arte contemporânea não apresenta qualquer repúdio às formas clássicas ou naturalistas do passado. Lúcia Koch, em obra apresentada na Bienal do Mercosul, citava Mondrian ao colocar vidros de várias cores em uma janela que projetava quadrados multicoloridos conforme a luz solar incidia sobre eles. Também citando Mondrian, o estilista Yves Saint Laurent criou, em 1965, uma coleção de roupas marcada por cores primárias e formas geométricas. O excêntrico Warhol, vaidoso e egocêntrico, produzia citações de si mesmo através da técnica serigráfica, que inaugurou a linha de montagem artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, em suas novas grades de programação, a TV Globo e o SBT estrearam dois programas que fazem citações explícitas ao filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick, do qual o computador HAL (uma espécie de equivalente da psique humana), produzido para jamais cometer erros, é um dos protagonistas. Na novela da Globo, Tempos Modernos, a personagem vivida por Antônio Fagundes conversa com um computador que aparece sob a forma de uma lente hiper-onisciente, numa citação explícita ao filme de Kubrick.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já no reality show do SBT, Solitários, os participantes são trancafiados em células individuais e submetidos a um teste de resistência física e psíquica, mediante interações com um computador que atende pelo nome de VAL, que encarna a idéia de poder e autoridade sobre os participantes, semelhante às atitudes de HAL. Quem assistiu ao filme de Kubrick, verá claramente que se trata de uma re-semantização da idéia original, desta vez adaptada para o consumo televisivo. Sem dúvida, no caso da televisão, a citação está anos-luz aquém da sofisticada proposta de Kubrick, surgida numa época em que as tecnologias informáticas começavam sua escalada sócio-cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A citação tem o propósito de recuperar imagens e códigos comunicativos a partir de um determinado contexto expressivo e, com isso, gerar novas formas de consumo de experiências atualizadas e re-significadas. Nem sempre o intento logra êxito, já que a sutileza é o que garante que a citação não descambe para o plágio ou para o pastiche, como é comum acontecer com a televisão. O velho ditado que diz que “nada se cria, tudo se copia” pode ter seu lado de verdade quando o que está em questão são obras menores e superficiais. Todavia, grandes obras e grandes criadores rompem a membrana das factualidades e podem, inclusive, utilizar a citação como intensificação de uma idéia ou como junção temporal entre as sensibilidades do presente e as formas expressivas já consagradas, as quais, considerando o campo da estética, sempre falam de um mundo feito para viver e reviver.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 23/03/10&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2336394866101156183?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2336394866101156183/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2336394866101156183&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2336394866101156183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2336394866101156183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/03/viver-e-reviver.html' title='Viver e reviver'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S6fkiGSp7tI/AAAAAAAAAyE/jp5QcJZoJl0/s72-c/erasuregenteel_eraseddekooning.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-8701985918004086065</id><published>2010-03-15T18:49:00.002-03:00</published><updated>2010-03-15T19:03:55.896-03:00</updated><title type='text'>Anônimos familiares</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S56uFQhBGMI/AAAAAAAAAxc/R0ga7bytrLQ/s1600-h/1_PieroManzoni_BaseoftheWorld_1961.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 237px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5448984004520908994" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S56uFQhBGMI/AAAAAAAAAxc/R0ga7bytrLQ/s320/1_PieroManzoni_BaseoftheWorld_1961.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Pedestal do mundo - Obra de Piero Manzoni &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um fato: bilhões de pessoas povoam o planeta e é impossível conhecer todas elas. Vive-se uma vida inteira num circuito restrito de relações, muitas vezes determinado por familiares, amigos e colegas de trabalho. Quem tem a possibilidade, a oportunidade ou um espírito aventureiro, pode fazer as malas e encarar viagens e itinerários pelo mundo, o que certamente trará como recompensa um acréscimo ao círculo de pessoas conhecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é, efetivamente, conhecer uma pessoa? Em que medida eu posso dizer que conheço alguém? O que é necessário para que alguém me conheça? Nos textos bíblicos, o significado do verbo “conhecer” está ligado à intimidade sexual. A sabedoria popular costumeiramente reaviva a idéia de que, no âmbito da relação conjugal, é preciso que os cônjuges “comam um saco de sal” a fim de que possam dizer que conhecem a pessoa com a qual convivem. Como medida metafórica, o saco de sal não tem um significado real, cuja quantidade possa ser determinada por meio de um número específico de quilos. E neste ponto a sabedoria popular é de uma sensatez invejável: o sal deve ser consumido por toda a vida, de modo a provocar a suspeita de que nunca se come a quantia suficiente. Quanto mais conhecemos alguém, mais difícil fica a convivência, porque mais complexos são os pontos a serem avaliados em sua conduta numa relação de troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há várias pessoas com as quais eu nunca troquei uma palavra ou às quais eu sequer fui apresentado e que estão armazenadas em meu pensamento como se fossem imagens vagas, fantasmas ou personagens construídas por meio de informações e registros alheios. Eu poderia reconhecê-las se as visse em qualquer lugar do mundo, aqui ou em Tóquio. Cruzamo-nos pelas ruas, esperamos nas filas dos bancos e dos restaurantes, respiramos o mesmo ar na sala de cinema e dividimos vários espaços públicos. De algumas eu sei o nome e a profissão; sei também se são casadas, solteiras ou se têm filhos. Outras eu percebo quando cortam o cabelo, trocam os óculos, emagrecem ou engordam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A surpreendente capacidade que temos de construir um conhecimento preliminar sobre as outras pessoas sempre me fascinou. Fico instigado por esse fluxo de informações de segunda-mão capaz de construir reputações, manipular o caráter e esboçar condutas alheias. É como se estivéssemos, cada um de nós, escrevendo a história de nossas vidas tendo à disposição várias personagens para incluir no enredo. Algumas dessas personagens dividem a cama, a assinatura no talão de cheques e os álbuns de fotografias conosco; outras, porém, ficam restritas à condição de anônimos familiares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todo instante estamos dando forma a quem não conhecemos. Isso é um fato sociológico fundamental. Podemos não conhecer formalmente determinada pessoa, mas formulamos características sobre ela, criamos suposições sobre sua personalidade e seus comportamentos como uma experiência lúdica. Neste caso, não jogamos “com” ou outros: jogamos “os” outros. Tendo em vista a impossibilidade que temos de, individualmente, conhecer e entrar em contato com todas as pessoas que povoam o planeta, a maioria delas fica retida em nossos reservatórios das criaturas imaginadas, as quais capturamos com as redes do acaso, que é quem determina o estado arbitrário das relações humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um incontável número de pessoas que eu não conheço “oficialmente” – e com as quais eu não convivo a ponto de dizer que as conheço – também fazem parte da minha vida, não de forma direta e presencial, mas na condição de holografias em movimento numa sociedade subliminar, inscritas nas entrelinhas da vida, sem uma identidade plena. Sem que eu saiba (ou que elas saibam), podemos freqüentar o mesmo médico ou dentista, comprar na mesma loja, pegar o mesmo elevador ou ter o mesmo gosto musical e literário. Podemos ter inúmeras afinidades sem que sejamos jamais colocados em contato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Munidos de identidades virtuais, muitas vezes ingressamos na vida mental da sociedade através do fluxo de uma existência sem toques, sem palavras e impregnada de imagens distorcidas que os outros formulam sobre nós. Para o bem ou para o mal, essas imagens movimentam-se e contribuem para a manutenção de um cotidiano que se apresenta como uma obra aberta e que sempre guarda um convite à reparação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 16/03/10&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-8701985918004086065?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/8701985918004086065/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=8701985918004086065&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8701985918004086065'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8701985918004086065'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/03/anonimos-familiares.html' title='Anônimos familiares'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S56uFQhBGMI/AAAAAAAAAxc/R0ga7bytrLQ/s72-c/1_PieroManzoni_BaseoftheWorld_1961.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-72311045243127408</id><published>2010-03-08T19:02:00.002-03:00</published><updated>2010-03-08T19:07:33.551-03:00</updated><title type='text'>Filho de qual Brasil?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S5V0TutTpfI/AAAAAAAAAxU/XlRxpipSxgA/s1600-h/Teaching_a_Plant_the_Alphabet.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 215px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446387206678881778" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S5V0TutTpfI/AAAAAAAAAxU/XlRxpipSxgA/s320/Teaching_a_Plant_the_Alphabet.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;"Como ensinar o alfabeto a uma planta" - Performance de John Baldessari&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ao confundir a mensagem estética com a mensagem ética, o cinema brasileiro raramente consegue se livrar da marca do embuste que tão bem lhe caracteriza. Na falta de roteiros fortes, competência interpretativa e ímpeto transgressor em buscar novas articulações para a linguagem cinematográfica, esbarra-se na fórmula do lucro certo através da comoção moralista e, no caso de Lula – O Filho do Brasil, da exaltação nacionalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente, há quem tenha adorado o filme e se identificado com a vida do seu protagonista. As identificações são muito comuns e funcionam como um ponto de convergência frente à explosão de sentidos que a obra cinematográfica suscita. Contudo, Lula – O Filho do Brasil faz parte de uma linhagem de filmes que apelam para o máximo de sentimentalismo vulgar na construção do argumento narrativo-visual, eximindo o espectador de qualquer tipo de tensão: tudo está colocado de maneira linear e premeditada, para não haver qualquer empecilho ao triunfo do herói. A certeza da apoteose final em nenhum momento é ameaçada pelos estratagemas do oportunismo e da corrupção dos contra-discursos possíveis, os quais brilham nas obras genuinamente artísticas para dar o tom humano de que a arte necessita para não tornar-se mero panfleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lula – O Filho do Brasil é uma obra menor; não mereceria sequer um comentário. É típico que se pense que o simples fato de comentar uma obra equivale a reverenciá-la – quer seja por suas qualidades ou por suas excrescências. Por isso, este texto não dever ser visto como um mecanismo reverso de promoção por aqueles que defendem a qualidade do filme, o que poderia ser encarado, erroneamente, como resposta a um incômodo. E Lula – O Filho do Brasil, definitivamente, não incomoda. É um sopro manso na tempestade, uma obra tão dissimulada que, para driblar as críticas de que seria usada como ferramenta de campanha eleitoral, apelou para estratégias de divulgação publicitária que desviaram o foco do protagonista Lula para sua mãe, Dona Lindu: “A história comovente de uma mãe coragem”. Como dizem, a emenda saiu pior que o soneto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme está na contramão de tudo o que se espera de uma obra genuinamente artística (e só as obras artísticas incomodam). É enfadonho, enquadrado, previsível e continuísta, sobretudo porque confirma os valores que sustentam a conspurcada perspectiva de vida dos indivíduos medianos, que querem a todo custo “conseguir um lugar ao sol”, “subir na vida”, não importando se, para isso, seja necessário “comer o pão que o diabo amassou.” O filme alimenta a empáfia dos milhões de brasileiros que, desdentados ou não, alfabetizados ou não, unem-se num grande cortejo mitificado, ávido por driblar estatísticas econômicas e prospecções sociais de modo a galgar os mesmos patamares ascendentes que o seu mentor cinematográfico – um retirante nordestino que hoje consome charutos cubanos e ternos Armani sem que, para isso, tenha precisado de muito trabalho, de muito estudo ou de planejamento, já que outras cabeças pensantes fizeram tudo isso para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A representação dos prodígios de Lula é elevada à categoria de exemplo de conduta ilibada, de persistência diante de um ideal e de crença na correção ética como aríetes capazes de derrubar as circunstâncias adversas. E tudo isso, no filme, é elaborado com tal grau de alienação que fica parecendo que Lula nasceu num outro planeta, onde os infantes são coroados futuros presidentes sob esperançosos olhares maternos que desconhecem os meandros da política, tão espúria, tão porca, tão vendida, lugar onde os corruptos sempre triunfam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a intenção do filme é alimentar os brios ascendentes dos miseráveis, dos que não tiveram oportunidade, dos que falam “nóis vai, nóis foi”, um choque de realidade mostrará que Lula não é a regra, é a exceção, e que nem todo bóia-fria está credenciado a tornar-se presidente do país ou a viver à custa do financiamento dos companheiros de partido. Está fabricado o mito, surgido ao sabor de uma aposta cega no exótico, no “gauche” e no repúdio à gramática. E também no apelo à origem miserável, ao engajamento sindical e à educação supletiva como condições para o triunfo político. “Se Lula pôde, eu também posso.” É exatamente para gerar este efeito interpretativo que os produtores do filme o conceberam. E para que fosse usado como uma cartilha que encoraje a exceção a tornar-se regra, o que, convenhamos, seria perfeito para caracterizar uma nova fase de degenerescências políticas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 09/03/10&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-72311045243127408?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/72311045243127408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=72311045243127408&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/72311045243127408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/72311045243127408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/03/filho-de-qual-brasil.html' title='Filho de qual Brasil?'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S5V0TutTpfI/AAAAAAAAAxU/XlRxpipSxgA/s72-c/Teaching_a_Plant_the_Alphabet.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-3807472652547131347</id><published>2010-03-01T18:11:00.003-03:00</published><updated>2010-03-01T18:16:18.782-03:00</updated><title type='text'>Abra sua cabeça</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S4wtl4UY3WI/AAAAAAAAAxM/RgHan0dy6sc/s1600-h/VikMuniz.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 264px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5443776178380397922" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S4wtl4UY3WI/AAAAAAAAAxM/RgHan0dy6sc/s320/VikMuniz.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Obra de Vik Muniz &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É sempre temeroso falar sobre o consumo de bebidas alcoólicas numa cidade que as produz em abundância e se orgulha disso. Parece que, por aqui, o assunto fica confinado a círculos restritos ou é tratado como se fosse uma pauta incômoda frente à voracidade da indústria etílica local, que, no seu ímpeto de ver um número cada vez maior de consumidores com muito álcool no sangue, não está dando a mínima para o consumo consciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em recente reunião para tratar sobre o consumo de bebidas alcoólicas durante os festejos carnavalescos, reuniram-se junto ao Conselho Tutelar autoridades judiciais, líderes de blocos carnavalescos e representantes da segurança pública. O intento do encontro era definir estratégias que coibissem o consumo de álcool por menores de idade. Tudo perfeito na teoria e executável nas boas intenções, mas fatalmente fora de propósito considerando que uma dezena de pessoas fechadas numa sala nada pode fazer contra a permissividade do carnaval, com seu imaginário, suas leis e suas lógicas próprias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marli Tasca colocou a questão de forma exemplar em texto publicado há poucos dias na Gazeta. Ela falava que o carnaval dá vazão a um jogo de máscaras e a um espelhamento de moralidades que se rebatem, sem que nenhuma delas goze de centralidade. Também aludia ao tempo suspenso e dionisíaco do carnaval, que revela uma ética pautada em dois imperativos básicos: diversão e contravenção. O legado da força cultural popular do carnaval é um só: ele nos permite burlar a oficialidade da vida cotidiana sem que nos preocupemos com sanções ou punições. O policial é também um fantasiado que entra na festa para celebrar as potências míticas desta celebração em que vale tudo (até amassar bombril, diria o debochado Tim Maia). Os juízes, entrincheirados nos tribunais com suas togas pretas, tornam-se súditos da única autoridade que o carnaval reconhece, a do multicolorido Rei Momo, cuja lei é seguida à risca porque é simples, abrangente e internalizada na alma do povo: diversão e contravenção, princípios enraizados no imaginário social do brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discute-se o consumo de bebidas alcoólicas durante o carnaval como se ele fosse o único malefício a que se está exposto. Parece que as autoridades querem apenas “mostrar serviço” ou escancarar publicamente um tipo de preocupação com dimensões sociais que, comumente, são negligenciadas durante o restante do ano, quando, então, o álcool passa a ser motivo de preocupações menores. O mesmo vale para a prostituição infantil e para o turismo sexual, ambos fortemente combatidos durante o carnaval e para os quais se fecha os olhos durante o restante do ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou querendo, de forma alguma, desqualificar o trabalho das pessoas que se envolvem com as questões aqui abordadas. Mas é necessário – e fundamental – que se dê a devida atenção às dualidades que atuam na sociedade e das quais parece improvável que um dia nos livraremos. Dualidades que se expressam, por exemplo, na mensagem publicitária presente num grande outdoor próximo ao Clube Ipiranga: “Abra sua cabeça. Abra um vinho do Brasil.” Uma mensagem forte que estimula o consumo do álcool associando-o à abertura de horizontes, à adesão a novas idéias, à atualização de conceitos e à expansão dos limites do desejo. Será que ninguém percebe que os menores de idade também estão expostos a este tipo de propaganda que estimula o consumo de bebidas alcoólicas? Por que se dá tão pouca atenção à nocividade gerada pela construção de potenciais consumidores (e aqui incluo os menores de idade) através da publicidade que os fisga e neles incute o prazer de consumir álcool antes mesmo que tenham responsabilidade para isso? Beba, não seja antiquado, diz a peça publicitária em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, a indústria etílica quer vender e quer em torno de si indivíduos dependentes; para tanto, investe pesadamente em propagandas que vinculam o álcool ao prazer e à liberdade, sobretudo diante do hedonismo carnavalesco. Do outro, dez pessoas dentro de uma sala pensam que podem exercer algum tipo de veto ao consumo alcoólico através do exercício de uma autoridade que o carnaval desconhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cerco ao consumo do álcool fica muito bem nas capas dos jornais e faz parecer que vivemos numa sociedade altamente consciente sobre seus rumos e aspirações. Mas não nos enganemos com essas medidas tópicas. O reinado de Momo transcorre sob a égide de poderes transubstanciais e milagreiros, os mesmos de um Cristo fanfarrão que faz o vinho virar água para que nenhum excesso seja castigado.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 02/03/10&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-3807472652547131347?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/3807472652547131347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=3807472652547131347&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3807472652547131347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3807472652547131347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/03/abra-sua-cabeca.html' title='Abra sua cabeça'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S4wtl4UY3WI/AAAAAAAAAxM/RgHan0dy6sc/s72-c/VikMuniz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-5033444013390354109</id><published>2010-01-31T16:40:00.003-02:00</published><updated>2010-01-31T16:43:37.092-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff0000;"&gt;AVISO AOS LEITORES&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Durante os meses de janeiro e fevereiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt; não publicarei artigos no blog.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;Retomarei a publicação semanal em março.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-5033444013390354109?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/5033444013390354109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=5033444013390354109&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5033444013390354109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5033444013390354109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/01/aviso-aos-leitores-durante-os-meses-de.html' title=''/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-8549088915598130625</id><published>2010-01-24T15:32:00.004-02:00</published><updated>2010-01-24T15:37:36.899-02:00</updated><title type='text'>Divulgação de Cursos - 2010</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S1yEzU8x3yI/AAAAAAAAAwk/pjka1L0zo4w/s1600-h/Hist%C3%B3ria+da+Arte+(Divulga%C3%A7%C3%A3o+2010).jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 288px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430361268033806114" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S1yEzU8x3yI/AAAAAAAAAwk/pjka1L0zo4w/s400/Hist%C3%B3ria+da+Arte+(Divulga%C3%A7%C3%A3o+2010).jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S1yEo8OqlYI/AAAAAAAAAwc/bG1X8WKPzMM/s1600-h/Arte+Contempor%C3%A2nea+(Divulga%C3%A7%C3%A3o+2010).jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 281px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5430361089599247746" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S1yEo8OqlYI/AAAAAAAAAwc/bG1X8WKPzMM/s400/Arte+Contempor%C3%A2nea+(Divulga%C3%A7%C3%A3o+2010).jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cursos de História da Arte com inscrições abertas na Fundação Casa das Artes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Clique nas imagens para mais informações&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S1yEaXpmLCI/AAAAAAAAAwU/6tKkAnXg8Gk/s1600-h/Arte+Contempor%C3%A2nea+(Divulga%C3%A7%C3%A3o+2010).jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-8549088915598130625?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/8549088915598130625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=8549088915598130625&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8549088915598130625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8549088915598130625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/01/divulgacao-de-cursos-2010.html' title='Divulgação de Cursos - 2010'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/S1yEzU8x3yI/AAAAAAAAAwk/pjka1L0zo4w/s72-c/Hist%C3%B3ria+da+Arte+(Divulga%C3%A7%C3%A3o+2010).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-210698772228304918</id><published>2010-01-09T23:15:00.002-02:00</published><updated>2010-01-09T23:19:26.747-02:00</updated><title type='text'>Entrevista - Jornal Pioneiro, 09/01/10</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Máquina de experiências coletivas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Mirante encerra uma investigação sobre os Anos 00 e seus efeitos. O mestre em Ciências Sociais Clóvis Da Rolt avalia os principais acontecimentos e fenômenos dos Anos 00 e de que forma eles afetam a vida no planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mirante: Quais os protagonistas de maior relevância nos Anos 00?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clóvis Da Rolt: Entre os gregos, chamava-se protagonista aquele que lutava na linha de frente. Prefiro não pensar em alguma pessoa ou personalidade, pois corre-se o risco de ser reducionista ou de fabricar vilões ou heróis como síntese de um emaranhado de relações. Creio que a grande protagonista dos Anos 00 é a comunicação. Esse fenômeno fixou-se como instância que tomou para si a função de narrar o “real”, distribuindo-o através de imagens conflituosas e dispersivas. A impressão é de que os Anos 00 não foram vividos, individualmente, por pessoas de carne e osso, mas por uma grande máquina articuladora de experiências coletivas capaz de lançar todos os indivíduos em direção a uma arena pública, cujos efeitos ficarão mais visíveis nas próximas décadas. A proliferação dos sentidos atribuíveis à realidade é a grande marca dos Anos 00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mirante: Qual o acontecimento mais significativo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Rolt: A queda das torres gêmeas do World Trade Center, em 2001, é a ocorrência central. Mais do que cimento, metal e vidro, o que desmoronou foi um símbolo de poderio econômico e influência cultural. Depois da queda, instalou-se um pânico generalizado, que foi alimentado como forma de justificar as investidas bélicas no Oriente Médio. Uma simples tesoura de cutícula foi elevada à categoria de armamento pesado nos aeroportos e muitas pessoas foram submetidas a constrangimentos por possuírem um fenótipo indiscriminadamente caracterizado como “árabe”. E o campo da Comunicação se fez presente. A poeira dos escombros mal havia assentado e as câmeras já transmitiam tudo num grande espetáculo televisivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mirante: Qual a melhor e a pior notícia dos Anos 00?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Rolt: O “melhor” e o “pior” são qualificações suspeitas. O melhor e o pior dos Anos 00 podem estar ainda ocultos. Contudo, cito três eixos que renderam as piores notícias: a corrupção nas instâncias políticas em nível global, as reviravoltas climáticas e suas consequências e a disparidade ainda gritante entre nações desenvolvidas e subdesenvolvidas. As melhores notícias – quando não produzidas como mero sucedâneo ou como promessa de felicidade dissimulada – foram aquelas que mostraram alternativas de vida menos animalescas e menos competitivas do que a vida que atualmente levamos como cidadãos tributáveis, que se relacionam por meio de interesses velados típicos de uma perspectiva de vida mediana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mirante: Qual o impacto dos Anos 00 na vida no planeta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Rolt: A década também foi construída por meio de heranças. Portanto, não há um só impacto, mas muitos. O primeiro é que teremos de mudar nossa atitude em relação ao meio ambiente e investir em uma educação ecológica que acabe com a dualidade do modelo cartesiano de homem, o qual quis dominar a natureza sem importar-se se isso significava a sua escravização. Tal atitude deverá acontecer como resposta às agressões causadas pelo hiperconsumismo do capitalismo global. Outro impacto relaciona-se às novas formas de sociabilidade mediadas pelas tecnologias, que vêm delineando processos de contato marcados pela desmaterialização dos afetos e pela virtualização das sensibilidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-210698772228304918?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/210698772228304918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=210698772228304918&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/210698772228304918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/210698772228304918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/01/blog-post_09.html' title='Entrevista - Jornal Pioneiro, 09/01/10'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-8829641326362296493</id><published>2010-01-09T23:15:00.000-02:00</published><updated>2010-01-09T23:17:06.763-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-8829641326362296493?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/8829641326362296493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=8829641326362296493&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8829641326362296493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8829641326362296493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2010/01/blog-post.html' title=''/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-8798798333164114176</id><published>2009-12-23T15:28:00.004-02:00</published><updated>2009-12-23T18:26:59.272-02:00</updated><title type='text'>Passando a régua em 2009!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SzJ9CeFXHVI/AAAAAAAAAwM/DbYzMRhDzpA/s1600-h/Borboleta+2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 297px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5418530783068888402" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SzJ9CeFXHVI/AAAAAAAAAwM/DbYzMRhDzpA/s400/Borboleta+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SzJToc2eIYI/AAAAAAAAAwE/fiSt71dCLaw/s1600-h/Brabuleta.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Fiz essa foto ontem. Ela me pareceu pertinente como forma de encerrar as publicações deste ano de 2009. Ano que vem estarei de volta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-8798798333164114176?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/8798798333164114176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=8798798333164114176&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8798798333164114176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8798798333164114176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/12/passando-regua-em-2009.html' title='Passando a régua em 2009!'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SzJ9CeFXHVI/AAAAAAAAAwM/DbYzMRhDzpA/s72-c/Borboleta+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7164449393706612708</id><published>2009-12-21T21:02:00.004-02:00</published><updated>2009-12-21T21:11:57.313-02:00</updated><title type='text'>A patacoada da Dilma</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sy__IAV8beI/AAAAAAAAAv8/NIDwMeETiQY/s1600-h/Escher+3.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 308px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417829389746073058" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sy__IAV8beI/AAAAAAAAAv8/NIDwMeETiQY/s320/Escher+3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;"Relatividade" - Litografia de M. C. Escher&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em tempos de hiper-verbalização sobre a crise ambiental que assola o planeta, é comum ouvir propagandismos acalorados em defesa do meio-ambiente. Em recente pronunciamento na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Copenhagen, a Ministra Dilma Roussef resvalou feio numa afirmação que deu o que falar. “O meio-ambiente”, disse ela, “é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável.” Ninguém entendeu, ao certo, o que a Ministra quis dizer com sua afirmação, tampouco ela. O que parecia uma fala neutra – típica destas grandes conferências onde um discurso reproduz o outro sem criar conflitos – rendeu críticas imediatas à candidata à sucessão presidencial, que encarnou a colegial recém-concluinte do Ensino Médio que lê uma redação despretensiosa para seus colegas inseguros quanto ao futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver o pronunciamento da Ministra, imediatamente pensei que ela deve ter esquecido que estava participando de um evento internacional, cujos microfones estavam plugados no mundo. Nitidamente, a fala da Ministra inverteu os termos. Ela colocou o meio-ambiente na condição de vilão da história (como se ele fosse uma entidade programada para voltar-se contra o ser humano) e defendeu o “desenvolvimento sustentável” como um recurso a ser privilegiado. Ora, sabemos que o que acontece é exatamente o contrário, ou seja, fala-se em “desenvolvimento sustentável” como uma possibilidade de se reverter o atual quadro de destruição gerado pelo próprio homem, esse sim uma ameaça real e constante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso, no entanto, que a expressão “desenvolvimento sustentável” não é outra coisa senão um eufemismo criado e disseminado para amenizar a animalidade do capitalismo frente à sua inserção em formas de articulação política e retórica. Basta ver o exemplo das grandes empresas poluidoras que fazem o oxigênio virar dinheiro através da negociação das cotas de carbono. Transferir responsabilidades sobre a destruição é desenvolver-se de forma sustentável? “Desenvolvimento sustentável”, a meu ver, é um novo rótulo usado para atualizar a abordagem sobre um velho problema: o homem é um ser destruidor e que sente prazer na destruição. As crianças, quando destroem seus brinquedos, estão exercitando uma prazerosa animalidade ancestral que se torna mais sofisticada quanto mais é exercitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comprometimento com o meio-ambiente tornou-se a vedete dos pronunciamentos políticos. Por certo, há uma dicotomia neste fato. Se, por um lado, nos últimos tempos as atenções voltaram-se para a preservação da vida planetária tornando-a uma questão de interesse social, por outro lado elas vincularam-se à estratégia do discurso político que não almeja nada além de sua própria renovação (embora ele continue sendo sempre o mesmo, um discurso vazio), de modo a tomar para si uma pauta que, previamente, vem gozando de grande prestígio internacional. O governo Lula, por exemplo, soube aproveitar muito bem esta nova etiqueta da sustentabilidade para inserir-se em discussões internacionais, levando os biocombustíveis e as reservas de água e petróleo a galope.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É notável observar de que modo as discussões relativas ao meio-ambiente vêm produzindo um local de convergência para as falas políticas universalistas. Atualmente, parece que a visibilidade de uma nação não está apenas na sua extensão territorial, no seu PIB acumulado, no seu poderio militar ou na sua influência econômico-cultural em relação ao resto do mundo. Os Estados Unidos (país que encabeça a lista dos maiores poluidores do planeta) têm tudo isso, mas precisavam de mais: surgiu, então, a figura de Al Gore para criar a imagem de um país comprometido com as questões ambientais. Cada vez mais, a preservação do meio-ambiente aparece como pauta conectiva capaz de ligar diferentes países e culturas a esferas supra-nacionais e supra-culturais. A política, com seus habituais métodos dissimulados, vem tirando proveito disso, o que resulta em patacoadas ditas em tom solene.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O imaginário contemporâneo vem sendo povoado por elementos simbólicos que remetem a valores biosférico-transcendentais. Parece que só agora a vida tornou-se rara e preciosa. Parece que só agora descobriu-se que o mundo precisa cuidar do mundo. Chegamos ao limite da chacina ecológica. Só recentemente – a despeito de toda técnica, ciência e progresso acumulados ao longo da existência humana – percebeu-se que o cuidado com o planeta é responsabilidade única do ser humano, seu principal agressor. Mas para Dilma, o culpado é o meio-ambiente que incomoda o desenvolvimento: ato falho, convicção ou excesso de confiança em quem escreveu seu discurso? Quero crer na terceira opção.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta, de Bento Gonçalves-RS, em 22/12/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7164449393706612708?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7164449393706612708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7164449393706612708&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7164449393706612708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7164449393706612708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/12/patacoada-da-dilma.html' title='A patacoada da Dilma'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sy__IAV8beI/AAAAAAAAAv8/NIDwMeETiQY/s72-c/Escher+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2443588921382876599</id><published>2009-12-14T20:25:00.005-02:00</published><updated>2009-12-14T20:32:10.069-02:00</updated><title type='text'>O Butão da televisão</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sya7hbTgH_I/AAAAAAAAAv0/Re2Y7fomc64/s1600-h/Iran+2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 220px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5415221784899231730" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sya7hbTgH_I/AAAAAAAAAv0/Re2Y7fomc64/s320/Iran+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt; &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Pintura sobre painel - Obra de Iran do Espírito Santo&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Acabo de assistir a uma reportagem realizada pela jornalista Ana Paula Padrão sobre sua visita ao Butão, país asiático que faz fronteiras com a China e a Índia. Enquanto a jornalista descrevia sua experiência de contato com a cultura butanesa, o gerador de caracteres mostrava a expressão “Butão: reino da felicidade”, mediante o qual o telespectador era orientado a captar, por meio das imagens televisivas, o estado mítico e vaporoso daquele país tão diferente do Brasil. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O principal equívoco deste tipo de reportagem é sempre o mesmo: um ocidental pisa em solo que desconhece, com cujo modo de vida não está acostumado e, de repente, se dá conta de que um cotidiano cercado de comida enlatada, de crianças fabricadas em laboratório, de preocupações em adquirir a roupa da moda, de reuniões virtuais por meio do recurso da teleconferência e de diversas formas de secularização não dá conta de representar a totalidade do que o mundo é. Assim, o termo “exótico”, usado várias vezes para descrever a condição cultural do Butão, acaba sendo o rótulo preferido para definir o desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reportagem apresentada pela jornalista seguiu o velho roteiro padronizado deste tipo de produção televisiva. Conversa-se com algumas pessoas numa língua “exótica”, experimentam-se bebidas e comidas “exóticas”, participa-se de um ritual religioso “exótico” e mostra-se o jeito “exótico” das pessoas viverem e se relacionarem. Contudo, em nenhum momento a jornalista levou em consideração que a única figura “exótica” naquele contexto era ela mesma, com suas roupas “exóticas”, seu óculos de sol “exótico” e sua câmera filmadora “exótica”. Enquanto os butaneses continuavam sua vida no suposto “reino da felicidade”, um alien ocidental, oriundo do “reino do capitalismo infernal”, relatava tudo com olhares de perplexidade a fim de comercializar sua experiência de contato humano. É bom lembrar que a jornalista não estava lá a passeio, mas para produzir uma mercadoria para a televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reportagens que propõem a imersão em um ambiente cultural alheio dificilmente levam em consideração o complexo desdobramento histórico que gera as diferentes formas de apropriação material e simbólica do mundo. Deste modo, os reducionismos na forma de apresentação da “outra cultura” não fazem mais do que criar uma iguaria televisiva estrategicamente elaborada para alimentar as curiosidades dos telespectadores, que não estão dando a mínima para qualquer pensamento que tente mostrar que a cultura é uma instância plural, uma zona de deslocamento, como diz o antropólogo Stuart Hall.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num dado momento da reportagem, a jornalista apresentou detalhes da arquitetura butanesa, em cuja ornamentação é muito comum a presença de pinturas, relevos e esculturas no formato de um pênis humano, símbolo considerado sagrado dentro da cultura butanesa e que, num possível diálogo com o ocidente, encontra uma semelhança com o culto ao deus romano Príapo, que exibia seu falo nas termas e residências da Roma Antiga. O interessante deste detalhe da cultura butanesa é que ele é explorado pelo seu lado “exótico”, fora dos padrões, com um sabor medieval que força a pensá-lo como algo que não evoluiu e parou no tempo, afinal, como um país ainda pode cultivar ídolos arcaicos com formas de falo? Contudo, se alguém vasculhasse a bolsa Prada de Ana Paula Padrão, dela poderia retirar, talvez, uma figa, um pé de coelho, uma ferradura, uma guia de proteção da Umbanda ou uma imagem de um santo católico, objetos altamente “exóticos” para os butaneses que só recentemente receberam a telefonia celular em seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os butaneses têm o pênis como ídolo, nós temos os “pen drives”. Quem é mais exótico? Quem parou no tempo e quem evoluiu? Será que pegar uma câmera e mostrar que “eles” são diferentes de “nós” tem alguma relevância ou algum impacto efetivo no sentido de propor um olhar mais relativista e menos etnocêntrico sobre o solo em que pisamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A próxima parada da jornalista – ela já anunciou – será em Vancouver, no Canadá. Mais uma reportagem produzida num frio de gradações negativas tentará mostrar que “nós” não somos “eles”. Reportagens televisivas sobre contextos culturais “exóticos” tornaram-se uma febre. Todavia, elas poderiam ser mais ricas e consistentes se não fossem tão esquematizadas e preconceituosas ao definirem, sumariamente, posições fixas tanto em relação a quem observa quanto em relação a quem é observado, o que motiva os espectadores a alimentem a ilusão de que a realidade em que estão inseridos corresponde à forma mais autêntica de realizar a humanidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta, de Bento Gonçalves-RS, em 15/12/09&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2443588921382876599?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2443588921382876599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2443588921382876599&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2443588921382876599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2443588921382876599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/12/pintura-sobre-painel-obra-de-iran-do.html' title='O Butão da televisão'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sya7hbTgH_I/AAAAAAAAAv0/Re2Y7fomc64/s72-c/Iran+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-5673207829632803317</id><published>2009-12-07T18:48:00.003-02:00</published><updated>2009-12-07T18:55:31.826-02:00</updated><title type='text'>O fim da história</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sx1qUQs8V7I/AAAAAAAAAvs/kbhhOvS3UL4/s1600-h/Iole.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412599223482603442" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sx1qUQs8V7I/AAAAAAAAAvs/kbhhOvS3UL4/s320/Iole.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Obra de Iole de Freitas&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há um ramo das teorias sociais que advoga que estamos vivendo o fim da história. Isso não quer dizer que estamos vivendo o fim dos tempos por meio do anúncio profético das ciências da cultura, tampouco que devemos correr aos cinemas para ver o filme 2012 como forma de preparar o espírito para uma grande catástrofe planetária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O fim da história, do modo como vem sendo propugnado por algumas teorias sociais, equivale à condição de vida das sociedades contemporâneas que não mais atribuem à história a centralidade do poder de organização da vida coletiva. Fruto de profundas desconfianças em relação à tradição, ao relato progressista dos vencedores, às estruturas do pensamento unificador e às “certezas” fundadas na noção de que a vida passa por estágios sempre ascendentes, as teorizações sobre o fim da história colocam em dúvida a legitimidade de todo o campo da cultura, sobretudo no que se refere à sua vinculação com ideais de aprimoramento e elevação moral. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nietzsche compreendeu como ninguém a relação do homem com a história e, por isso mesmo, não é à toa que seu pensamento é evocado sempre que se queira pontuar em que momento começamos a desconfiar do poder de verdade absoluta da história. Numa experiência de fim da história, há uma concentração plena na compreensão do momento presente, pois aquilo que a história nos conta não é fruto de dados objetivos e válidos por si só, mas de interpretações que outras pessoas fazem a partir de circunstâncias muito particulares. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Vivemos um momento em que a configuração das relações humanas está visivelmente modificada. Os padrões de conduta que moldaram a sociedade moderna estão em declínio. A vida atual, tanto em sua dimensão individual quanto coletiva, transformou-se em algo cuja natureza é insatisfatória, incerta e sem um sentido fixo traduzido pela história. Na experiência de fim da história, não se almeja chegar a lugar algum, pois não há um ideal mais verdadeiro ou uma moral mais correta a serem cultuados e transmitidos a outras gerações. O próprio conceito de “geração” passou ser problemático. O que é uma geração? Um exemplo claro: alguém, hoje, ainda pensa em iniciar um namoro do jeito que faziam os nossos avós? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No plano prático, podemos ver como a experiência de fim da história se manifesta na insatisfação constante que desenvolvemos com a aparência do nosso corpo (cirurgias plásticas, mudança de sexo, dietas de emagrecimento); em nossas atividades profissionais que podem variar em curtos espaços de tempo (descrédito à formação acadêmica, hiper-valorização da experiência momentânea e não-transmissível, migrações profissionais, fim das carreiras); nos arranjos familiares atuais e suas expressões anti-tradicionais (casais homossexuais, mães solteiras por opção de vida, inseminação por meio de bancos de sêmen); na queda dos modelos éticos de perenidade e sua substituição por modelos provisórios e descartáveis, consumidos ao bel prazer da situação (ídolos da indústria do entretenimento e dos meios de comunicação de massa, discurso de lideranças políticas e religiosas); na mobilidade humana que faz as pessoas circularem pelo globo dando vida aos muitos dialetos capazes de narrar a existência e elevá-la a uma profusão de símbolos, relatos, discursos e sentidos (turismo, migrantes em busca de trabalho, refugiados políticos); em experiências religiosas que, muitas vezes, são apreendidas como práticas itinerantes em busca da divindade mais eficaz ou capaz de agir com mais imediatismo (sincretismo religioso, iniciação em várias religiões, esoterismo); na aceleração das percepções acerca do tempo e na necessidade de viver numa espécie de simultaneidade que otimiza as experiências (cursos intensivos de idiomas, faculdades que podem ser cursadas no sistema de educação à distância em pouco mais de um ano, pacotes turísticos do tipo “conheça o Brasil em dez dias”, veículos como o Lamborghini Gallardo que vai de 0 km a 100 Km em apenas 3,9 segundos). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A consciência de que temos uma história despertou por volta do século 16, fortemente impulsionada pela ciência e pela idéia de que, por meio da história, seria possível civilizar o ser humano e diferenciá-lo das demais espécies vivas por meio de sua racionalidade. Hoje, contudo, vemos que o que aconteceu foi o oposto: a história foi usada como ferramenta de opressão e como o lugar da fala dos mais fortes e poderosos. Benjamin, filósofo e crítico alemão, sintetizou magistralmente a relação conflituosa da história com a transmissão cultural em sua célebre afirmação: “não há um documento de cultura que não seja também um documento de barbárie.” Tanto a história quanto a cultura que lhe segue acoplada não têm valor universal, não são essências ou campos auto-referentes. São, isso sim, elementos a partir dos quais devemos exercitar nossas desconfianças a fim de pensarmos no mundo como abertura e como espaço onde a vida transcorre sob muitas indefinições.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta, de Bento Gonçalves, em 08/12/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-5673207829632803317?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/5673207829632803317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=5673207829632803317&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5673207829632803317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5673207829632803317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/12/o-fim-da-historia.html' title='O fim da história'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sx1qUQs8V7I/AAAAAAAAAvs/kbhhOvS3UL4/s72-c/Iole.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7258720870326360984</id><published>2009-11-30T19:08:00.003-02:00</published><updated>2009-11-30T19:10:19.236-02:00</updated><title type='text'>Dezembro gasoso</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SxQ0YIEKylI/AAAAAAAAAvk/Zrp9L5DZZUo/s1600/Smetak.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410006641465281106" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SxQ0YIEKylI/AAAAAAAAAvk/Zrp9L5DZZUo/s320/Smetak.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Escultura sonora de Walter Smetak&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Natal não foi feito para pessoas como eu, que não concordam em agir como personagens mais enternecidas ou mais humanizadas por exigência da proximidade do fim de ano. Conheço gente que não vale um vintém, mas que no final de ano se transforma completamente, muda o discurso, apela à solidariedade e amansa a fala como se precisasse disso para se integrar à paranóia coletiva das celebrações natalinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que muita gente não entende o que estou dizendo e deve achar uma heresia contestar os valores pregados pelo Natal, uma data considerada altiva e movida por princípios nobres. No entanto, a compreensão que temos do mundo é muito limitada para aceitarmos uma única forma de descrevê-lo e apresentá-lo. Assim, penso que o Natal não é este fenômeno universal que assume uma categoria de verdade onipotente. Faço parte de um grande contingente de pessoas que repudiam a artificialidade das festas natalinas, e o fazem exatamente pelo fato de não se sentirem enquadradas às suas exigências e às cobranças que advém dos simulacros e estereótipos culturais que o Natal impõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrateiramente, chega dezembro e a sanidade humana passa a ser o principal foco de atenção social. Tudo é motivo para se pensar no perdão, na alteridade e em alternativas para tornar o mundo mais espiritualizado. Até novembro, éramos a mais miserável espécie viva do planeta: matávamos, roubávamos, violentávamos crianças, agredíamos mulheres, driblávamos os impostos, comprávamos juízes e políticos, devastávamos a natureza. Mas basta entrar dezembro para que o discurso mude: a partir de hoje, dia primeiro, somos a melhor e mais perfeita espécie viva do planeta, a única movida por uma inigualável capacidade de amar e de promover o bem-estar social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sei, a esta altura devem estar dizendo que tenho algum problema de adequação, que sou insensível ou que, para usar um chavão, “tenho uma pedra no lugar do coração.” De fato, é isso mesmo: deixo de ser humano em dezembro, tiro férias do mundo, vou para onde as superficialidades não têm acesso. Vou para dentro de mim, lá onde ninguém alcança. Aprendo um idioma que só eu falo, vejo coisas que ninguém vê, caminho por ruas imaginárias, majestosamente belas em sua simplicidade e limpidez. O mundo não é meu lugar neste mês arruinado por luzes, cores e formas absurdamente feias e diletantes. A partir de hoje, estou ausente, em estado gasoso, não são meus estes valores impostos como experiências necessárias pela proximidade do Natal. Salto de novembro para janeiro, subtraio da minha vida trinta tediosos dias que me permitem ser menos hipócrita comigo mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem é um ser feito de enganos: engana a si mesmo para não encarar o que realmente precisa ser combatido. Há muito fingimento circundando a época natalina, muito mise-en-scène, muitos enfeites e penduricalhos que estão nas ruas e casas somente para esconder as mazelas que deveríamos combater, as quais não encaramos por falta coragem, de iniciativa ou de postura crítica. Enquanto isso, somos seduzidos por árvores natalinas que, a cada ano que passa, ficam mais altas e imponentes (veja-se o exemplo da árvore de Aracaju, em Sergipe, que este ano terá 110 metros de altura). O que justifica tal gigantismo é a debilidade humana que, enquanto ergue estes monumentos sazonais, permite a miniaturização ética do mundo como um todo. Se todos os meses fossem como dezembro, seria preferível morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dezembro causa um nó em meu estômago. Costumo desconfiar do excesso de abraços, beijos e palavras doces que esta época do ano dissemina, porque sei que tais manifestações são circunstanciais, são produtos do engano e de uma realidade que se coloca em estado suspenso para não ferir as potências simbólicas e os rituais sociais que movimentam a indústria, o comércio e os humanismos gangrenados. A mídia, por exemplo, já começou a dar vazão ao besteirol natalino. Já estão no ar os enfadonhos comerciais sobre o Natal e suas mensagens empacotadas, as reportagens sobre a roupa mais adequada para vestir na noite da ceia, os editoriais que indicam a festa mais badalada para as pessoas “in”, as campanhas que recolhem donativos para os mais necessitados mesmo que ninguém se importe com eles durante o resto do ano e, é claro, muito apelo ao consumismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Natal que se aproxima – numa leitura inserida na contramão do consenso manipulado –, pode ser a síntese da animalidade humana que não toma consciência de si própria e que, ainda por cima, faz de tudo para parecer nobre em meio às estratégias do espetáculo e da decadência cultural. Dezembro é gasoso e irreal. Desconfio de sua amabilidade e doçura, pois elas podem ser sinais de uma profunda violência silenciada que não deixa marcas externas, mas agride o interior, lá onde poucas pessoas querem, de fato, estar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta, de Bento Gonçalves-RS, em 1º/12/09&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7258720870326360984?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7258720870326360984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7258720870326360984&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7258720870326360984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7258720870326360984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/11/dezembro-gasoso_30.html' title='Dezembro gasoso'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SxQ0YIEKylI/AAAAAAAAAvk/Zrp9L5DZZUo/s72-c/Smetak.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2833027124193102699</id><published>2009-11-28T18:31:00.002-02:00</published><updated>2009-11-28T18:38:21.250-02:00</updated><title type='text'>De um grito a outro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SxGJLoFbF8I/AAAAAAAAAvU/Py5eFk3cMVM/s1600/Renn%C3%B3.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 298px; DISPLAY: block; HEIGHT: 198px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5409255460280408002" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SxGJLoFbF8I/AAAAAAAAAvU/Py5eFk3cMVM/s320/Renn%C3%B3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Obra de Rosângela Rennó presente na 7ª Bienal do Mercosul &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Grito e escuta. Imagem forte para uma Bienal suspensa numa perspectiva dialógica. De um lado a emissão da mensagem artística em seus decibéis modulados entre a tenuidade e o exagero. Do outro, sua recepção como onda que se propaga nas variações do compreensível e do descartável. Grito e escuta. Movimento de ida e vinda. Flecha que percorre o espaço entre o arco e o alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com este jogo de palavras inicial, creio ser possível propor uma entrada para uma breve análise de alguns aspectos relativos à Bienal do Mercosul, que, nesta edição de 2009, traz a expressão “Grito e escuta” como perspectiva temática. Sem dúvida, trata-se de uma tensão que quer ser comunicada, além de um bom mote para se pensar a trajetória da Bienal sulista desde sua primeira edição, em 1997. Com seis edições já realizadas, a grande Mostra porto-alegrense está balbuciando as primeiras palavras – talvez ainda não transformadas em um grito que se faz ouvir de longe –, feito um infante que, aos poucos, vai se adaptando ao universo adulto e, conseqüentemente, às exigências deste universo. Entre erros e acertos, a cada nova edição o evento revisita sua curta trajetória, calibra seus objetivos e esforça-se em buscar um lugar de referência frente ao conturbado cenário das artes visuais na contemporaneidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um modo geral, a explosão das Bienais – talvez um modismo – foi um fenômeno que começou a se estruturar a partir da década de 1980, quando reinavam absolutas as Bienais de Veneza e de São Paulo, criadas, respectivamente, em 1895 e 1951, além da Documenta de Kassel, realizada a cada cinco anos e surgida em 1955 com o intuito de reconstruir a vanguarda moderna que o regime nazista havia vetado sob a alcunha de “arte degenerada”. Atualmente, há várias Bienais espalhadas pelo mundo, fato que se integra às mais recentes teorias de cunho pós-colonialista que dão voz a diversos contextos culturais antes condenados à inexpressividade frente ao projeto estético da modernidade, essencialmente eurocêntrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, cidades como Istambul (Turquia), Montreal (Canadá), Bangalore (Índia) e Tegucigalpa (Honduras) sediam suas Bienais, de modo a ventilar a produção artística contemporânea e fazer com que os gritos se espalhem e possam ser escutados em qualquer canto, o que abre possibilidades de circulação de códigos artísticos em perspectivas globais e não apenas localizadas em centros que, historicamente, oficializaram o gosto artístico em suas formas de produção e recepção. Todavia, não obstante a salutar negociação dos valores artísticos num âmbito abrangente, é recorrente que se pense sobre o risco de que as Bienais consideradas “periféricas” não façam mais do que trazer para o debate artístico a sua contribuição como vitrines de artefatos exóticos ou como eventos político-reacionários, interessados apenas em contestações tópicas e sem maior alcance efetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pondera-se que a proliferação dos formatos expositivos do tipo Bienal corresponde a um esgotamento do projeto da modernidade em que se inseriam os Museus e as práticas de consumo artístico-cultural que eles cristalizavam. É notável considerar que, no encalço das teses que propõem um suposto esgotamento das diretrizes estéticas do Museu, ocorreu também a criação, a partir da década de 1960, dos chamados Centros Culturais, em sua grande maioria formatados a partir das Maison des Arts francesas, das quais o Centro Georges Pompidou, em Paris, foi eleito modelo de referência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O formato expositivo do tipo Bienal pode ser visto, na atualidade, como uma alternativa aos Museus e Centros Culturais. E nisso reside uma de suas especificidades. Por terem adquirido um estatuto de grande visibilidade social, as Bienais passaram a ser não apenas uma opção de consumo cultural, um meio de consagração artística e um veículo desestabilizador da estética moderna, como também a competir com os Museus e os Centros Culturais na outorga daquilo que é considerado “legítimo” tratando-se, especificamente, da arte contemporânea. Esta discussão não é recente e remonta a uma série de autores como Pierre Bourdieu, Douglas Crimp, Arthur Danto, Hans Belting e Aracy Amaral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um modo geral, a arte fala de alguma coisa que a ultrapassa. Por isso mesmo, as tentativas de descrevê-la mediante um conceito foram sempre transitórias e contingentes. Como sinaliza Gadamer, a obra de arte guarda um desafio que espera ser correspondido, além de exigir uma resposta que somente pode dar quem o tenha aceitado. Assim, a 7ª Bienal do Mercosul constitui um espaço de desafio. Isso não quer dizer que a questão se resume a discutir o que é e o que não é arte, já que este peneiramento não compete a ninguém individualmente, pois se trata de um fenômeno complexo, cercado por forças históricas, poderes manifestos, articulações veladas e lutas travadas em instâncias às quais, muitas vezes, a maioria das pessoas não possui acesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitar a 7ª Bienal do Mercosul pode ser um bom motivo para exercitar a dúvida e a perplexidade, contrapondo-as às antigas crenças e às formas de fruição assimiladas pelo discurso da “certeza” e da “unidade” que moldou a cultura ocidental desde os tempos do Iluminismo, mas que, atualmente, encontra-se profundamente abalado. Não somos privilegiados com tal abalo, tampouco devemos vê-lo como o flagelo que nos consome. Eis a questão que a arte contemporânea nos coloca: depois de tanta transformação, quem somos nós, afinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso olhar – isso é compreensível – ainda almeja um ressurgimento das formas clássicas como ideais de elevação. Outrora, a arte nos mostrava o caminho, falava de coisas que conhecíamos (ou fingíamos conhecer). Atualmente, somos envolvidos em acidentes visuais e em refluxos de linguagem. Os desmanches metodológicos e a quase inexistência de fronteiras disciplinares na arte atual são vetores de um profundo ofuscamento do qual partilhamos. Nem mesmo o fingimento garante uma posição agradável, pois ele deságua em fraqueza: em duas fraquezas – a da obra e a do espectador – que não compõem uma força. Para onde ir? Há saída?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 7ª Bienal do Mercosul vem somar esforços para nos ajudar a ponderar sobre antigos dilemas. As respostas surgirão em intensidades proporcionais às perguntas. Todavia, há um engano em pensar que à arte cabe apenas a missão dualista e paradoxal de, por um lado, oferecer-se como fonte de indagação e, por outro, dar respostas e apaziguar o espírito. “Ela nos mostra a máquina humana sob altíssima pressão”, lembra Guyau. Por isso mesmo, há que se vasculhar os espaços que moldam o percurso entre a pergunta e a resposta, entre o grito e a escuta. Muitas vezes, as extremidades mentem porque querem tomar para si o discurso do todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As idéias, motivações, mecanismos e interesses que determinam a produção de obras de arte, por serem histórica e socialmente condicionados, estão também presentes na forma de abordagem e apreciação exigidas e formuladas como convenções dentro de um determinado contexto, o que Hans Belting chama de period eye. Deste modo, se a arte contemporânea, à primeira vista, parece banal e estéril, talvez seja porque ela articula os signos de uma cultura que a alimenta sem qualquer intenção de entroná-la nas alturas do êxtase religioso, como o fez a arte medieval; elevá-la a uma apoteose humanista como o fez a arte da renascença; relacioná-la aos ideais morais da ciência e da política como o fez o Iluminismo, ou armá-la contra a tradição e os arcadismos, como o fez a arte moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No atual momento da existência humana, somos tão estranhos à arte quanto ela é para nós. Deste modo, a Bienal do Mercosul insere-se no campo impregnado de incertezas e irrupções de sentido que mapeiam a vida nas sociedades contemporâneas, em que os gritos nem sempre são audíveis frente à ânsia pelo silêncio que pode ser mais eloqüente. “Grito e escuta”, essa imagem persuasiva que acompanha a 7ª Bienal do Mercosul, talvez sintetize a posição que ocupamos no atual mundo da arte, pois se há um chamado, há também a possibilidade de traduzi-lo, de aceitá-lo ou não, bem como de levar adiante a tarefa interpretativa que circunda e justifica a razão de ser da arte. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Caderno de Cultura do Jornal Zero Hora, de Porto Alegre-RS, em 28/11/09&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2833027124193102699?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2833027124193102699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2833027124193102699&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2833027124193102699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2833027124193102699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/11/de-um-grito-outro.html' title='De um grito a outro'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SxGJLoFbF8I/AAAAAAAAAvU/Py5eFk3cMVM/s72-c/Renn%C3%B3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-1162906396584435297</id><published>2009-11-23T18:33:00.003-02:00</published><updated>2009-11-23T18:37:11.388-02:00</updated><title type='text'>Deixar marcas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SwrxzWsBJwI/AAAAAAAAAvM/qY-UOcp2l94/s1600/Cildo.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407400167177529090" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SwrxzWsBJwI/AAAAAAAAAvM/qY-UOcp2l94/s320/Cildo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Como construir catedrais - Obra de Cildo Meireles &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O que faz Maria Callas ser Maria Callas? O que fez ela ser o que foi, uma das maiores (talvez a maior) cantoras do século 20? O que faz ela ser o que ainda é hoje, após sua morte em Paris, em 1977? O que resta da Maria Callas que buscava em cada nota musical uma potência de vida para comunicar e encantar? Quem é a Maria Callas que assistimos por meio das gravações e das capturas sonoras das diversas mídias que hoje existem? Há algo na Maria Callas de hoje que existia na Maria Callas de outrora? Como reconstruímos Maria Callas a cada vez que um dos registros de suas interpretações é executado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo das flexões verbais não combina com as grandes personalidades. Há pessoas que estão no mundo ao mesmo em que não estão. Essa dupla condição, metade presença, metade ausência, não pode ser compreendida por quem leva a vida pautando-a nos ditames factuais das normas e nos critérios morais engessadores – que tanto influenciam os rumos das nossas vidas. Para as pessoas criadoras de beleza, que julgo possuírem uma personalidade holográfica, estar e não estar traduzem o perigo necessário para a criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certezas não têm lugar na esfera da arte e da estética, pois os frutos que elas nos permitem colher são da ordem da inexatidão, do mistério, dos eclipses interiores que não precisam de justificativas. Os valores, a justiça, a educação, a violência, o Estado, a história, são coisas que precisam de justificativas, pois não lhes sobra nada se seus esquemas justificadores forem aniquilados. Com a arte, acontece o oposto: a justificativa a empobrece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leminski dizia que a poesia é um ato criador que não precisa de nenhuma justificativa. Maria Callas não é algo que se justifique. Ela é o próprio deslumbramento que se origina da síntese da miséria e da grandeza humanas percebidas num mesmo ato, um ato fundador. Só há beleza quando algo é fundado, quando uma nova forma de captar o mundo desfaz o que parecia uma certeza. Foi assim com Michelangelo, que relutou em pintar o teto da Capela Sistina, no Vaticano, porque ele dizia que não era suficientemente bom como pintor e que outro artista deveria fazê-lo. Sem dúvida, a modéstia do gênio falava alto, porque o gênio sempre sabe que está no mundo para fundar algo novo, como também sabe da responsabilidade que tem em falar para a humanidade e não apenas para um séquito em torno de uma mesa de bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pessoas que estão desconectadas de si mesmas e, por isso mesmo, não lhes abalam os condicionamentos impostos pelas lógicas do tempo, algo que nós, que não somos Maria Callas, não saberemos jamais compreender. Pateticamente, cremos que fomos feitos para algum tipo de inserção ou adequação, que a nossa vida só vale a pena se se encaixar perfeitamente no espaço incerto entre o início e o fim. Queremos ocupar um lugar, queremos estar dentro, queremos a segurança dos alvarás da vida. Esquecemo-nos de que, muitas vezes, onde há certeza também há covardia e comodismo. As grandes personalidades desafiam a nossa pobreza de espírito e os nossos horizontes tão escassos de aventuras e flutuações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal qual Maria Callas, os grandes espíritos humanos, sobretudo os grandes criadores como Kafka, Cervantes, Michelangelo, Nietzsche e Pessoa (a lista é imensa), são como vapores fugidios que ousam lutar contra o rochedo da instituição racional e contra a captura do mundo por meio de seu espectro mais baixo, menos intenso e acomodado às expectativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes figuras humanas não passam pelo mundo para viver por si mesmas ou para si mesmas, mas para definir o que é necessário para que o mundo siga em frente. Sem beleza, é impossível saber para onde ir. E é por isso que figuras como Maria Callas permanecem no imaginário poético da humanidade, porque aquilo que elas definem é o que realmente nos leva adiante, preenche os vazios, motiva os desenquadres e alimenta as esperanças. Sem as manifestações da beleza, a humanidade perde duplamente: sua memória definha e qualquer sentido projetivo desmorona. Porque a beleza é o ponto de unidade, é para onde converge o destino de todos os seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua obra monumental, à qual intitulou “O Método”, Edgar Morin tece uma imagem fundamental para uma nova orientação em relação à forma como captamos o mundo à nossa volta, dotando-lhe de sentido. “O mundo é mais shakespeariano do que newtoniano”, diz Morin. O mundo é mais poético e estético do que prático e ético. Todavia, não é fácil viver essa premissa no cotidiano, onde o que mais importa é que todos sejamos iguais a todos, feito produtos de uma linha de montagem em que não há originais, somente cópias, e onde tudo poder ser substituído sem deixar marcas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 24/11/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-1162906396584435297?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/1162906396584435297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=1162906396584435297&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1162906396584435297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1162906396584435297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/11/deixar-marcas.html' title='Deixar marcas'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SwrxzWsBJwI/AAAAAAAAAvM/qY-UOcp2l94/s72-c/Cildo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-5273505947780803364</id><published>2009-11-20T20:52:00.002-02:00</published><updated>2009-11-20T21:06:57.624-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9SgrGIZ8RQg&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9SgrGIZ8RQg&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cantora Barbara &lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" 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href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/11/cantora-barbara-aretha-franklin-maior.html' title=''/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-6195113750328156444</id><published>2009-11-16T19:07:00.003-02:00</published><updated>2009-11-16T19:14:09.794-02:00</updated><title type='text'>Uma cidade na Idade Média</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SwG_QcvRW_I/AAAAAAAAAvE/OEbA0Ah7X4o/s1600/castelo.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 219px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5404811317134580722" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SwG_QcvRW_I/AAAAAAAAAvE/OEbA0Ah7X4o/s320/castelo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Castelo Rocca Maggiore, em Assis/Itália&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O contraste entre a ficção e a realidade é um dos temas centrais para se compreender a vida contemporânea. Livres das amarras da moderna tradição cultural que nos moldou como réplicas do continuísmo da razão, da história e de um mundo supostamente unitário, somos hoje sondados pela ficção e por seus desconcertantes métodos de sobrevivência. A realidade parece querer fugir de si mesma como o espírito desencarnado que abandona a matéria lúgubre. Já não se pode mais confrontar a realidade e a ficção como entidades opostas, pois, atualmente, uma fala por meio da outra, como se ambas vestissem camuflagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mais recente tática do jogo entre a realidade e a ficção pode ser associada a um projeto que visa à construção de um castelo medieval no Vale dos Vinhedos, caso típico em que se busca a superação da realidade para o triunfo da ficção. Isso funciona muito bem com os famigerados &lt;em&gt;blockbusters&lt;/em&gt; da indústria cinematográfica, os quais mostram o planeta acossado por inundações, terremotos, guerras nucleares e invasões alienígenas. Não importa o quão fantasioso ou débil seja o roteiro deste tipo de filme: sua função é meramente ficcional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando soube que uma réplica de um castelo medieval poderia ser construída em Bento Gonçalves, achei isso tão mirabolante que não pude deixar de pensar que uma bola de fogo de proporções quilométricas estaria prestes a atingir a atmosfera terrestre. Fui às compras, estoquei água e víveres para amenizar a penúria pós-hecatombe e, inclusive, cavei um buraco que chegou ao pré-sal para garantir que eu sobreviveria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num estudo escrito pela antropóloga Alessia De Biase (vinculada à Escola de Arquitetura de Paris), que se dedica a pesquisas sobre a assimilação cultural frente ao processo imigratório italiano, há menções explícitas ao aspecto ficcional de conjuntos arquitetônicos como os Caminhos de Pedra, aqui em Bento, e a Via Gênova, em Serafina Corrêa. A proposta do estudo da pesquisadora é clara: a arquitetura pode ser utilizada para ressuscitar cadáveres étnicos. O resultado deste processo é a construção de prédios cenográficos, cuja função de “objetos-sinais” causa o mesmo efeito que um cigarrinho do capeta: vê-se coisas onde elas não existem. No caso dos Caminhos de Pedra, há relatos de que algumas casas da localidade tiveram o reboco removido a fim de parecerem “mais italianas” e “mais convincentes” como reminiscências de um passado romantizado e mítico. Um casamento perfeito entre realidade e ficção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A possível construção de um castelo medieval no Vale dos Vinhedos se inscreve no mesmo tipo de prática arquitetônica que visa à expressão orgiástica do consumo de experiências exóticas e ficcionais, ou seja, é a mentira encarada como verdade devido ao prazer que ela gera por ser mentira e por não necessitar de justificação. Em defesa da construção, um vereador declara: “é preciso analisar que na Itália também existem castelos.” Sim, na Itália também existiu um ditador como Mussolini, e isso não quer dizer que precisamos de outro ditador por aqui. A declaração do vereador deixa transparecer o que realmente está por trás da opinião daqueles que defendem a construção do castelo: afirmar a italianidade local por meio de fantasias e vínculos históricos infundados, que são frutos da idolatria étnica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é para trazer um discurso cultural como pano de fundo para este debate, então sugiro que se construa uma grande oca no Vale dos Vinhedos, porque a nossa herança cultural nacional é indígena e não tem nada a ver com medievalismos feudais. Para muitas pessoas, deve ser motivo de vergonha admitir que combinamos mais com saiotes de penas coloridas do que com armaduras de ferro. Isso é compreensível, pois o herói nunca foi o índio, mas o assassino que lhe ceifou a vida. Iniciativas como esta, referente à possível construção do castelo medieval no Vale dos Vinhedos, não passam de entediante falta de criatividade (afinal, o castelo seria uma cópia), além de conduzirem ao avanço dos abortos capitalistas da indústria do entretenimento e do turismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa assim, primeiro ergue-se o castelo medieval com torres de quinze metros de altura; depois, alguma mente brilhante inventa que uma Rapunzel precisa morar na torre e, em seguida, alguém sugere que se montem espetáculos com muita luz e som para reviver as lutas cavalarianas com escudos e lanças, ao sabor das balelas turísticas. Insatisfeito, outro grupo de pessoas brilhantes começa a formular projetos para que o Estado financie a palhaçada com dinheiro público (meu e seu, caro leitor). Os donos do empreendimento, crentes de que promoveram um benefício à cidade, zelarão por seu brinquedinho “cultural” como o Mickey zela pela Disneylândia. Um banzé, como se diz por aí! Se o &lt;em&gt;souvenir&lt;/em&gt; predileto que se compra lá na Disney é um horrendo chapeuzinho com orelhas de rato, aqui vender-se-ão elmos inoxidáveis com a deprimente mensagem: “lembrança de Bento Gonçalves.” Perfeito para mentalidades medievais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 17/11/09&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-6195113750328156444?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/6195113750328156444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=6195113750328156444&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6195113750328156444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6195113750328156444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/11/uma-cidade-na-idade-media.html' title='Uma cidade na Idade Média'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SwG_QcvRW_I/AAAAAAAAAvE/OEbA0Ah7X4o/s72-c/castelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-4956076111873756783</id><published>2009-11-09T18:49:00.003-02:00</published><updated>2009-11-09T18:53:13.378-02:00</updated><title type='text'>A página dois é meu limbo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SviAc-soIKI/AAAAAAAAAu8/L1UlcfnP1mY/s1600-h/rosangela-renno.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 228px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5402208988385779874" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SviAc-soIKI/AAAAAAAAAu8/L1UlcfnP1mY/s320/rosangela-renno.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Obra de Rosangela Rennó&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A cada semana, neste hebdomadário, publico textos que versam sobre diversos assuntos. Um ato liberdade? Talvez sim, talvez não. Posso ser só mais um canalha em busca de visibilidade, como muitos por aí. Posso ser um grande farsante que conduz o pensamento fraco dos que precisam da orientação dos “formadores de opinião”, alcunha com a qual nunca me identifiquei. Nada tenho a ensinar, só o que aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se escrever é dissecar a si mesmo, toda semana chego ao jornal como aquilo que não é mais vivo, como um fragmento de algo que fora humano até o limite do suportável. A escrita exercita a taxidermia do corpo: no lugar da estopa, palavras. O que mais é necessário para chamar o mundo de mundo? Novamente estou aqui, plastificado pela idéia de que o novo sempre vem, ainda que o novo seja eu mesmo, o mesmo eu que a cada semana condensa uma presença dentre todas as ausências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras são entidades nômades e eu não as domino como verdade. Elas se curvam a muitos amos, são corruptas e estão sempre inscritas num espaço complexo entre o manifestado e o oculto. As mais belas palavras podem ser aquelas que não chegaram a tempo, que saíram do acostamento e caíram no precipício, que expiraram o prazo de validade antes mesmo de serem jogadas no espaço precário do consenso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sexta-feira, seis de novembro. Aqui faz quinze horas, mas em Pequim tudo é trituração de estrelas. A maré subiu em algum lugar do planeta, as dunas moveram-se nos desertos, as gentes morreram ingerindo a própria miséria. Mas aqui, do lado de fora da janela, pensa-se apenas em vender carros, lavá-los, deixá-los polidos para que pareçam novos como a minha aparição semanal. Eis o engano: a cada semana eu me torno mais banal e previsível. É monumental o destino humano apregoado ao esgotamento da rotina. Como vou me mostrar na próxima semana? Com que palavras? Com que artifícios de convencimento alimentarei o pensamento fraco que inunda as palafitas do espírito dos que já não conseguem respirar sem os pulmões alheios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pausa. Pego um livro, o primeiro que o magnetismo das minhas mãos atrai. É uma antologia de poemas de Lara de Lemos. Eu o abro, página oitenta e sete. Tudo é um instante / risco de um relâmpago. / Sorte de búzios / jogada no cimento. / Coisas que não decifro. / E eis-me instaurada / no asilo precário / dos meus mitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz do agora – o instante sem esconderijos – é a voz que divide: de um lado a ferocidade de ser e poder tudo; do outro, a tinta preta que cumpre o ritual semanal de fazer mover um mundo noticiável. Que grande distinção ter uma terça-feira para nascer e morrer! Algumas borboletas fazem isso com sabedoria em suas poucas horas de vida, resignando-se a ser o que são. Mas o homem quer ser supremo e reter mais coisas do que pode. Uma terça-feira não lhe basta. E todas as terças-feiras, juntas, tragicamente não lhe garantem uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cadafalso de hoje dilacera as veias do que está por vir. Quem quiser acreditar, acredite, mas é bom nunca esquecer que posso ser o falsário, o golpista... A verdade é pecado consumado, jóia sem preço adormecida no centro da terra. Entre duas terças-feiras morre uma geração inteira; também eu posso partir e ser substituído feito a peça defeituosa de uma máquina. As borboletas sabem disso, o homem não. O homem precisa dos rituais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria bom se tudo fosse revelado na superfície, se na pele estivesse tudo o que precisamos saber. Venturoso seria se os acontecimentos se conectassem em pautas inteligíveis, uma coisa ligada à outra e tudo fazendo sentido tanto na montanha quanto nas cinzas. Lembro Bateson, o terrível Bateson e seu lúcido convite para esmiuçar os caminhos e descaminhos que unem natureza e espírito: de que forma estou irmanado a uma concha? O que há de mim numa planta? A água sabe quem eu sou? A mentira de hoje é a verdade da próxima-terça feira: dias riscados nos calendários, jornal debaixo da porta. A página dois é meu limbo, a prova cabal do meu exercício semanal de nascer e morrer, de durar apenas algumas horas e ser descartado como coisa que perde o valor e caduca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar pode não ser um ato de liberdade, mas o que de mais genuíno caracteriza as prisões que criamos. Feito um corpo presente na arena dos dilemas humanos, o que pode ser dito já não poder ser revertido. O que veio ao mundo na linguagem do homem só pode morrer quando o coração descansa. Sexta-feira, seis de novembro. Todas as lógicas confabulam para que eu escreva ao contrário. Por que preocupar-me com o leitor se ele é apenas a extremidade que eu não conheço? É assim que concluo: &lt;em&gt;aus edadeirporp omoc rolac o edrom euq oproc od edatnov a ecedebo oãn los O&lt;/em&gt;. Até terça! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 10/11/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-4956076111873756783?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/4956076111873756783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=4956076111873756783&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/4956076111873756783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/4956076111873756783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/11/pagina-dois-e-meu-limbo.html' title='A página dois é meu limbo'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SviAc-soIKI/AAAAAAAAAu8/L1UlcfnP1mY/s72-c/rosangela-renno.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-350084081391917635</id><published>2009-11-01T23:27:00.003-02:00</published><updated>2009-11-02T19:20:35.761-02:00</updated><title type='text'>Os donos do olhar</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Su41uFMTa9I/AAAAAAAAAu0/V9naT3R8-mI/s1600-h/briandettmer1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 285px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5399312069047839698" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Su41uFMTa9I/AAAAAAAAAu0/V9naT3R8-mI/s320/briandettmer1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;As "autópsias" em livros, do artista americano Brian Dettmer &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em artigo publicado na Zero Hora de 25/10, o historiador Voltaire Schilling definiu Porto Alegre como “a capital das monstruosidades.” O alvo das críticas do historiador eram as obras de arte e os monumentos públicos fincados em solo porto-alegrense. O inconformismo do Prof. Voltaire é legítimo e sua manifestação tem pleno respaldo constitucional frente ao regime democrático em que vivemos. Contudo, penso que ele poderia ter proposto uma reflexão seguindo outro caminho e não conduzindo o leitor a aderir, sumariamente, aos seus conceitos estéticos pouco ventilados. Propor o debate é saudável, mas definir os termos da argumentação de forma totalitária (sugerindo a remoção das obras) soa um tanto ingênuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte nunca foi fonte de consenso em nenhum momento da história. À parte os profundos equívocos de ordem crítica e estética que o Prof. Voltaire deixa evidentes em seu texto, há, por outro lado, uma questão de base que poderia ser explorada a partir dele, e que, segundo penso, está no centro da problemática abordada: o fato é que as obras de arte e os monumentos públicos não têm vida própria e não escolhem aonde querem permanecer. Quem decide isso são pessoas vinculadas a comissões e júris de editais públicos. Na sociedade da organização total, profeticamente delatada por Adorno, os intermediários “especializados e titulados” definem os destinos da maioria “leiga e iletrada” da sociedade. O resultado disso é que os inúmeros monumentos espalhados pelo mundo refletem decisões arbitrárias, respaldadas pelo velho problema da representação política dos estratos que se consideram mais “cultos” ou mais preparados para julgar em nome da maioria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob muitos aspectos, entendo profundamente a indignação do Prof. Voltaire. Mas acho que seu texto é de uma infantilidade que faz rir. Ele poderia, por exemplo, ter proposto um debate no sentido de problematizar o modo como as comissões julgam projetos públicos, a inserção do artista no cenário contemporâneo ou as formas de violência simbólica construídas em torno do espaço público. Lendo o artigo do Prof. Voltaire, lembrei de uma série de aberrações – algumas financiadas com dinheiro público, outras não – que estão espalhadas à nossa volta, como é o caso daquela imagem colossal de Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha, o morango gigante, em Bom Princípio, a Via Gênova, em Serafina Correa, o Nanetto Pipetta, em Caxias do Sul e o Monumento ao Imigrante, em Bento Gonçalves, dentre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais obras celebrativas só estão onde estão porque um grupo de pessoas assim decidiu, sem, contudo, considerarem que a esfera pública envolve também as questões relativas ao modo como as pessoas se apropriam imageticamente do mundo. E embora o nosso mundo seja refém de imagens saturadas, ele ainda permite opiniões contrárias e rejeições. Mesmo que eu não aprecie as citadas obras, não tem sentido propor que sejam removidas. O que posso fazer, na condição de profissional do campo artístico, é propor (para quem quiser aderir) que tais monumentos não sejam vistos como representantes do melhor que o ser humano pode produzir numa dimensão artística, além de incentivar que essas obras sejam repudiadas e utilizadas como ferramentas comparativas para que a boa arte se sobressaia. Esbarramos, é claro, nos critérios de julgamento, e isso é um longo assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A urgência do problema levantado pelo Prof. Voltaire não é propriamente de cunho estético, já que, sob este aspecto, seus argumentos são anacrônicos e inconsistentes. Da forma como me posiciono em relação ao assunto, creio que deve ficar o alerta para que as comissões que julgam projetos públicos considerem que elas não são donas do espaço público e que, por isso mesmo, devem ter mais cautela em rotular qualquer montanha de bronze, ferro ou cimento como obra de arte. Para ilustrar minha argumentação, vale lembrar o célebre episódio da instalação da escultura de Davi, de Michelangelo, na praça central de Florença, no século 16. Decidiram sobre a instalação da peça ninguém menos que Leonardo Da Vinci, Sandro Botticelli, Filippino Lippi e Perugino, quatro dos maiores representantes da arte renascentista. Atualmente, qualquer um decide sobre qualquer coisa. O resultado disso (não poderia ser diferente) é catastrófico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte contemporânea, fonte do ataque do Prof. Voltaire, é um instrumento eficaz para a leitura sócio-política da época em que vivemos. Se é para retirar obras de arte e monumentos das praças – como sugere o professor – deve-se também implodir prédios de mau gosto, proibir a execução de música descartável nas rádios, barrar a veiculação de programação televisiva vulgar e vetar a publicação de má literatura, ou seja, algo que só seria possível sob jugo ditatorial. Deixemos a arte correr e aprender com seus tropeços. Há muito tempo a verdade deixou de confiar em si mesma. Que permaneça, então, a retórica, ou o léxico a partir do qual cada um fala.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Caderno de Cultura do Jornal Zero Hora de 31/10/09. Também publicado no Jornal Pioneiro, de Caxias do Sul, em 02/11/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-350084081391917635?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/350084081391917635/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=350084081391917635&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/350084081391917635'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/350084081391917635'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/11/os-donos-do-olhar.html' title='Os donos do olhar'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Su41uFMTa9I/AAAAAAAAAu0/V9naT3R8-mI/s72-c/briandettmer1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-4987789443740161097</id><published>2009-10-26T16:30:00.003-02:00</published><updated>2009-10-26T16:47:00.894-02:00</updated><title type='text'>Ruminação</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SuXst9C7DGI/AAAAAAAAAus/Nxv8bCUAaYQ/s1600-h/colker.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 226px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396980002698497122" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SuXst9C7DGI/AAAAAAAAAus/Nxv8bCUAaYQ/s320/colker.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;A dança contemporânea de Deborah Colker&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Ao sentarem à mesa, puseram-se a ponderar sobre questões nem sempre tão triviais para quem tem pratos e talheres à frente. Um deles relatou a morte do cão do vizinho com um grau de detalhes surpreendente, a ponto de seus gestos esculpirem no vazio o formato do paralelepípedo que havia esmagado a cabeça do animal. Com o cardápio em mãos, pediu purê de batata e almôndegas, enquanto o outro recomendava a aplicação em ações como um negócio altamente lucrativo. Você tem que ficar de olho, disse ele. É um negócio arriscado, mas é no risco que está o prazer das aplicações financeiras. É um jogo, você precisa conhecer o mercado, seu adversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adequados à linha melódica do meio-dia, seus estômagos roncavam como se abrigassem feras prestes a escapulir pela boca. No canto da mesa, um jornal dobrado deixava à vista uma fotografia de um sujeito que havia cortado o próprio pescoço com um caco de vidro, tudo porque se recusara a cumprir certas exigências judiciais da ex-esposa. Tão logo viu a fotografia, um deles comentou: as mulheres são todas iguais! Elas levam um homem à falência se quiserem. Não, não é bem assim, disse o outro. Há mulheres mais mulheres e mulheres menos mulheres. Isso soou estranho e retórico demais para um entendimento imediato. E o assunto morreu em meio a um gesto nervoso e à voz reboante que pedia peixe grelhado para alimentar a fera interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Sandra, como vai? Está naqueles dias... Embestou que precisa perder mais cinco quilos porque o verão se aproxima. Ela diz que, se não tiver um corpo esbelto para mostrar, sobram-lhe poucos atrativos neste país onde a sensualidade está no DNA. E você, o que pensa? Não penso nada, só espero que ela não use meu cartão de crédito para pagar a conta do cirurgião plástico. Ela herdou um bom dinheiro com a morte do pai e espero que o use, disse Pedro ao sentir que o peixe dilacerava-se entre seus dentes e chegava à boca da fera interior como uma pasta quente e nutritiva. No fundo, gosto da idéia de que ela cuide do corpo, continuou ele. Não exatamente por minha causa, mas porque assim ela sempre tem assuntos diversos para tratar com suas amigas ao invés de aporrinhar-me com a troca do gesso da sala e dos ladrilhos do banheiro que, segundo ela, estão ultrapassados e não acompanham as tendências mostradas nas revistas de decoração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fera pulsava entre líquidos ácidos e movia-se como uma mola capaz de contrair-se e expandir-se. A vida, toda a vida perceptível naquele momento, resumia-se a um estômago que inflava em meio à troca de palavras neurastênicas que pareciam mais úteis aos moluscos da salada do que a qualquer outra pessoa. Há dias não durmo, disse Pedro. Parece que uma voz entra na minha cabeça para fazer-me lembrar que nem mesmo à noite, em casa, na cama, com Sandra, eu estou livre do mundo que fica do lado de fora da porta de casa. Dormir com o mundo na cabeça é o pior castigo que alguém pode sofrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sentados, os dois atentaram para a condição de maior espanto imposta ao corpo cuja fome é saciada: mais energia para gastar. Mas com o quê? Será que a energia produzida pela fera interior servia apenas para estender os problemas do mundo à dimensão do inesgotável, daquilo que vem e vai, muda de forma e de aparência, mas está sempre presente? Se permanecessem para beber um cafezinho, o fariam entre o tilintar dos talheres na cozinha, a movimentação das pessoas com crachás de empresas na fila de pagamento, o vapor gorduroso que vinha da chapa de grelhados e banhava o ambiente. Mais energia, mais movimento, o mundo espiralado continuava tramando suas lógicas para garantir a vida da fera interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois saíram sem beber o cafezinho. A calçada rente à porta se estendia até a esquina. Pequenas lajotas desenhavam poliedros justapostos que lembravam um mundo de regras, ordens e horários para tudo. Os dois seguiram caminhando e Pedro quase esbarrou numa mulher que tinha os olhos que emitiam luzes verdes e vermelhas. No restaurante, enquanto os garçons recolhiam os restos dos comensais, permanecia sobre a parede lateral a gigantesca sombra das grades da janela. Em meio ao barulho da cidade, o animal interior estava quieto, e assim permaneceria por algumas horas, dobrando ruas, conversando com o gerente do banco, pagando a conta da tinturaria, subindo e descendo elevadores e presenciando atropelamentos. No dia seguinte, o ritual se repetiria. O jornal sobre a mesa contaria um dia a mais. O cardápio traria outras opções. Mas o animal interior permaneceria o mesmo, voraz, sempre desconhecido para si mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 27/10/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-4987789443740161097?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/4987789443740161097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=4987789443740161097&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/4987789443740161097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/4987789443740161097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/10/ruminacao.html' title='Ruminação'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SuXst9C7DGI/AAAAAAAAAus/Nxv8bCUAaYQ/s72-c/colker.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7227062674404594217</id><published>2009-10-19T18:05:00.002-02:00</published><updated>2009-10-19T18:10:52.417-02:00</updated><title type='text'>Mosca na polenta</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/StzGwBO3-XI/AAAAAAAAAuk/zGmlLEcDX74/s1600-h/rosenquistdoll.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 319px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394404981949856114" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/StzGwBO3-XI/AAAAAAAAAuk/zGmlLEcDX74/s320/rosenquistdoll.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;"Boneca empacotada" - Pintura de James Rosenquist &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Surpresas agradáveis existem aos montes no universo da internet. Garimpeiros virtuais que nos tornamos, com um pouco de paciência dá para separar as baboseiras dos orkuteiros que estão sempre “passando para dar um oi” de outros sítios que usam a internet para compor suas cruzadas pessoais. É o caso do blog “A Terra da Cocanha” &lt;strong&gt;&lt;em&gt;(www.aterradacocanha.blogspot.com)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, que descobri enquanto buscava instruções sobre como montar um boneco de polenta para ser usado como decoração natalina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao acessar o blog, a trilha sonora de fundo (La Bella Polenta) dá o tom da arruaça conceitual e da bem-humorada leitura cultural que o internauta poderá conferir ao ir assimilando as postagens e suas sarcásticas anedotas. Certamente, trata-se de um blog elaborado por alguém que circula muito bem pelos liames da cultura oficial (leia-se hegemônica, petrificada e automatizada) a ponto de questioná-la por meio do escracho e da displicência. O resultado não poderia ser mais atraente: o blog fala de algo sério sem ser sério; mete a colher de pau na polenta produzida com a farinha da história acrítica a ponto de gerar sínteses anedóticas inteligentes como, por exemplo, “mais firme que prego em polenta” e “onde há fumaça, há polenta”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Facetas culturais da região de imigração italiana – que conhecemos muito bem no âmbito do seu discurso oficial, alienante e reprodutivista – são desdobradas pelo autor do blog através de pequenos enxertos de consciência sobre o quão ridícula pode se tornar uma cultura forçada a enjaular-se nas cercanias do óbvio e do vulgar, eixos em que normalmente são consumidas as suas excrescências. Que o diga o autor do blog, cujas sutilezas críticas descrevem com irreverência o nosso antepassado direto, “L’uomo Polentus” (que alguns acham que é o Visconde de Sabugosa), o refinamento da nossa tecnologia de ponta, a “Nanetecnologia”, e a riqueza do nosso arsenal folclórico nas figuras do “Velho do Moinho”, do “Homem do Milharal” e do “Monstrengo da Polenta”, que muitos “nonos” e “nonas” ajudaram a criar com sua sensibilidade originada da reza do terço e da prática de esconder dinheiro entre paredes duplas e pisos falsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joanim Pepperoni, o sujeito que assina o blog, lança suas teses sísmicas enquanto debulha o milho, argumenta com fatos e fotos enquanto salga a polenta, cria fabulações enquanto debocha da prisão de ventre daqueles que trocaram as fibras alimentares pelo excesso de amido. Seu intuito é entender a mítica Terra da Cocanha, mas não de uma forma coerentemente argumentativa e sim alegoricamente provocativa. Ao que tudo indica, não lhe interessa teorizar para meia dúzia de leitores/ouvintes e sim orientar a mosca para que pouse certeira na tábua da polenta. O Sr. Pepperoni pode ser mais uma das muitas figuras que a internet fará desaparecer em pouco tempo, talvez abduzido pelas forças proféticas de um ídolo esculpido num bloco de polenta que o olhará com ares de reprovação e dirá: “Ecce Homo! Eis tua espiga, multiplique-a e só retornes depois de enriquecer! Se assim o fizeres, terás teu próprio moinho na Terra da Cocanha!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não temos uma história cultural regional capaz de fugir do fastidioso empilhamento de dados, gráficos e tabelas tão habilmente usados como “método científico” de grande parte dos estudos atuais sobre a imigração. Há mais ciência no blog acima mencionado do que em muitos livros que tomam para si a tradução de uma “verdade” histórica que não existe, pois ela é sempre interpretação e, portanto, tem características anti-fundacionais. São quase nulas as obras de cunho histórico produzidas na região de imigração italiana capazes de mostrar “o outro lado do discurso”, de problematizar a construção dos estereótipos culturais, de implodir os mitos fundantes que já não servem para mais nada, a não ser para reforçar o continuísmo das estruturas do poder e da outorga de uma tradição descerebrada, cuja urgência de revisão é mais do que evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá no blog, o Sr. Pepperoni traça, em poucas palavras, o seu intento: “compreender uma terra exótica e estranha (Terra da Cocanha), equilibrada no alto de uma montanha de farinha.” Parece pouco, mas estou convencido de que é tarefa para uma vida inteira. Todavia, se o blog não tiver vida longa, poderá ter cumprido a função de duvidar da nobreza da iguaria que abunda na Terra da Cocanha, algo que, de fato, se exercita muito pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sr. Pepperoni sugere-nos que é preciso minar a grande plantação e ceifar seu discurso fabricado como mito. Assim, os bebês cocanheses precisam parar de sofrer a violência de terem suas chupetas banhadas em polenta mole (papinha de fruta na goela deles!). A Terra da Coca-Cocanha não triunfará para sempre. O programa ético alienado que ela representa será o mote da revolução dos futuros cocanheses reprimidos e degradados: “POLENTAS QUAE SERA TAMEN!” Enquanto isso, eles vão “brustolando” em chapa morna.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 20/10/09&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7227062674404594217?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7227062674404594217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7227062674404594217&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7227062674404594217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7227062674404594217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/10/mosca-na-polenta.html' title='Mosca na polenta'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/StzGwBO3-XI/AAAAAAAAAuk/zGmlLEcDX74/s72-c/rosenquistdoll.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-8956528694694814541</id><published>2009-10-13T12:06:00.003-03:00</published><updated>2009-10-13T12:13:03.940-03:00</updated><title type='text'>Flores do Mao</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/StSXokboHdI/AAAAAAAAAt8/d8_7QigLRr8/s1600-h/Gao.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 314px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5392101377099439570" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/StSXokboHdI/AAAAAAAAAt8/d8_7QigLRr8/s320/Gao.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Escultura dos irmãos Gao &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em qualquer regime político, a estrutura da vida social é sempre cerceada por contradições (e contra-dicções). Tanto os regimes mais liberais e permissivos quanto os mais ortodoxos e engessados não gozam de um estatuto conceitual que os defina plenamente, pois, em ambos os casos, sempre parece haver lacunas entre os indivíduos e sua relação com o regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criação artística pode ser um dos elementos mais acintosos dentro da estrutura política dos regimes herméticos, como pode ser verificado na China comunista, onde até mesmo a internet sofre censuras governamentais no sentido de vetar a distribuição de qualquer informação ao grande público. Os irmãos Gao, dois escultores chineses de expressão internacional, sabem muito bem o que isso significa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção artística contemporânea na China é uma das atividades mais inconvenientes ao regime comunista. Exposições são constantemente fechadas por órgãos de censura do governo pelo simples fato de promoverem, por meio de um viés estético, revisões críticas frente aos valores culturais nos quais a sociedade chinesa está pautada. Muitas obras de arte são destruídas e artistas são presos por serem considerados combatentes subversivos dos preceitos comunistas. Qual o crime destes artistas? Não mais do que contestarem o sistema e seus princípios sufocantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os irmãos Gao, que já tiveram inúmeras esculturas destruídas, desenvolveram um método de apresentação de suas obras que é, no mínimo, inusitado: suas esculturas, que representam líderes políticos históricos como Mao Tse, possuem sistemas de encaixe por meio dos quais a cabeça da peça pode ser retirada do corpo. Isso é muito útil em ocasiões nas quais a polícia chinesa invade as exposições e, para sua própria perplexidade, percebe que o que resta no espaço expositivo são apenas corpos sem cabeça que não se referem a nenhuma figura política em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os estratagemas dos artistas chineses não param por aí. É muito comum, também, a realização de exposições secretas, organizadas por meio de códigos que circulam entre os artistas e os freqüentadores das exposições. Numa destas exposições, recentemente divulgada pelo jornal norte-americano &lt;em&gt;The New York Times&lt;/em&gt;, a atmosfera &lt;em&gt;underground&lt;/em&gt; motiva uma crítica severa aos anos mórbidos da Revolução Cultural chinesa, que, travestida de um discurso cultural, tinha a única função de doutrinar os cidadãos chineses para sua submissão às diretrizes políticas do regime de Mao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os irmãos Gao Qiang e Gao Zhen sabem muito bem que, no contexto da arte chinesa contemporânea, há tópicos nos quais o artista não pode tocar, sob o risco de ser considerado um agente delator do sistema. Porém, é exatamente isso o que os artistas chineses, na sua grande maioria, querem. A arte chinesa contemporânea tem sido formulada mediante a adesão a um forte programa político, o qual almeja revisitar a recente história chinesa e o derramamento de sangue que a construiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Revolução Cultural chinesa, iniciada em 1966, inscreve-se no panorama da desestruturação política e da progressiva perda de controle de Mao Tse sobre o Partido Comunista. Reagindo a tal situação, Mao Tse convocou jovens militantes leitores do “Livro Vermelho do Camarada Mao” e o exército chinês a praticarem uma depuração partidária com vistas ao triunfo comunista. Hoje, sabemos bem sob que grau de ameaças, intimidação e violência o regime de Mao Tse manteve-se em vigor na China.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazer este debate político para a arte contemporânea traduz um anseio antigo da população chinesa contrária às intenções políticas de Mao Tse. Não que a arte seja capaz de produzir alguma mudança efetiva, o que, acima de tudo, depende da construção de uma perspectiva transformadora individual. Mas ela pode ser uma importante ferramenta de leitura do mundo acoplada a uma série de outras iniciativas conjuntas. No Brasil, experimentamos algo semelhante durante os anos da ditadura militar, que fez surgir à margem de suas instituições mortificadoras e assassinas uma arte exuberante, simbolicamente rica e esteticamente influente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de uma escultura que representa Mao Tse ajoelhado, com a mão no peito e em posição de arrependimento, os irmãos Gao alertam: “esperamos que, um dia, todos os chineses possam compreender e aceitar as razões pelas quais fizemos isso. Nossos pais foram mortos, perseguidos pelo regime de Mao.” Mesmo que alguns chineses jamais os compreendam, os irmãos Gao seguem sua cruzada contra a dissimulação política da cultura em que vivem, algo legítimo em qualquer situação de menosprezo à vida humana. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 13/10/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-8956528694694814541?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/8956528694694814541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=8956528694694814541&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8956528694694814541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8956528694694814541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/10/flores-do-mao.html' title='Flores do Mao'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/StSXokboHdI/AAAAAAAAAt8/d8_7QigLRr8/s72-c/Gao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-524829021508899253</id><published>2009-10-05T18:11:00.001-03:00</published><updated>2009-10-05T18:12:18.669-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SspgwYjJwrI/AAAAAAAAAqM/d2mveQpasVw/s1600-h/bienalmercosul.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img $r="true" border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SspgwYjJwrI/AAAAAAAAAqM/d2mveQpasVw/s400/bienalmercosul.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;7ª Bienal do Mercosul&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif; font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;16 de outubro a 29 de novembro&amp;nbsp; - Porto Alegre&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-524829021508899253?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/524829021508899253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=524829021508899253&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/524829021508899253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/524829021508899253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/10/7-bienal-do-mercosul-16-de-outubro-29.html' title=''/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SspgwYjJwrI/AAAAAAAAAqM/d2mveQpasVw/s72-c/bienalmercosul.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7462681020426487966</id><published>2009-10-05T17:45:00.007-03:00</published><updated>2009-10-05T18:57:08.324-03:00</updated><title type='text'>Enigmas do Vale</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: center; CLEAR: both" class="separator"&gt;&lt;a style="MARGIN-LEFT: 1em; MARGIN-RIGHT: 1em" href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SspaMqHt-rI/AAAAAAAAAqE/v7_P9RhFxkI/s1600-h/Segal%2520Blue%2520Girl_current.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SspaMqHt-rI/AAAAAAAAAqE/v7_P9RhFxkI/s400/Segal%2520Blue%2520Girl_current.jpg" r="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center; CLEAR: both" class="separator"&gt;&lt;span style="font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Escultura de George Segal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:inherit;font-size:130%;"&gt;Pensamentos errantes têm atravessado as recentes discussões sobre a alteração do zoneamento do Vale dos Vinhedos. As dilacerações conceituais que movem a problemática como um todo estão, a meu ver, na base da falta de consenso e das acusações que grupos antagônicos têm feito uns contra os outros. Pensa-se demais no conteúdo a ponto de esquecer o continente: um erro primário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:inherit;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entre as principais aberrações que tenho acompanhado em relação às discussões que envolvem uma suposta alteração no zoneamento do Vale dos Vinhedos, estão o uso displicente e irrefletido dos termos “identidade” e “vocação turística do Vale”, como se ambos fossem entidades palpáveis que podem ser colocadas numa balança, a fim de aferir-lhes o peso frente a uma discussão política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Vale dos Vinhedos só é o que é hoje (e isso vale para qualquer lugar do planeta) porque o conceito de identidade não é fixo e porque aquilo que alguns insistem em preservar aos esperneios nem sempre foi da forma como se apresenta atualmente. O que garante a identidade é a transformação e não o engessamento frente às normas da simplificação. Por isso mesmo, é um equívoco imenso alegar que “o Vale dos Vinhedos tem identidade”, como se “identidade” fosse um ingrediente a ele adicionado e que passou a agir de forma independente, reiterando opiniões simplórias e agenciando políticas de protecionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Vale dos Vinhedos não tem uma identidade, tem muitas, e o que prova isso é o alarde desmesurado que se criou em torno da questão da possível alteração do seu zoneamento. O Vale só está na berlinda porque ele ainda não conhece a si mesmo. Se o Vale tivesse uma identidade consolidada e publicamente reconhecida (não a identidade conspurcada pregada pelo campo do turismo), o problema do zoneamento sequer teria sido levantado. Mas o Vale não se conhece. Quem pagar mais, leva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A identidade protege a si mesma, é auto-blindável, coloca-se em discussão para se reforçar, sem, com isso, instituir um valor absoluto. Isso é visível, individualmente, em cada um de nós: os anos passam e continuamos a ser nós mesmos, porém modificados. Nós nos reconhecemos no interior das lógicas do tempo devido à dupla função de, simultaneamente, o vivermos e nos blindarmos contra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra fonte de equívocos é a alegação de que o Vale dos Vinhedos possui “vocação turística”. Vocação é um termo intimamente ligado a um teor naturalista e que, por isso mesmo, paralisa a ação política ao propor que é a natureza que está integrada às diversas formas de processamento da cultura humana e não o contrário. Isso é tão absurdo quanto dizer que uma determinada cidade tem vocação para o crime. O turismo produz e mantém um fluxo de necessidades onde elas antes não existiam, e isso não tem nada a ver com vocação: é negócio, é exploração comercial, é a encenação da identidade, coisas que conhecemos muito bem no âmbito do capitalismo. Nesse sentido, inúmeros termos são criados unicamente com a intenção de acomodarem as ideologias de quem neles se esconde, porque esse é o caminho mais fácil para aglomerar partidários de uma mesma idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais de um século, quando o Vale dos Vinhedos começou a ser povoado, não se falava em turismo. Grupos humanos chegaram, violentaram a natureza (porque toda ação humana sobre a natureza é de violação, de descaracterização, de subordinação e imposição) e criaram um modo de viver cujos resquícios são hoje celebrados como se fossem matrizes únicas para a assimilação de uma identidade cultural local. Ao ocuparem o Vale dos Vinhedos, os primeiros colonos imigrantes não tinham a menor intenção de “produzir a identidade do Vale”, muito menos essa identidade ilusória que os desavisados acreditam que paira sobre o Vale feito uma nuvem que não se dissiparia nem mesmo com um dilúvio. Marx diz que “os homens fazem a história sem saber que história fazem.” Assim, considerando a história como algo desacoplado da sua própria consciência de execução, é possível vetar o crédito às paranóias de quem acredita que a natureza tem “vocação” para o que quer que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre uma possível alteração no zoneamento do Vale dos Vinhedos, é bom pontuar que estamos carentes de discussões que ponham o dedo na ferida e apontem para a crueza dos fatos, os quais se referem: às lutas políticas, às vaidades pessoais, ao protecionismo diante da exploração turística (que pode ser tão nociva quanto a especulação imobiliária), à redução das imagens e simbolismos da cultura ao seu âmbito mais grosseiro e utilitário, ao apego afetivo a um passado que nunca teve consciência de si próprio, à redução do discurso da identidade cultural a um mero componente de barganha e, finalmente, ao próprio estatuto identitário do Vale dos Vinhedos, um local onde sempre se permitiu a presença dos filisteus, os quais, de forma irônica e suspeita, tornaram-se incômodos da noite para o dia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:inherit;"&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves-RS, em 06/10/09&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7462681020426487966?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7462681020426487966/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7462681020426487966&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7462681020426487966'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7462681020426487966'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/10/enigmas-do-vale.html' title='Enigmas do Vale'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SspaMqHt-rI/AAAAAAAAAqE/v7_P9RhFxkI/s72-c/Segal%2520Blue%2520Girl_current.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-3302557079891204230</id><published>2009-09-28T18:36:00.004-03:00</published><updated>2009-09-28T18:42:25.728-03:00</updated><title type='text'>Sexo com Cauã Reymond</title><content type='html'>&lt;p align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SsEsbKlsyEI/AAAAAAAAAp8/Fn00OxnYeOE/s1600-h/calder.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 253px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386635474522392642" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SsEsbKlsyEI/AAAAAAAAAp8/Fn00OxnYeOE/s320/calder.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Escultura de Alexander Calder&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os sonhos das princesinhas castas e adoradoras da Barbie foram destronados pela vovó fogosa que não hesitaria em comer o Lobo Mau numa cama de motel. Com sua libido exalando os aromas da pós-modernidade, a vovó abandonou seu crochê e seus singelos aventais de patchwork para doutrinar a netinha e iniciá-la no universo do sexo sem compromisso e dos afetos descartáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inverteram-se os papéis. Ingênua, a netinha que pensa em casamento tem suas convicções questionadas pela vovó, que substitui os ensinamentos da experiência de vida por anedotas eróticas estimuladoras da prática sexual desapegada. Os suspeitos cabelos brancos da vovó já não combinam com as velhas certezas do mundo filtrado pela moral puritana, a qual solidificava no casamento e na família as células centrais da organização social. Com isso, o destino das netinhas de hoje está livre das fastidiosas noites de sono ao lado dos roncos e da dentadura do futuro marido num copo d’água, pois elas serão livres para o sexo a granel sempre que se lembrarem das palavras proféticas de suas avós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas são leituras possíveis de um comercial televisivo das sandálias Havaianas, recentemente retirado do ar devido a um processo judicial movido por um grupo que se sentiu ofendido com os supostos laivos desestabilizadores da mensagem publicitária. A parte do comercial considerada agressiva refere-se ao momento em que a avó sugere à neta que ela se interesse por homens como Cauã Reymond, ao que a neta responde: “deve ser chato casar com homem famoso”. Imediatamente, a avó retruca : “quem falou em casamento? Estou falando de sexo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou propenso a pensar que a ação judicial foi levantada por um grupo de carolas ou por alguma fraternidade que ainda acredita nos símbolos arcaicos da sociedade cristã ocidental, os mesmos símbolos que condenaram e ainda condenam, por exemplo, o marxismo, a psicanálise, a razão e a ciência, delatando-os por serem contrários à vigilância instituída por sistemas morais ordenadores. Penso que o comercial em questão reflete, talvez de forma indireta, certas articulações sócio-culturais do ambiente em que vivemos. Isso fica visível na troca de papéis das falas das personagens do comercial, ou seja, a neta, antiquada, incorpora a ordem pública dos valores consensuais – algo que não se espera dos jovens alienados do mundo de hoje, nutridos por todo tipo de lixo pseudo-cultural –, ao passo que a avó, moderninha, assenta seus valores na negação de uma visão idealizada dos relacionamentos amorosos em prol de um hedonismo instantâneo. O bom e velho &lt;em&gt;carpe diem&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto a neta quanto a avó do referido comercial representam sintomas deste nosso tempo de incertezas, de ausência de perspectivas e de enfraquecimento dos ideais de longo alcance. O comercial põe em discussão o fato de que tanto a juventude quanto a velhice são construídas mediante valores e juízos que nunca são fixos, mas que refletem o modo como a sociedade se organiza e cria expectativas para ambas as fases do desenvolvimento humano. Os trinta segundos do comercial criaram uma pequena fábula contemporânea com suas personagens jogadas no mesmo mundo em que nós também estamos, um mundo que nos incapacita a pensarmos com profundidade sobre o absurdo de nossas vidas pautadas em castidades compradas nas mesas de cirurgia plástica, em casamentos de fachada e em velhices que se dissolvem em cremes anti-rugas e bombas de aminoácidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é mais bizarro no comercial não é o apelo ao sexo casual e descomprometido, mas a forma patética com que a avó tenta forjar uma linguagem juvenil para sugerir que os tempos mudaram e que é preciso deixar de lado as formas retrógradas de conduta. Igualmente patética é a neta, posando de boa moça para tentar surpreender os incautos que ainda acreditam que suas filhas brincam de boneca aos quatorze ou quinze anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fabricante das sandálias, num golpe de marketing fabuloso, retirou o comercial de circulação antes mesmo de qualquer decisão da justiça, criou uma meta-mensagem sobre ele lançando-o na internet e, ainda por cima, potencializou sua mensagem original com outra propaganda em que a atriz que interpreta a avó do antigo comercial surge numa versão tão atualizada quanto os jovens ratos de &lt;em&gt;lan house&lt;/em&gt;. A mensagem subliminar é óbvia: nos dias atuais, para ser jovem é preciso ser velho; o contrário também vale. Considerando que, no fundo, tanto o real quanto a publicidade dependem do ponto de vista de quem os absorve, não há qualquer garantia de que fazer sexo casual com Cauã Reymond pode ser melhor (ou pior) do que casar com ele. Avós e netas se esbofeteariam para experimentar... &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 29/09/09&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-3302557079891204230?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/3302557079891204230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=3302557079891204230&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3302557079891204230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/3302557079891204230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/09/sexo-com-caua-reymond.html' title='Sexo com Cauã Reymond'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SsEsbKlsyEI/AAAAAAAAAp8/Fn00OxnYeOE/s72-c/calder.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-1114341006624836404</id><published>2009-09-28T18:25:00.005-03:00</published><updated>2009-09-28T18:35:42.433-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SsEp6_Ek_DI/AAAAAAAAAp0/uxyPBp7vFOw/s1600-h/Convite+-+Plural+da+Aus%C3%AAncia.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; DISPLAY: block; HEIGHT: 303px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5386632722651610162" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SsEp6_Ek_DI/AAAAAAAAAp0/uxyPBp7vFOw/s400/Convite+-+Plural+da+Aus%C3%AAncia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Lançamento do livro de poesia "Plural da Ausência", de João Claudio Arendt&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;A verdade é eu ser&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;uma coisa sempre&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;- sempre&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;e nunca por acontecer&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***************&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Vasculho em teu horizonte&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;ondas de lua nova&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;campos líquidos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;naus que nunca aportaram&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Como decifrar tuas águas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;e encontrar no mapa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;uma das tuas margens?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-1114341006624836404?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/1114341006624836404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=1114341006624836404&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1114341006624836404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1114341006624836404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/09/lancamento-do-livro-de-poesia-plural-da.html' title=''/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SsEp6_Ek_DI/AAAAAAAAAp0/uxyPBp7vFOw/s72-c/Convite+-+Plural+da+Aus%C3%AAncia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-8850691372638374086</id><published>2009-09-22T00:16:00.003-03:00</published><updated>2009-09-22T00:22:22.873-03:00</updated><title type='text'>Ciência com consciência</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SrhBxYNoDOI/AAAAAAAAAps/5UfrFx6NOE4/s1600-h/kurt.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 267px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384125671090425058" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SrhBxYNoDOI/AAAAAAAAAps/5UfrFx6NOE4/s320/kurt.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;Colagem de Kurt Schwitters &lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As pessoas, de um modo geral, convivem muito bem sem terem a consciência de que suas vidas estão impregnadas de ciência. Por este motivo, é muito comum que alguns lampejos de consciência sobre a incursão da ciência em suas vidas ocorram de modo caricaturizado e esquematizado, pois a ciência, bárbara como é, não sabe dialogar com quem não domine os códigos e as estruturas conceituais por meio dos quais ela assume sua personalidade grandiloqüente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dominar o discurso científico equivale a dominar os códigos das linguagens nas quais este discurso se inscreve. Semelhante condição também está na base do discurso religioso, isto é, para ser adepto de uma religião é preciso saber quais são os seus dogmas, os seus ritos, os seus símbolos e sua forma de promover o contato do ser humano com uma instância divina. No caso da ciência, também há condições de acesso e inteligibilidade que fazem dela algo próximo ou distante das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corriqueira indiferença da grande maioria das pessoas em relação à ciência – que muitas vezes se converte em aversão – pode ser explicada por uma incapacidade de assimilação dos conceitos com os quais a ciência descreve seus fenômenos. Não podemos nos esquecer de que a ciência não é a única forma de narrar o mundo, mas apenas mais uma dentre tantas outras possíveis. Em cada uma destas formas, como a arte, a religião ou o mito, descortinam-se possibilidades de narrar o mundo. O filósofo Jacob Bronowski admite que a ciência deve permitir formas de recriação do conhecimento que elabora, pois é por meio da recriação que o conhecimento científico se abre à coletivização. O pano de fundo da discussão de Bronowski está centrado na noção de que a ciência é também uma atividade envolvida por uma dimensão estética e, portanto, impregnada de um caráter imaginativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência goza de diferentes e conflitantes estatutos: para algumas pessoas, ela é vista como uma atividade altamente influente, realizada por cientistas vestidos com jalecos brancos, trancafiados em laboratórios e empenhados em oferecer respostas seguras para diversos fenômenos que não conhecemos na íntegra. Para outras pessoas, a ciência não pode ser neutra, porque ela está cercada pelas variações políticas e ideológicas que configuram uma determinada época e, por isso mesmo, deve suscitar mais suspeitas do que confiança. Por fim, para um grande contingente de pessoas, a ciência é uma atividade da qual se toma conhecimento pela televisão, quer seja pela figura estereotipada do cientista com olhos esbugalhados, gestos desajeitados e cabelos espaventados dos filmes produzidos pela indústria do entretenimento, quer seja pelas representações dos telejornais, quando estes mostram as cenas de um astronauta fazendo reparos em uma estação espacial, um clone produzido a partir de algum animal ou um transplante de coração realizado com sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desprovidas de um adequado aparato de conceitos e de categorias de análise necessárias à avaliação do que vêem, é muito comum as pessoas se seduzirem com o fato de que a ciência seja capaz de feitos tão grandiosos, ainda que elas não tenham a mínima noção de que a ciência é uma faca de dois gumes, e de que aquilo que presenciam pela televisão pode ser o prenúncio de diversas formas de violência, segregação e desigualdade social. Atado às multifocalizações nos usos sociais da ciência pós-moderna, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos esclarece que, de um ponto de vista sociológico, o discurso científico é hoje, em face do cidadão comum, um discurso anormal no seu todo, devido ao fato de ter se entrincheirado numa total falta de comunicação com outras esferas sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento histórico em que vivemos, em que a sociedade como um todo não mais se apresenta sustentada pelos valores que administraram uma série de condutas, aspirações e entrelaçamentos da prática humana ao longo dos tempos, vem apresentando uma profunda – e saudável – desconfiança em relação à ciência, sobretudo no que se refere à sua vinculação a uma verdade absoluta e totalizante, como se só devêssemos seguir aquilo que a ciência diz que é correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualmente, as suspeitas sobre a ciência se reavivam em função de uma série de desafios que vêm sendo colocados a uma reflexão ética que se faz urgente. É o caso de pensarmos sobre os usos, as finalidades e as conseqüências das pesquisas ligadas aos segmentos da genética e das tecnologias computacionais. Quem se beneficiará destas pesquisas? Quem serão as próximas vítimas da desumanização que está na base de uma prática científica incapaz de pensar sobre seus próprios mecanismos de produção? Estejamos, pois, atentos. A ciência é uma atividade humana e, como tal, opera no tênue limite entre a promoção da vida e a sua destruição. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 22/09/09&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-8850691372638374086?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/8850691372638374086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=8850691372638374086&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8850691372638374086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8850691372638374086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/09/ciencia-com-consciencia.html' title='Ciência com consciência'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SrhBxYNoDOI/AAAAAAAAAps/5UfrFx6NOE4/s72-c/kurt.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-8388912368454373959</id><published>2009-09-14T20:37:00.006-03:00</published><updated>2009-09-14T20:52:14.309-03:00</updated><title type='text'>Cabeça de ábaco</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sq7WGVPQk8I/AAAAAAAAApk/DqyAi1YWz7k/s1600-h/pechstein1.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 278px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5381474009023026114" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sq7WGVPQk8I/AAAAAAAAApk/DqyAi1YWz7k/s320/pechstein1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;Nu - Max Pechstein, 1910 &lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tão logo chegou à cidadezinha, o forasteiro começou a despertar olhares e a motivar as conversas nos botecos, casas e repartições públicas. Uma ordem aparente havia sido quebrada por aquele sujeito que vestia roupas estranhas e falava com cadências próprias. Quando andava pelas ruas, era motivo de cochichos e alvo de suposições fulminantes. É um excêntrico, diziam uns; é um missionário, diziam outros. O que quer o fulano? Por que diabos veio parar aqui em nossa cidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco se sabia sobre a vida do forasteiro. Sua origem, sua família e seus passos pretéritos eram alvos de especulações entre as senhoras de moral ilibada que preparavam os donativos para a festa de adoração à pipa de ouro. No clube onde se reuniam as lideranças e as personalidades mais distintas da cidade – dentre as quais estavam bicheiros, negociantes de títulos financeiros, doadores de sêmen e candidatos à vereança – comentava-se que o forasteiro era dissidente do grupo de Altamiro Dente de Prego, um sujeito que espalhava o medo pelas redondezas ao ameaçar os moradores com armas de tiro d’água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o forasteiro não dava sinais de ser violento ou dedicado às artimanhas do crime. A julgar pela docilidade dos seus gestos, pelo vagar com que se locomovia e pelo tempo que despendia sentado no banco da praça com seu pensamento sugando tudo para si, não se podia imaginar que o forasteiro fosse capaz de qualquer desumanidade. Ele tinha um aspecto inacabado, como se o seu todo não existisse ou como se algumas partes dele tivessem ficado para trás, perdidas em algum lugar, numa raiz de árvore, no gradil de uma janela ou numa palavra arcaica sepultada pelo desuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O forasteiro vivia em pedaços, em abreviações, como tesselas desprendidas do mosaico da vida. Para ele, a cidade – uma imitação de quebra-cabeça bem encaixado – deixava transparecer suspeitas por ser tão ordeira e consensual em tudo. Bastava olhar às voltas para ver casas que pareciam clones umas das outras, jardins com flores invejosas e procissões que cultuavam divindades bacantes. À noite, dominados pelas impetuosidades do cio, era comum ouvir os cães trocarem seus latidos por um “Pórco Dio”. Tristemente, concluiu o forasteiro, a cidade parecia um cálculo matemático, um organismo que não suava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um mês de residência provisória e perambulações ao léu, era cada vez mais comum ver o forasteiro na praça, carregando consigo um grande livro e uma caneta. Diariamente, ele sentava no mesmo banco e consumia horas em pensamentos e anotações. Das sacadas e janelas próximas, alguns moradores confabulavam através de ondas telepáticas. Não precisavam dizer uma só palavra, pois já se conheciam por outros signos: gestos, olhares, insinuações, tremulações carnais. O que fazia o forasteiro? As ondas telepáticas pairavam sobre a cidade. A dúvida e a curiosidade corriam de uma janela a outra, de uma porta a outra, a ponto de paralisarem rádios e televisores. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;Numa tarde, o alfaiate aproximou-se do forasteiro com o olhar matreiro e desconfiado, forjando uma coragem que não possuía. A lógica do cálculo exigia uma pergunta objetiva e uma resposta sem rodeios, direta e consensual, para que toda a cidade entendesse. Querem saber o que você faz aqui na cidade, perguntou o alfaiate. Eu escrevo nomes, disse o forasteiro de forma objetiva. Escreve nomes? Sim, escrevo os nomes de todas as pessoas que conheci até hoje. E por que você faz isso? À pergunta do alfaiate, o forasteiro respondeu com outra pergunta: por que você costura roupas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O alfaiate afastou-se sem compreender exatamente o que o forasteiro havia lhe dito; ficou matutando algumas idéias em sua cabeça de ábaco, de modo a dar uma resposta aos demais moradores da cidade. Mas não lhe surgiu nada mais convincente do que a própria verdade, mesmo que, para ele, fosse um absurdo alguém perder tempo escrevendo nomes. No mesmo dia, ao relatar o encontro com o forasteiro em sessão solene no clube onde se reuniam as lideranças e as personalidades mais distintas da cidade, o alfaiate lembrou-se de que o forasteiro havia perguntado o seu nome, e ele havia respondido: Bépi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, não havia mais sinais do forasteiro na cidade. Ele havia fechado a conta da hospedaria e deixado o lugar da mesma forma misteriosa que havia chegado. Antes de sair, deixou um bilhete e pediu para que fosse entregue ao alfaiate. Ao abrir o bilhete, o alfaiate leu a mensagem: “Em outras cidades, eu gastava dias e mais dias escrevendo nomes no meu livro. Na sua cidade, bastou que eu conhecesse uma única pessoa para conhecer todas as demais.” Com uma tesoura afiada, o alfaiate fez um corte num pedaço de tecido à sua frente, um corte sem pensamento, duro e telepático como a vida naquela cidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 15/09/09&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-8388912368454373959?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/8388912368454373959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=8388912368454373959&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8388912368454373959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/8388912368454373959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/09/cabeca-de-abaco.html' title='Cabeça de ábaco'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sq7WGVPQk8I/AAAAAAAAApk/DqyAi1YWz7k/s72-c/pechstein1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-6897977081022262724</id><published>2009-09-07T17:46:00.004-03:00</published><updated>2009-09-07T17:53:20.280-03:00</updated><title type='text'>Muitos Vales, muitos males</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SqVxZSKyAxI/AAAAAAAAApc/SmtYypkFWf4/s1600-h/1886cclaudelhm8.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5378830009151652626" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SqVxZSKyAxI/AAAAAAAAApc/SmtYypkFWf4/s320/1886cclaudelhm8.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;blockquote&gt;Camille Claudel - "Clotho"&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um dos problemas centrais e geradores de grandes confusões em relação à convivência humana no campo das idéias (ou das ideologias) refere-se ao fato de que a forma como apreendemos e interpretamos as situações do mundo à nossa volta é variada e repleta de ambivalências. É no plano dos conceitos que resolvemos nossas vidas naquilo que elas têm de mais unificado ou de mais descontínuo. Os conceitos podem acirrar os combates da mesma forma com que podem fazer tremular as bandeiras brancas; e isso depende de algo a que podemos dar o nome de “consenso”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Particularmente, não creio em consenso, tampouco escrevo para angariar simpatizantes ou pessoas interessadas em pensar como eu. Tenho claro que o pensamento pode ser uma fraude que supervalorizamos e, por isso mesmo, é preciso ter cuidado com ele. Meu descrédito em relação à possibilidade de consenso pode ser explicado por meio da relação profunda que percebo entre os conceitos (que são construções simbólicas sócio-culturais) e o cotidiano vivido por cada indivíduo, ou seja, cada um de nós constrói um mundo para si a partir dos conceitos que absorve de uma teia de acontecimentos chamada “sociedade”. Isso, para mim, é o suficiente para que a noção de consenso seja tão fantasiosa quanto a Terra da Cocanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que somos demasiadamente humanos para criarmos imagens lineares sobre as formas diversificadas com que cada um de nós vive a sua vida ou abrevia a complexidade do mundo para si. O mundo só pode ser vivido como abreviação, mediante fluxos intensos de conceitos que mudam continuamente de posição a fim de gerarem a riqueza das interpretações. O consenso, por sua vez, só pode ser vivido ou experimentado dissimuladamente, pois ele exige renúncias, recuos ou retrações diante de situações em que a “verdade” se coloca como ilusão ou como meta inatingível. Veja-se, por exemplo, a recente querela sobre as alterações no zoneamento do Vale dos Vinhedos, uma situação típica na qual conceitos e consenso estão em disputa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baseado no que tenho acompanhado em relação ao assunto, é notável o fato de que a motivação básica desta problemática relaciona-se à precariedade na discussão dos conceitos que lhe servem de base. Ao ser desengavetado, o projeto de lei nº 287/09, que trata da alteração no zoneamento do Vale dos Vinhedos, trouxe à tona não apenas suspeitas sobre suas motivações políticas, mas também a emergência de se chegar ao centro daquilo que está verdadeiramente em discussão, isto é: de que “Vale dos Vinhedos” estamos falando? Do Vale idílico e romantizado que remonta ao pastiche da epopéia imigrante? Do Vale que é expoente turístico e gerador de dividendos importantes à economia local? Do Vale das mansões que motivam a especulação imobiliária? Do Vale dos loteamentos privados que prometem entrincheirar as pessoas no alheamento do luxo e no narcisismo do estilo de vida das elites? Do Vale das paisagens redefinidas pela prática da cultura da videira? Do Vale das votações que acontecem na Câmara dos Vereadores, nas quais brilham os falantes operários da democracia? Do Vale avistado como um sonho impossível pelos moradores dos bairros pobres circundantes? Do Vale encarado como moeda de barganha política? Do Vale usado como mecanismo retórico de promoção individual ou de um grupo? Do Vale que é só mais um pedaço de terra neste globo que se afasta, progressivamente, do caos das origens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem pode falar com propriedade sobre o Vale dos Vinhedos sem cair na contradição dos conceitos e sem perder-se no fundo falso da linguagem humana? A partir disto – e tendo em mente que as discussões, sobretudo as de cunho político, são geralmente travadas sem que se pense na polissemia dos conceitos – será lícito pensar que o consenso é apenas uma forma de calar vozes momentaneamente, a fim de que se busque outro front para as batalhas que acontecem em diferentes domínios, por diferentes métodos e amparadas por diferentes instituições sociais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O confronto entre os saudosos preservacionistas e os desbravadores progressistas ainda renderá boas discussões em relação ao projeto de lei em questão. Por sorte, a chatice de ter que aturar tais confrontos pode ser recompensada pelo espetáculo oportunizado por seus integrantes, os quais, munidos de conceitos que eles acreditam ser os mais “verdadeiros”, “plausíveis” e “corretos”, acabam denunciando que o consenso, definitivamente, não terá vez. Em situações como a que temos vivido em relação a este episódio evolvendo uma suposta alteração no zoneamento do Vale dos Vinhedos (qual Vale?) revelamos as nuances humanas que nos fazem memoráveis. Talvez, por isso mesmo, o Vale dos Vinhedos não pode ser outra coisa senão a extensão de quem o julga: algo que oscila entre a fragilidade, a corrupção e o fascínio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 08/09/09&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-6897977081022262724?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/6897977081022262724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=6897977081022262724&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6897977081022262724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6897977081022262724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/09/camille-claudel-clotho-um-dos-problemas.html' title='Muitos Vales, muitos males'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SqVxZSKyAxI/AAAAAAAAApc/SmtYypkFWf4/s72-c/1886cclaudelhm8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-4892187689127502222</id><published>2009-08-31T18:03:00.002-03:00</published><updated>2009-08-31T18:08:33.428-03:00</updated><title type='text'>O Museu é nosso, ha ha, hu hu!</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Spw642ermsI/AAAAAAAAApU/iVa3i-NGiw8/s1600-h/Renoir_La_Loge_1874.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 256px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376236803544816322" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Spw642ermsI/AAAAAAAAApU/iVa3i-NGiw8/s320/Renoir_La_Loge_1874.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Renoir, "La loge", óleo de 1874 &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Encerrou no último domingo, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, uma das exposições mais significativas já realizadas pela instituição gaúcha. A Mostra “Arte na França 1860-1960: o Realismo” reuniu, em Porto Alegre, obras oriundas de várias coleções internacionais e promoveu uma ida em massa ao Museu, o que caracteriza um fenômeno sociológico notável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visitei a exposição no sábado, dia 29, em seu penúltimo dia. Foi uma experiência catastrófica. Esperei uma hora e vinte minutos na fila, debaixo de sol escaldante e ouvindo os mais variados disparates sobre arte, coisas do tipo: “o gaúcho é um povo culto, vejam só o tamanho da fila!”, “isso sim é arte e não aquele lixo da Bienal!” ou “estou aqui há uma hora só para ver o Rembrandt!” – detalhe: não havia Rembrandt na exposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a parte externa do Museu se tornou um circo de horrores, a parte interna estava ainda pior. Tal qual prisioneiros acorrentados, os visitantes andavam em fila, com passos rastejantes, como se carregassem uma tonelada de peso sobre os ombros, tudo isso sob o olhar atento dos vigilantes que escrutinavam possíveis criminosos. Sob certos aspectos, os visitantes pareciam estar participando de um ritual religioso, à espera de uma graça ao entrar em contato com divindades artísticas que, em sua grande maioria, desconheciam. O resultado disso é que o contato com as obras expostas – que poderia configurar um momento único de aproximação com alguns dos artistas mais significativos do mundo da arte –, tornou-se uma experiência anêmica e empacotada, dentro de uma dimensão genuinamente turística, onde o mais importante era garantir o assunto da semana e não parecer alienado por não ter visto a exposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em função do excesso de público, protocolos de conduta à moda Mc Donald’s ficaram evidentes, como esperar na fila, passar pelo detector de metais, ouvir as regras para a permanência no recinto, parar quinze segundos na frente de uma obra e ir para a obra seguinte, exclamar “Oh, um Van Gogh!”, subir para o segundo piso, ir ao banheiro, passar pelos hiper-realistas (e achar que só eles é que fazem arte porque reproduzem o real com fidelidade), tomar a escadaria da saída e, por fim, pensar que se cumpriu o cerimonial a que só os “cultos” têm acesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O efeito mais visível destas grandes exposições é que elas geram uma espécie de transe coletivo, mediado pela grandiloqüência das práticas de consumo cultural consideradas qualitativamente superiores. No caso da exposição a que me refiro, muitas pessoas não sabiam o que estavam fazendo dentro do Museu, pois foram levadas pelo transe e pela idéia de que basta entrar nele uma única vez para tirar a alma do purgatório. Penso que o empilhamento de gente foi apenas uma alternativa exótica para uma tarde em que se deixou o futebol, o baralho, o pesque-e-pague e as lojas do shopping para outro dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lado bom destas grandes exposições é que, mesmo de forma atropelada, elas levam as pessoas ao Museu e podem ser um modo de incentivar uma primeira visita à instituição, que ainda é encarada como um espaço acessível apenas às pessoas financeiramente privilegiadas. O lado ruim é que elas acabam se rendendo à indústria do espetáculo, do consumo estético orientado pela mídia e, como conseqüência, tendem a criar uma linearidade do gosto artístico que não existe de fato, mas que é simulada pela aglomeração, num mesmo ambiente, de pessoas com realidades e capacidades de leitura da arte tão díspares e contrastantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi angustiante, em certos momentos, perceber de que maneira os guias e monitores tentavam, desesperadamente, resumir um estilo, uma tendência ou uma escola artística em cinco palavras, como se isso fosse justificar, de forma mágica, por que Modigliani ou Picasso deformam a representação da figura humana e nem por isso são piores artistas do que Renoir, que não a deforma com a mesma intensidade. Alguns exemplos, argumentos ou considerações beiravam a mais tosca comparação, como se o visitante estivesse sendo questionado sobre a diferença entre um cão poodle e um labrador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as aberrações que presenciei no sábado configuram o que se poderia chamar de “acesso à arte”, creio que ainda temos muito a aprender e refletir sobre essas grandes exposições. Talvez, ao contrário do que pensa a maioria, a grande fila que se formou para entrar no Museu seja um sinal de deficiência ou decadência e não de superioridade cultural de quem, cotidianamente, não põe os pés no Museu, mas o fez somente porque ouviu o vizinho dizer que ia e não podia ficar indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí do Museu frustrado, sem conseguir apreciar absolutamente nada, irritado como quem sai do estádio após ver seu time de futebol derrotado. Lembrei do que ouvira na fila, durante a espera. E concluí que foi muito bom não ter visto Rembrandt por lá.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 1º/09/2009&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-4892187689127502222?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/4892187689127502222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=4892187689127502222&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/4892187689127502222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/4892187689127502222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/08/o-museu-e-nosso-ha-ha-hu-hu.html' title='O Museu é nosso, ha ha, hu hu!'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Spw642ermsI/AAAAAAAAApU/iVa3i-NGiw8/s72-c/Renoir_La_Loge_1874.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7612379183461227260</id><published>2009-08-24T18:06:00.004-03:00</published><updated>2009-08-24T18:10:30.181-03:00</updated><title type='text'>Mover o mundo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SpMA6LdzE6I/AAAAAAAAApM/gkhZIRt3U_M/s1600-h/marcas-que-viram-arte-759139.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373639779893318562" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SpMA6LdzE6I/AAAAAAAAApM/gkhZIRt3U_M/s320/marcas-que-viram-arte-759139.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Obra do artista Nic Hess &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Conversar é uma forma de pôr o mundo em movimento. Ao conversarmos com alguém, relativizamos nossos pontos de vista, escamoteamos uma realidade que não é única e criamos para nós um entendimento mínimo a fim de reduzirmos, momentaneamente, a complexidade do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O matemático grego Arquimedes dizia que, dando-lhe uma alavanca e um ponto de apoio, ele seria capaz do mover o mundo. É claro que a intenção de Arquimedes está diretamente ligada ao movimento da matéria e às suas propriedades físicas, dimensões que, ao contrário do mundo da conversação, precisam de certas condições básicas para se realizar. De certo modo, somos capazes de mover o mundo com as palavras; para isso, não precisamos de alavancas e pontos de apoio. Conversar é um modo figurado de mover o mundo, é subtraí-lo de sua essência formal monolítica e deixá-lo suspenso pelo poder que possuímos de vesti-lo com símbolos, narrações e fabulações. E isso acontece sempre que conversamos com alguém, sempre que investimos nosso tempo nesta prática que se funde à própria compreensão do que é o humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cultura grega antiga, a conversa era fundamental. Muitos filósofos – conhecidos como “peripatéticos” – demoravam-se em longas caminhadas com seus alunos enquanto conversavam, trocavam idéias e mergulhavam na aventura de perceber o quanto o mundo pode ser enriquecido quando se está disposto a uma conversa construtiva. A conversação (o ato de conversar) instaura a empatia entre os falantes e oferece uma sensação de alegria e de alteridade que, outrora, foram profundamente presentes no âmbito da cultura, mas que, atualmente, vêm sendo substituídas pela entropia da linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São poucas as pessoas que ainda cultivam a conversa como potência de vida. Nossa cultura contemporânea converteu-se num espaço de uivos, de gritos ensurdecedores, de desmanches mortificadores da arte de falar e ouvir em profundidade. Perdemos muito com isso. Perdemos, sobretudo, a possibilidade de um despertar estético das sensibilidades humanas através da conversação como forma de arte, dentro de um domínio que o filósofo Guyau chamou de simpatia social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, o historiador Stephen Miller escreveu uma obra na qual focaliza o desenvolvimento da conversação e seus desdobramentos dentro de alguns aspectos evolutivos da cultura ocidental, visitando grandes escritores e suas percepções sobre a arte de conversar, o que inclui Cicero, Montaigne, Defoe e Virginia Woolf. A tese desenvolvida pelo historiador é a de que a conversação, que já foi uma das grandes responsáveis pela riqueza simbólica do mundo, atualmente configura uma arte em declínio. Isso quer dizer que conversamos cada vez menos e, com isso, empobrecemos nossa linguagem e reduzimos a possibilidade que temos de criar identificações esteticamente mais ricas com a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a aceleração do processo de domínio cultural dos meios de comunicação de massa, confundimos a conversação com os seus correlatos mais próximos, o que nos traz a ilusão de que conversamos mais do que em outras épocas. Telefones celulares, correio eletrônico, páginas de relacionamento na internet e programas de comunicação instantânea (como o MSN, por exemplo) nos dão a ilusão de que conversamos com mais pessoas e de que aumentamos a cada dia a nossa “teia de relacionamentos”. Mas isso é ilusório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversação, como motor da atividade humana de entendimento do mundo, vem se tornando rara nos dias atuais. Basta constatarmos que, em função da aceleração tecnológica da comunicação de massa, criamos linguagens cifradas, estraçalhadas e codificadas ao extremo, e tudo isso com o objetivo de acelerarmos o processo simulado da globalidade. Há pessoas (sobretudo o público jovem) que “conversam” demasiadamente através de canais intermediários que, quando se encontram pessoalmente, não têm mais nada a dizer umas às outras. A surpresa do encontro, que poderia ser o estopim de uma boa conversação, acaba se tornando mera recapitulação do que foi dito por outros meios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversação – do modo como a defendo aqui –, exige atos de fala plenos: a vibração dos sons das palavras na garganta, as gestualidades que animam a carne humana, os olhares que se cruzam em idas e vindas, as cadências respiratórias, as poetizações do mundo que vai se revelando em palavras, frases e discursos propagados feito ondas cósmicas. Só há conversação quando há uma entrega plena entre interlocutores dispostos a ampliarem suas compreensões referentes ao mundo. Quem conversa descobre possibilidades de renovar a si e ao seu interlocutor. A boa conversação é sempre um acréscimo à vida, algo que precisa ser redescoberto se ainda ousarmos pensar que a humanidade possui um projeto com o qual devemos nos ocupar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 25/08/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7612379183461227260?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7612379183461227260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7612379183461227260&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7612379183461227260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7612379183461227260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/08/mover-o-mundo.html' title='Mover o mundo'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SpMA6LdzE6I/AAAAAAAAApM/gkhZIRt3U_M/s72-c/marcas-que-viram-arte-759139.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-1149516004869415836</id><published>2009-08-17T19:57:00.006-03:00</published><updated>2009-08-17T22:30:23.594-03:00</updated><title type='text'>Cultura vigiada</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SongkW2ijWI/AAAAAAAAApE/DT6-KuliJqo/s1600-h/deacon.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5371070945830276450" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SongkW2ijWI/AAAAAAAAApE/DT6-KuliJqo/s320/deacon.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;Escultura de Richard Deacon&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Inicia hoje, em Bento Gonçalves, um evento que se propõe a discutir políticas voltadas para o setor cultural e suas reais possibilidades de aplicação no contexto das particularidades sociais locais. Batizado como “I Conferência de Cultura de Bento Gonçalves”, o evento poderá ser um marco em relação à vida cultural local, desde, é claro, que não se converta em mais um espaço de celebração de hegemonias e de articulações político-partidárias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento Gonçalves tem uma carência atávica em disc&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;utir sua cultura. Quando falo em “discutir” a cultura, refiro-me aos mais diversos sentidos que essa palavra comporta: o combate de idéias, a troca de argumentos, a análise de conjunturas sócio-históricas e o intercâmbio de experiências sobre as diversas leituras de mundo possíveis. É urgente refletirmos sobre a cultura com base em enfoques renovados e atentos às modificações constantes do mundo contemporâneo, caso contrário seremos sempre vítimas do nivelamento mais rasteiro em relação a tudo que nos é imposto de forma inquestionável. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Argumentos desgastados afirmam que a “nossa cultura” é produto de uma história solidificada e inalterável que, ao mesmo tempo em que atua como elixir da identidade, também garante o antídoto para o desgarramento afetivo em relação ao passado e seus tijolos heróicos e idealistas. Não são poucos os juízos e opiniões que pululam em nossa cidade dando suporte aos velhos mitos que povoam o imaginário dos administradores da cultura hegemônica, nos quais, de forma mais que evidente, as expressões “resgate histórico”, “orgulho imigrante”, “antepassados heróicos”, “fé e trabalho” impregnam-se de uma total paralisia que nos incita a aceitar certas articulações culturais simplesmente porque elas sempre foram assim. Contudo, penso que a cultura representa o desafio de modificar-se, o desafio de estar na contra-mão, de modo a exaurir as possibilidades de representações do mundo mediante todas as contradições possíveis. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;A “I Conferência de Cultura de Bento Gonçalves” poderá expandir horizontes, desacomodar supostas certezas e iluminar mentalidades para a apreensão da cultura como resultado da ação humana sobre a natureza e, desta forma, como fenômeno que detém uma potência narrativa surpreendente sobre o que somos e o que fazemos no mundo. Nas palavras do filósofo e sociólogo Ward Goodenough encontra-se uma idéia essencial para refletirmos sobre a cultura. Segundo este autor, “cultura é tudo aquilo que precisamos saber para pertencer”. Trata-se de uma afirmação demasiadamente simples e que, por isso mesmo, retém o brilho da complexidade. É sintética, enxuta, cabemos nela como ela cabe em nós. Se não há pertencimento, não há cultura. Entretanto, a idéia de “pertencer”, conforme aponta Goodenough, é mais ampla do que parece, pois ela envolve a mais profunda capacidade de integrar o homem à sua circunstância existencial e histórica. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Goodenough nos faz perceber que há formas diversas de pertencimento e que é incerta a construção de um campo unitário para esta realização humana que é a cultura. Por isso mesmo, o conceito de cultura é complexo, dinâmico, elástico e, mais do nunca, com o advento da pós-modernidade, tornou-se central como forma de narrar sociedades em processo de modificação estrutural e de choque com o legado da tradição moderna. Pertencer é descartar antigas crenças, ventilar o pensamento para a celebração do novo, abrir-se para o diálogo, descobrir-se como um ente vivo e necessário a um mundo que, em si, não tem quaisquer valores implícitos a não ser aqueles que formulamos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;A Conferência poderá ser uma ferramenta que nos ajude a refletir sobre o lugar em que vivemos e sobre nossa relação de pertencimento a ele. Pertencemos à cidade ou a cidade nos pertence? Afeiçoamo-nos a ela ou a escravizamos e violentamos? Vivemos num processo democrático de coletivização de idéias ou nos intimidamos frente às ditaduras veladas e suas mordaças sempre em punho? Todos nós, indistintamente, fazemos cultura e somos cultos à nossa maneira, quer seja comendo feijão com arroz ou uma iguaria de nome estrangeiro; quer tenhamos um sobrenome prestigioso grafado num brasão sobre a lareira da sala ou uma certidão de nascimento puída dentro de uma gaveta. Todo indivíduo é um agente da cultura e um ente que a promove e a modifica. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:130%;"&gt;Considerar a cultura como um fato que se vive e como uma forma simbólica de projetar-se ao encontro dos demais indivíduos pode ser o maior desafio de qualquer discurso que se faça, atualmente, em relação ao campo cultural. No mais, penso que, desde que bem conduzido, este movimento que surge na cidade – sobretudo em torno da mobilização da classe artística –, poderá virar uma página em relação às articulações culturais locais. Estamos, talvez, a poucos passos de deixarmos para trás uma cultura vigiada, a fim de substituí-la por uma cultura vigilante. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 18/08/09&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-1149516004869415836?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/1149516004869415836/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=1149516004869415836&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1149516004869415836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/1149516004869415836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/08/escultura-de-richard-deacon-inicia-hoje.html' title='Cultura vigiada'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SongkW2ijWI/AAAAAAAAApE/DT6-KuliJqo/s72-c/deacon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7861235186756844644</id><published>2009-08-10T18:42:00.003-03:00</published><updated>2009-08-10T18:45:09.919-03:00</updated><title type='text'>O dedo sujo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SoCUc3R-aaI/AAAAAAAAAos/MFNwvJ35_dY/s1600-h/buda.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368453979422222754" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 281px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SoCUc3R-aaI/AAAAAAAAAos/MFNwvJ35_dY/s320/buda.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;Fotografia de Andres Serrano&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em 1982, um clássico da filmografia de Steven Spielberg levou às telas do cinema a figura de um simpático alienígena que acendia a ponta do dedo para o espanto dos terráqueos. No teto da Capela Sistina, no Vaticano, o tema da criação do homem atingiu a genialidade na pintura elaborada por Michelangelo, que une o céu e a terra (espírito e matéria) com o toque dos dedos das figuras de Deus e Adão. A falta de um dedo na mão esquerda do Presidente Lula nunca foi diagnosticada como impossibilidade para o exercício da presidência, pois sabendo contar até nove é o suficiente para infiltrar-se na carreira política. Já Daniela Cicarelli, a antítese de Lula, tem seis dedos no pé direito por ser portadora de uma anomalia genética chamada polidactilia. Como vemos, seria possível reunir neste texto uma série de outras curiosidades capazes de produzir relações entre si, mencionando-se os dedos como vetores de unidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse sentido, digna de nota foi a cena protagonizada na última quinta-feira, 06/08, pelos senadores Tasso Jereissati e Renan Calheiros no Senado Federal, em mais uma demonstração do ridículo a que se expõem essas figuras patéticas da política nacional. E o vilão da história, desta vez, não foi o mordomo, nem o caseiro e nem o “laranja” que emprestou o nome para mais uma falcatrua. O vilão foi o “dedo sujo” de Calheiros, segundo a sugestiva descrição de Jereissati.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deflagrada a discussão entre os dois senadores, entraram em cena as famosas ameaças e informações suspeitas que vêm pautando a vida política nacional em seus ambientes institucionais: jatinhos comprados com dinheiro público para uso privado, tráfico de influência através do financiamento de empreiteiras, coronelismo e agiotagem política. Nada novo sob o sol, afinal. Nada com que devamos nos preocupar neste país onde políticos criminosos não são investigados e ainda por cima ousam falar em decoro parlamentar. Que decoro é este?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto os dois senadores se engalfinhavam em agressões pessoais, José Sarney, a sentinela no púlpito, observava a movimentação com aquela tradicional cara de quem lava as mãos para tudo e para todos. Ele sequer sabia qual era o botão da mesa que aumentava o volume da sirene de alerta. Em qualquer fábrica, se um funcionário não sabe operar uma máquina ou não sabe para que serve um dos seus botões, é demitido e considerado inapropriado para o serviço. Mas no Senado Federal vale tudo, nem mesmo um cérebro é necessário para o exercício da política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistindo às cenas veiculadas pela imprensa nacional, pode-se ver, com facilidade, sob que níveis de ameaça, conluio e chantagem são tomadas as decisões por parte dos nossos senadores. Tal qual quitandeiros disputando a atenção do freguês na base do grito, os dois senadores, a cada novo expurgo ampliado aos ouvidos da nação, descarregavam ameaças e informações obscuras que, ao que tudo indica, não serão apuradas. E isso se deve ao fato de que, no plano político, perdemos a noção do que é mentira e do que é verdade, do que é ameaça e do que é fato consumado. Em relação ao campo político, tudo pode ser relativizado, nada é o que parece, sempre há uma passagem secreta a ser usada para uma fuga, sempre dá para descer um pouco mais o nível do que já está no subsolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos envolvidos por um modelo político deplorável. São muitos os dedos sujos apontados para a nossa cara. Curiosamente, são estes dedos sujos – de cangaceiros e jagunços eleitos para servir à nação – que conduzem nossa vida no plano de sua organização sócio-política. Penso que o velho problema da representação política retorna com força total por meio deste episódio envolvendo Jereissati e Calheiros. Quem pode afirmar que se sente representado por estas duas figuras? Representado de que forma? Por meio de suas atitudes que são supostas extensões das atitudes de seus eleitores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio que, se estivéssemos inseridos num cenário político sério e digno de confiança, haveria muito para ser investigado em relação às agressões trocadas pelos já citados senadores. Mas não tenho dúvidas de que o assunto morrerá tão logo seja substituído por uma nova intriga, uma nova troca de acusações, um novo capítulo de novela estrelado por nossos políticos que não precisam fazer muito esforço para representar o papel de bandidos. Este quadro me faz pensar que somos tão estúpidos quanto os políticos que elegemos, tão dissimulados e cínicos a ponto de nada fazermos para combater sua animalidade, o que, no fim das contas, equivale a aceitarmos os dedos sujos destes lobos que nós alimentamos e ajudamos a entronar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta de Bento Gonçalves, em 11/08/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7861235186756844644?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7861235186756844644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7861235186756844644&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7861235186756844644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7861235186756844644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/08/o-dedo-sujo.html' title='O dedo sujo'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SoCUc3R-aaI/AAAAAAAAAos/MFNwvJ35_dY/s72-c/buda.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-6860374621155464680</id><published>2009-08-03T19:04:00.001-03:00</published><updated>2009-08-03T19:08:35.486-03:00</updated><title type='text'>Prêmio Lila Ripoll de Poesia</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Comissão Julgadora do &lt;strong&gt;Prêmio Lila Ripoll de Poesia&lt;/strong&gt;, promovido pela Assembléia Legislativa, escolheu os vencedores da edição 2009, na tarde desta sexta-feira, 31/07. Concorreram 367 textos em prosas e versos, sobre temas sociais e de gênero, que foram analisados pelos jurados Jaime Vaz Brasil, Marilice Costi, Ronald Augusto da Costa e Santa Inéze Domingues da Rocha Neiva Soares. A poesia “Nas dobras da cortina verde” de Caroline Milman ficou em primeiro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Prêmio selecionou três vencedores e mais 10 menções honrosas, são eles: &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;1.º lugar: “Nas dobras da cortina verde”, de Caroline Milman&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;2.º lugar: “Logopsia”, de Clóvis Da Rolt&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;3.º lugar: “Rua dos fundos”, de Haydée Schlichting Hostin Lima&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Menções honrosas:&lt;br /&gt;1.ª menção honrosa – “O velho das bandeiras”, de João Pedro Seibel Wapler&lt;br /&gt;2.ª menção honrosa – “Bordados”, de Caroline Milman&lt;br /&gt;3.ª menção honrosa – “Intratempo”, de Francisco Mateus Conceição&lt;br /&gt;4.ª menção honrosa – “Margem”, de Francisco Mateus Conceição&lt;br /&gt;5.ª menção honrosa – “Uva-do-Japão”, de Camilo de Lélis Furlin&lt;br /&gt;6.ª menção honrosa – “Homo-humano”, de João Antônio Pereira&lt;br /&gt;7.ª menção honrosa – “O pombo”, de Adalberto Alves Monteiro&lt;br /&gt;8.ª menção honrosa – “Capela Branca para Clementina”, de Moacyr V. Junior&lt;br /&gt;9.ª menção honrosa – “Após as flores”, de Darci Jorge Martins da Cunha&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10.ª menção honrosa – “Logopsia II”, de Clóvis Da Rolt&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Premiação&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;No dia 12 de agosto ocorrerá a cerimônia de entrega das medalhas e diplomas aos selecionados. O evento será no Solar dos Câmara, às 20h, com atrações culturais e entrada franca. As 13 poesias serão publicadas em um livro, que deverá ser lançado na Feira do Livro de Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O Prêmio&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Regulamentado pela Resolução nº 2.910/2004, o Prêmio Lila Ripoll foi criado por ocasião do centenário de nascimento da escritora gaúcha, nascida em Quaraí, em 12 de agosto de 1905. A homenagem foi uma iniciativa da ex-parlamentar Jussara Cony, retomada nesta legislatura pelo deputado Raul Carrion (PCdoB).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Lila Ripoll&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Gaúcha de Quaraí, nasceu em 12 de agosto de 1905. Lila Ripoll foi poetisa, professora, jornalista e pianista. Trabalhou em jornais como o Correio do Povo e A Tribuna Gaúcha, e nas revistas Universitária, Horizonte e A Leitura.&lt;br /&gt;Na política, foi candidata a deputada pelo Partido Comunista em 1950, mas teve a eleição impedida e voltou a atuar no movimento sindical. Com o golpe militar de 1964, foi presa e posteriormente libertada por motivo de doença, falecendo em fevereiro de 1967.&lt;br /&gt;Entre os livros publicados, dois materializaram seu protesto contra as desigualdades sociais: "Novos Poemas" (1951), com o qual conquistou o “Prêmio Pablo Neruda da Paz", e "Primeiro de Maio" (1954).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-6860374621155464680?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/6860374621155464680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=6860374621155464680&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6860374621155464680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6860374621155464680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/08/premio-lila-ripoll-de-poesia.html' title='Prêmio Lila Ripoll de Poesia'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2178725685698126709</id><published>2009-08-03T18:19:00.006-03:00</published><updated>2009-08-03T19:03:43.734-03:00</updated><title type='text'>Camuflagens</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SndX6DDijZI/AAAAAAAAAok/igTZ7Ildk_g/s1600-h/liubolin+2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365854135799418258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 253px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SndX6DDijZI/AAAAAAAAAok/igTZ7Ildk_g/s320/liubolin+2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SndX0l9OLeI/AAAAAAAAAoc/oHAb6RdSTT8/s1600-h/liubolin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5365854042088943074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 254px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SndX0l9OLeI/AAAAAAAAAoc/oHAb6RdSTT8/s320/liubolin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;Intervenções urbanas do artista chinês Liu Bolin&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Inúmeros animais possuem capacidades miméticas que lhes permitem assumir as formas e cores do ambiente ao seu redor. É assim com o camaleão, com o urutau e com algumas espécies marinhas que parecem pedras acomodadas no fundo das águas. Na natureza, a astúcia dos animais que possuem a propriedade de se camuflar funciona como um mecanismo de defesa que confunde os predadores. A garantia de suas vidas, portanto, depende da eficácia dos seus disfarces. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Liu Bolin, um artista chinês, tomou o princípio das camuflagens dos animais para criar uma série de performances registradas em fotografias, nas quais seu próprio corpo “desaparece” entre anúncios publicitários, propagandas e outdoors de Pequim. Suas obras, simples na execução e sofisticadas no impacto, constituem um alerta contundente sobre a extinção do indivíduo frente à indústria do consumo e dos veículos midiáticos de massa que povoam a cultura contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liu Bolin posiciona-se estrategicamente em frente ao outdoor escolhido e, em seguida, pinta o próprio corpo com os mesmos elementos visuais do outdoor. O resultado disso é que as pessoas passam pelo anúncio sem perceberam que há uma pessoa na frente dele, salvo quando o artista executa algum movimento para chamar a atenção dos passantes. A perspectiva estética articulada pelas intervenções urbanas do artista chinês está diretamente relacionada ao anonimato experimentado pela vida cotidiana em grandes centros urbanos, nos quais as pessoas perdem-se em meio às marcas, ao consumo doentio e à despersonalização da vida frente aos signos e símbolos de massificação cultural. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Se, para os animais, a camuflagem cumpre uma função anti-predatória, para Liu Bolin ela é uma metáfora da condição de vida pós-moderna, segundo a qual somos questionados sobre a possibilidade (ou não) de ainda haver esconderijos para exercitar uma vida autêntica num mundo desencantado. Num país como a China, onde o regime comunista costuma fechar ateliers de artistas por considerá-los nocivos às ideologias políticas do sistema, as performances de Liu Bolin vão muito além da denúncia relativa às imposições políticas e à economia mundializada da experiência estética: elas traduzem, de forma silenciosa, um estado de entropia generalizada, através do qual o homem perde sua posição autoral no mundo para ceder lugar aos intermediários criados pela cultura do consumo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Indivíduo e massa são confrontados a cada instante em situações que, na maioria das vezes, exercem um grande poder de gerenciamento das escolhas individuais em função da síntese operada pela vulgaridade daquilo que é genérico e aceito sem resistências. Muitas escolhas que fazemos são, na verdade, respostas àquilo que outras pessoas escolheram para nós, numa espécie de predestinação manipulada pela propaganda, pelo marketing de consumo e por estratégias publicitárias. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os veículos de comunicação de massa constituem a engrenagem que move a cultura planetária na atualidade. Sua eficácia em gerar consensos precários reside no fato de que sua meta é a abrangência quantitativa, a massa, o “monstrengo desfigurado”, como diz Ortega Y Gasset. Sem uma devida leitura de mundo por parte dos seus receptores – que permita a avaliação dos impactos nocivos da disseminação desenfreada da informação, da notícia e das imagens visuais –, os veículos de comunicação de massa podem se converter em predadores semelhantes aos que existem na natureza, sempre à espreita para atacar quando a vítima está mais indefesa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;De forma contundente, as estratégias de desaparição de Liu Bolin desenham um horizonte melancólico com o qual convivemos de forma passiva e sem esboçarmos qualquer movimento de repúdio. Com a multiplicação exagerada e descontrolada das imagens do mundo, vamos perdendo, de certo modo, um sentido de realidade. Nietzsche, de forma profética, assinalava que a possibilidade de conversão do mundo em fábula traria consigo a perda das referências em relação à “realidade”, o que nos tornaria, por extensão, personagens do mundo-fábula. É provável que isso esteja se concretizando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;As fotografias que resultam das intervenções de Liu Bolin no mundo dos anúncios são sintomáticas e perturbadoras. Elas nos mostram que, talvez, o ser humano não tenha mais a possibilidade de se desvincular do imaginário produzido em torno da submissão às mercadorias e aos produtos de nossa sociedade hiper-imagética. O artista também alerta para que prestemos mais atenção ao bombardeio visual que recebemos diariamente, o qual nos agride com sua forma pervertida de conduzir desejos, impulsos e escolhas, manipulando-nos como propriedade alheia.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Publicado no Jornal Gazeta, de Bento Gonçalves-RS, em 04/08/09&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2178725685698126709?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2178725685698126709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2178725685698126709&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2178725685698126709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2178725685698126709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/08/camuflagens.html' title='Camuflagens'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SndX6DDijZI/AAAAAAAAAok/igTZ7Ildk_g/s72-c/liubolin+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7625215373569003626</id><published>2009-07-28T02:19:00.003-03:00</published><updated>2009-07-28T02:25:19.234-03:00</updated><title type='text'>Amor e Napalm</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sm6Koc8M7wI/AAAAAAAAAoU/LlhDmjIsm5Y/s1600-h/Derain.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363376633812938498" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 263px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sm6Koc8M7wI/AAAAAAAAAoU/LlhDmjIsm5Y/s320/Derain.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;Obra de Andre Derain&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Mais um dia comum acompanhava os olhos marejados de Deméter. Sentado próximo à parede, na terceira mesa no interior da cafeteria, ele contemplava os movimentos que se desenhavam do lado de fora: um cão abanando o rabo, um pássaro em vôo rasante, algumas gentes. Imóvel, estátua de cera, ele concentrava toda sua lucidez naquele momento singular. Inspira, expira, inspira, expira. Puro terror, pensava ele, a constatação do que era a vida: dois pulmões, alguns bichos, tantos sons, um café que esfria. Continuou a olhar para o lado de fora da cafeteria tomado por um misto de espanto e graça. Na área retangular da vidraça, emoldurou os bancos desalinhados da praça e algumas velhas octogenárias com seus passos de elefantes que estremeciam a cidade.&lt;br /&gt;No mundo-engrenagem de Deméter, crianças eram jogadas do alto dos prédios, jovens instruíam-se com a leitura de “Amor e Napalm”, encarcerados organizavam rebeliões e embriões humanos eram congelados para a venda no mercado negro, coisas muito digeríveis para a realidade progressista e civilizada que o envolvia. Atado ao instante e a nada mais do que o instante, Deméter fitou um pedinte sem braços, sentado à beira da calçada. Mais estropiado do que cão sem dono, o pedinte confirmava que Deus poderia ser invocado com mais integridade por um desdentado pouco instruído do que por religiosos hábeis no latim e por PhD’s estrangeiros alienados entre tubos de ensaio. Deus te abençoe, meu filho! Inspira, expira, inspira, expira. Dois pulmões. Prenúncio do fim. Tudo poderia terminar ali mesmo, na terceira mesa da cafeteria. Um grand finale regado a café frio e algumas gentes olhando desconfiadas.&lt;br /&gt;Absorto, Deméter lançou um olhar morno para um quadro afixado na parede em que, por vezes, ele se recostava ou tocava com a testa para sentir o friozinho da argamassa. Era um quadro copiado de alguma revista, destas que as pessoas compram nas bancas ao preço de cinco reais, que é a quantia que pagam pela constatação de que jamais serão como El Greco ou Modigliani, porque sempre custa pouco admitir a mediocridade, quase nada. Ele esqueceu o quadro e folheou o jornal à sua frente, alternando olhares entre as gentes do lado de fora e os vultos de tinta estampados no papel vagabundo. Deméter parecia sepultado em seu próprio silêncio, feito uma peça empoeirada guardada num sótão escuro. Seus ossos, cuja combinação formava um bicho pensante, talvez não passassem de quinquilharias, a que Deus ou Alá ou Buda ou Krishna teria dado uma forma e unido a outras coisas mundanas. Ossos, dois pulmões. Inspira, expira, inspira, expira. E tudo poderia ter acabado ali, sem despedidas, sem lágrimas, sem palavras de afeto.&lt;br /&gt;Pensativo, coluna dórica, Deméter rememorava sua coleção mental de amores e frustrações. Qual mobília danificada, Deméter precisava de reparos, algumas palavras verdadeiras, um pouco de espuma nas arestas, uma demão de beleza. E pronto, estaria novamente vivo, em ignição, disposto a ouvir uma canção melancólica sem chorar, ou a caminhar entre as paineiras floridas da alameda, onde as pessoas circulavam com o olhar apregoado à ponta dos pés. Talvez voltasse a regar o jardim de casa ou pôr comida no pombal, mas era incerto.&lt;br /&gt;Numa mesa próxima, falavam sobre a pena de morte. Os pitacos eram muitos. Bandido tem que acabar na forca, bradavam alto, em uníssono. E Deméter, atento ao ar que inflava seus pulmões, formulava para si a imagem de um fulano dependurado, triste alma, ventríloquo humano, fruto do sistema. Que sistema? O único que existia coagulado à sua frente: a grande vidraça da cafeteria, o movimento externo, o cão, o vôo rasante de um pássaro, um fulano bêbado, uma viatura policial, as gentes. Ele também era o sistema, um imenso estômago sempre culpado por digerir tudo.&lt;br /&gt;Uma das tantas velhas que circulavam pela calçada entrou na cafeteria e pediu um café sem açúcar. Era de estatura baixa, cabelo branco, curto, olhar doce. Deméter observou atentamente aquela criatura quase morta, frágil e de pele sem viço, que parecia prestes a se desmontar com um leve sopro. Ele quase tentou. Tomou fôlego bem fundo, inflou o peito, mas desistiu. Largou o ar de chofre e viu as páginas do jornal se movimentarem feito um tecido leve. Dois pulmões, inspira, expira, inspira, expira. Aquele elefante velho, paralisado ao seu lado, causou um momento de desatino. A pele enrugada, cinza, os pés pesados. Como as pessoas podiam poetizar a velhice? Ele não entendia, nem queria entender. Só queria soprar o elefante para bem longe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Deméter saiu e atravessou a rua. Em seguida, ouviu o sino da igreja propagando uma divindade metálica. As árvores despidas pelo inverno fizeram com que ele se lembrasse da nudez de Elen, uma garota que perdia horas arrancando pontas duplas do cabelo e com quem ele satisfazia seus desejos sexuais. Deméter atentou para os seus dois pulmões cheios de vida – a vida de um peixe debatendo-se fora d’água. Ele continuou caminhando e em poucos segundos se dissipou ao longe. Na cafeteria, uma criança de colo entretinha-se observando uma mosca que faiscava à sua frente. E o elefante bebia o último gole de café.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Publicado no Jornal Gazeta, de Bento Gonçalves-RS, em 28/07/09&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7625215373569003626?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7625215373569003626/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7625215373569003626&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7625215373569003626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7625215373569003626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/07/amor-e-napalm.html' title='Amor e Napalm'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Sm6Koc8M7wI/AAAAAAAAAoU/LlhDmjIsm5Y/s72-c/Derain.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7637077783405206285</id><published>2009-07-24T15:00:00.014-03:00</published><updated>2009-07-27T13:53:56.556-03:00</updated><title type='text'>De Los Angeles: Arecibo na escuta...</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Smn3nbKLH9I/AAAAAAAAAoM/dsrtQZLo5Z8/s1600-h/Arecibo_naic_big.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362089088038674386" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 238px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Smn3nbKLH9I/AAAAAAAAAoM/dsrtQZLo5Z8/s320/Arecibo_naic_big.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;"Observatório Arecibo", na cidade de Arecibo, Porto Rico.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tréplicas são procedimentos muito comuns no jornalismo. Elas surgem quando alguém manifesta uma visão contrária (réplica) sobre uma determinada opinião anteriormente apresentada. Algo muito natural. Este texto, portanto, é uma tréplica aos devaneios enlatados publicados na Gazeta de hoje, 24/07, e assinados pelo Sr. Sergio Meth, de Los Angeles, EUA, um desses brasileiros que dizem amar profundamente sua “Pátria Mãe” a ponto de viverem afastados dela, residindo no exterior... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li o texto do Sr. Meth (que faz questão de se apresentar como PhD, de modo a impor mais respeito às suas simplórias opiniões) na esperança de que fosse encontrar um argumento combativo, consistente, com o qual eu até poderia dialogar, respeitosamente, numa comunicação informal. Mas como ele preferiu a displicência pública para manifestar seus desafetos, eis que ficou caracterizada a abertura para uma tréplica. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, o texto do Sr. Meth, PhD, caracteriza-se pela lamúria fácil que costuma povoar as mentalidades de milhões de idólatras do preservacionismo, da religião, da autoridade da tradição e do totalitarismo moral dos argumentos metafísicos que confundem as pessoas ao amordaçá-las e impedirem que protagonizem suas vidas. Com sua cabeça despressurizada, o Sr. Meth, PhD, provavelmente instruído por outrem, arrisca um tiroteio em direção a vários alvos: a minha concepção de patrimônio, as minhas crenças espirituais, a minha competência como professor, a qualidade do meu texto, a minha índole como pessoa e blá, blá, blá. Porém, chega-se ao final do texto do Sr. Meth, PhD, com uma vontade de dar uma grande gargalhada. Se ninguém nunca falou ao Sr. Meth, PhD, que o mundo é uma realidade sem consenso, esta pode ser uma boa oportunidade para ele aprender. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, o Sr. Meth, PhD, se insurge como arauto da exemplaridade norte-americana em preservar construções e outros tipos de patrimônio, mas se esquece de mencionar a destruição que os Estados Unidos vêm promovendo no Oriente Médio, implodindo construções milenares e matando pessoas com a única finalidade de alimentar seu expansionismo narcisista, tão bem teorizado por Christopher Lasch. Depois, o Sr. Meth, PhD, ironiza e ridiculariza os professores secundários, sugerindo que eu faço parte desta classe de profissionais e que, portanto, meus argumentos não devem ser considerados.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Continuando suas linhas anêmicas, o Sr. Meth, PhD, elabora uma leitura primária e crassa do meu argumento do texto inicial, no qual eu afirmo que barracos de favela e catedrais góticas são igualmente importantes para a cultura humana. A interpretação equivocada do Sr. Meth, PhD, é fruto de quem nunca leu uma página de antropologia na vida, além de deixar visível a pobreza do seu vocabulário impregnado de clichês como os que associam a figura de Deus ao “Todo-Poderoso” (não confundir com o filme do Jim Carrey).&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Engraçada é a análise que o Sr. Meth, PhD, elabora de uma imagem que utilizei no texto inicial: “o tempo está nas saudades decrépitas dos ossos que se quebram.” Trata-se de uma metáfora, uma espécie de espelho onde a linguagem joga com seus disfarces. Será que o Sr. Meth, PhD, entende o que é uma metáfora? Creio que não. Vejamos com que vivacidade intelectual ele interpretou essa imagem: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;“é como se o autor estivesse colocando que todo mundo vai ter osteoporose.”&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Eu quase caí da cadeira quando li esta parte, de tão engraçado isso soou. Como se pode ver, uma crítica poética digna de um engenheiro químico, o que o Sr. Meth, PhD, de fato é. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo, o Sr. Meth, PhD, com toda a sua autoridade de crítico literário, sugere que eu tenha cautela no uso de figuras de linguagem (que, para quem não sabe, são recursos de escrita que dão expressividade ao texto, para que ele não pareça uma bula de remédio, igual ao texto do Sr. Meth, PhD). Ora, só devo ter cautela em relação a leitores como ele, que não sabem interpretar metáforas! Eu sempre pressuponho que meu leitor é inteligente, não o subestimo. Para os meus leitores, dos quais recebo comunicações semanais, as metáforas nunca foram problemas. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;O mais sofrível, contudo, nas anotações de feira sabatina do Sr. Meth, PhD, é sua defesa à moral católica, sem a qual, sugere ele, “&lt;strong&gt;&lt;em&gt;viveríamos num grande caos moral e cultural.” &lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;Que grande bobagem! Que idéia sem fundamento! Ele acredita piamente que a única forma de articulação cultural possível foi aquela promovida pela Igreja Católica! E o que dizer das culturas milenares do Oriente? E as regiões não afetadas pelo catolicismo, elas não possuem cultura nem moral? Precisam ser catequizadas porque são equivocadas e não evoluíram? O Sr. Meth, PhD, não menciona (talvez porque não saiba) que a moral “progressista” e “civilizatória” do catolicismo - que ele defende com seus laivos de insensatez - foi construída mediante extermínio de muitas vidas, perseguição aos protestantes e muçulmanos, conluios políticos e financeiros com as aristocracias imperiais e estatais durante séculos, veto ao desenvolvimento da ciência (veja-se a morte de Giordano Bruno), dizimação cultural dos indígenas latino-americanos e de outras partes do mundo, imposição do medo e do silêncio por séculos, além de outros barbarismos que não serão aqui mencionados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sr. Meth, PhD, vá para o mundo, leia, estude! Os tubos de ensaio podem ensinar muitas coisas, mas as mais importantes você ainda precisa aprender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clóvis Da Rolt&lt;br /&gt;Professor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-7637077783405206285?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/7637077783405206285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=7637077783405206285&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7637077783405206285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/7637077783405206285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/07/de-los-angeles-arecibo-na-escuta.html' title='De Los Angeles: Arecibo na escuta...'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/Smn3nbKLH9I/AAAAAAAAAoM/dsrtQZLo5Z8/s72-c/Arecibo_naic_big.gif' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-6023237615816174668</id><published>2009-07-24T12:08:00.003-03:00</published><updated>2009-07-24T12:15:31.429-03:00</updated><title type='text'>Uma outra visão...</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O texto que segue foi publicado no Jornal Gazeta de hoje, 24/07/09, e tem como título "Contraponto ao artigo 'Patrimônio Histérico', do poeta Clóvis Da Rolt"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;**********&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Uma das constatações que um brasileiro faz ao voltar do exterior após longos anos de ausência - no meu caso mais de dez anos - é o choque cultural ao avesso que sofremos ao voltar à Pátria Mãe. Obviamente este não é um "privilégio" apenas dos brasileiros. Viver numa cidade policultural como Los Angeles nos traz contatos com pessoas de todas as partes do mundo. Um dos aspectos deste choque cultural é a constatação de como a memória é preservada em países como os Estados Unidos e Israel. É impressionante como se consegue a transformação de uma casa antiga num ponto turístico atraindo centenas de milhares, quando não milhões, de visitantes todos os anos. Um bom exemplo disso é o centro histórico (Old Town) em San Diego, na Califórnia, um lugar reformado com tal criatividade que é possível se sentir de volta 200 anos, no início da colonização européia nestas paragens. Isto, em total contraste com a triste falta de cuidado pelo sistema público brasileiro da estrutura do chamado patrimônio histórico, deixando abandonados, muitas vezes, lugares de uma história vibrante e marcante. Nós, brasileiros, muitas vezes não nos damos conta de que temos um solo rico de história, não só da chamada elite, mas do povo que é quem realmente faz a historia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por isso, para minha tristeza, tive este choque ao avesso ao ler o artigo do "Professor" (mestre escola?) Clovis Da Rolt na GAZETA sobre a preservação deste patrimônio histórico. O distinto "mestre" mistura alhos com bugalhos, demonstra falta de conhecimentos básicos de literatura e história, aparenta ter profunda inveja daqueles que algo tentam fazer e pior, demonstra ser de um ateísmo raivoso e desrespeitoso. Apesar de não ser católico, pois sou de descendência judaica, tenho muitos amigos católicos, incluindo padres, e as palavras do "mestre" me deixaram indignado pela sua falta de respeito com uma instituição que fez muitas coisas boas neste pobre e castigado planeta. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Na introdução do seu texto, o "mestre" usa figuras de linguagem dignas de um estudante de secundário - talvez ele lecione português numa escola de segundo grau (?). Devemos é claro dar um crédito à assim chamada licença poética, mas dizer que "o tempo está nas saudades decrépitas dos ossos que se quebram" é como se estivesse colocando que todo mundo vai ter osteoporose (será que o professor ensina medicina?). Ao finalizar a introdução ele tenta dar um ponto dramático ao enfatizar a necessidade de um dicionário para tentar definir termos de português. Eu gostaria de aconselhar o "mestre" a comprar um "Aurélio" e um tratado básico de literatura onde ele poderia se informar melhor sobre as limitações do uso de figuras de linguagem e dos perigos para o escritor de cometer exageros que levem a uma total deturpação dos fatos.Após a introdução, o "mestre" parte para uma crítica feroz baseada na maior parte das vezes nas suas próprias opiniões sobre pessoas e instituições usando as palavras de modo a tentar montar uma estrutura de texto com resquícios de poesia. Seus exageros para justificar isto são lamentáveis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- O professor diz que um barraco é tão importante quanto uma catedral como Notre-Dame. Infelizmente para o distinto mestre aparentemente a imensa maioria das pessoas não concorda com isso. Também choca a visão dele de achar que o simbolismo de um barraco ou de uma casinha de cachorro é o mesmo que o de uma catedral. Uma catedral é um refúgio espiritual, um lugar se tentar ter uma conversa com o Todo-Poderoso, que no final das contas é o mesmo para todo mundo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- Em seguida, o distinto mestre ataca o fato de dinheiro público estar sendo usado na função (ele como jornalista deveria aplaudir) que lhe cabe que é cuidar da sociedade (incluídos aí patrimônio e pessoas). Ao invés de tecer críticas tão venenosas, em minha opinião descabidas, ele deveria tentar participar de uma maneira mais positiva no desenrolar dos acontecimentos. Ou talvez ele prefira que o dinheiro que está sendo empregado para beneficio da cidade de Bento Gonçalves de uma maneira ou de outra seja usado pelos nossos honestos políticos em Brasília em algum projeto banbancário na Suíça? Temos aqui um clássico problema de administração pública: se nada for feito, críticos ferozes como o professor se jogarão como abutres sobre a inércia do poder público usando todo tipo de adjetivo, mas se algo é feito, o mesmo ou até pior acontecerá (?). Isto lembra tempos do jornalismo brasileiro em que o importante era a polêmica e não a solução dos fatos. Eu sugiro ao distinto mestre a leitura do livro "Chato, o rei do Brasil" para se informar melhor que as coisas evoluíram um bocado na sociedade brasileira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;- Finalmente, na sua conclusão o distinto mestre faz uma crítica à Igreja Católica muito fora de propósito e sem ter nada a ver com a sua proposta inicial do texto. Agora, tente-se imaginar o mundo sem o catolicismo e veja-se o caos moral e cultural em que iríamos viver. Verdade que alguns elementos (felizmente uma minúscula minoria) desta instituição não foram dignos de confiança. Mas a imensa maioria dos membros da Igreja são pessoas de bem e exemplos para a comunidade. A colocação do distinto mestre é de uma quase histeria querendo julgar o todo por problemas localizados. Imaginemos se o povo brasileiro fosse ser julgado pelos criminosos ou pelos políticos em Brasília. Diga-se a favor da Igreja como o próprio professor reconhece no seu texto que ela como instituição tenta corrigir estes erros. Isso é uma posição que merece ser elogiada e não apedrejada.Concluo achando lamentável a falta de preservação da memória nacional e cultural no Brasil, mas achando mais lamentável ainda que quando algo é feito para reverter este triste quadro, acontecem críticas daqueles que deveriam, pelo contrário, tecer elogios ao esforço que é feito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sergio Meth, PhD, Los Angeles, Califórnia&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-6023237615816174668?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/6023237615816174668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=6023237615816174668&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6023237615816174668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/6023237615816174668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/07/uma-outra-visao.html' title='Uma outra visão...'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-2167919180852356363</id><published>2009-07-20T19:31:00.002-03:00</published><updated>2009-07-20T19:34:55.626-03:00</updated><title type='text'>Primícias do banal</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SmTwhLdyjfI/AAAAAAAAAoE/MhTxdAMcLsc/s1600-h/sem+tÃ&amp;shy;tulo.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360673909281820146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 255px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SmTwhLdyjfI/AAAAAAAAAoE/MhTxdAMcLsc/s320/sem+t%C3%ADtulo.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;O pesadelo - Obra de Henry Fusseli&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O olhar cria contradições. Por meio da visão, exercitamos suspeitas. As imagens que absorvemos pelo sentido da visão são como superfícies que não podemos tocar, porque sua significância é mais profunda do que os decalques imediatos que elas aparentam ser. O mundo é a grande imagem que fazemos dele, a grande imagem que ganha colorações diferentes nas consciências dos seres individuais.&lt;br /&gt;Os fenômenos da cultura são, em grande parte, absorvidos através das imagens pessoais e coletivas que fazemos deles; por isso mesmo, a cultura humana é um arcabouço infinito de imagens que, ora se contradizem, ora se acasalam, ora se anulam. No âmbito do turismo, as imagens ocupam lugar central, e isso se deve ao fato de que elas podem servir a dois amos sem ressentirem-se de sua promiscuidade. O campo do turismo manipula, esquematiza e distorce imagens com o intuito de criar o consumo político da experiência, o que significa que sua missão consiste em agenciar receptores suficientemente dispostos a fazerem do banal uma experiência elevada ou, ao contrário, da elevação uma experiência trivial.&lt;br /&gt;Temos um novo roteiro turístico instituído na cidade, na área central, onde fica a Via Del Vino. Isso traz à tona uma constatação essencial e que merece ser mencionada: de uma hora para outra, descobre-se o banal e faz-se dele algo digno de admiração! Da noite para o dia, fixam-se algumas placas informativas nas paredes externas de alguns prédios e, como num passe de mágica, eles passam a ter uma existência venerável e digna do culto turístico, como se antes nunca tivessem sido percebidos na sua condição de fantasmas de concreto anônimos. Pois eu garanto: agora é que corremos o risco de não vê-los. Ao invés de projeção, o que eles acabam de ganhar é um atestado de óbito, pois, através do discurso do turismo, as imagens tornam-se meretrizes em final de expediente: fazem barba, cabelo e bigode em troca de alguns vinténs. O que antes podia ser beleza tímida e silenciosa, agora se torna vulgaridade declarada.&lt;br /&gt;A implantação dos tão famigerados roteiros turísticos (e isso vale para todo o planeta) coloca em questão o fato de que isso é uma violência em relação aos habitantes de uma determinada localidade, cidade ou região, que devem ter assegurada a liberdade de criarem suas próprias imagens culturais sobre o espaço em que vivem, sem que, para isso, precisem de uma “infra-estrutura” para o olhar ou para a condução de sua assimilação da realidade. Sabe-se que o fenômeno do turismo é decorrente da nossa vida social pós-moderna, na qual as experiências, as sensações, os sentimentos e os produtos industriais aderem à lógica do consumo e do descarte.&lt;br /&gt;Um roteiro turístico é uma prática de consumo de imagens culturais criada por um grupo de pessoas que – sem qualquer critério de objetividade e mediante estratégias de mercantilização do gosto –, determinam o que deve e o que não deve ser consumido como experiência cultural, o que deve e o que não deve ser descartado. As pessoas que idealizam roteiros turísticos jamais pensam no revés de suas práticas, ou seja, elas não pensam que o seu processo de eleição é, automaticamente, um processo reverso de rejeição. Enquanto elas “elegem” algumas coisas, condenam à morte tantas outras.&lt;br /&gt;Por meio de algumas fotografias, vi, estupefato, um grupo de pessoas diante do prédio do Banco Santander, no dia da inauguração do novo roteiro turístico no centro da cidade. Elas pareciam estar diante do Colosso de Rodes resgatado do Mar Egeu, tamanha era a variedade de suas caras e bocas. As fotografias passaram-me a impressão de que aquelas pessoas nunca haviam parado para olhar atentamente para o prédio, que sempre esteve lá, desde a década de 1950. E se, de fato, elas nunca haviam reparado nas sutilezas de sua fachada em estilo art déco, por que o fazem agora, mediante a encenação do êxtase? Este mesmo grupo continuou sua memorável visita ao roteiro, que inclui um busto de bronze de um palmo de altura na praça ao lado do Shopping Bento, uma cruzinha de concreto um pouco maior que um gnomo de jardim, no canteiro que divide as duas vias em frente à Casa Toschi (cuja interessantíssima fachada se resume a um reboco de cimento bruto, fruto de uma reforma recente), além de outras pequenas construções que foram vestidas com grife para parecerem mais imponentes ou admiráveis do que são.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Falar de experiências que envolvem a beleza ou a apreciação de produtos culturais é sempre muito problemático, pois essas esferas englobam a intimidade das pessoas e suas formas particulares de assimilarem a realidade. Há muita beleza para ser apreciada em Bento Gonçalves. Mas grande parte desta beleza demanda silêncio e tem um processamento que não passa pelo corporativismo do campo do turismo, que, ao negligenciar suas presunções, pode estar consumando deploráveis formas de vampirização da cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta, de Bento Gonçalves-RS, em 21/07/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-2167919180852356363?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/2167919180852356363/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=2167919180852356363&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2167919180852356363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/2167919180852356363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/07/o-pesadelo-obra-de-henry-fusseli-o.html' title='Primícias do banal'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SmTwhLdyjfI/AAAAAAAAAoE/MhTxdAMcLsc/s72-c/sem+t%C3%ADtulo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-5730579482028029421</id><published>2009-07-13T18:43:00.001-03:00</published><updated>2009-07-13T18:45:06.713-03:00</updated><title type='text'>Patrimônio histérico</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SluqfiEfSjI/AAAAAAAAAnc/C77EiSoiIdU/s1600-h/orozco.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358063640385636914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 228px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SluqfiEfSjI/AAAAAAAAAnc/C77EiSoiIdU/s320/orozco.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;blockquote&gt;&lt;div align="center"&gt;Obra de Jose Clemente Orozco&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O tempo é uma máquina destruidora, da qual ninguém consegue escapar. Sua envergadura é gigantesca e suas engrenagens são impiedosas. Ele está na rocha e no pó, no monumento e no excremento, no vigor muscular da juventude e nas saudades decrépitas dos ossos que se quebram. O tempo é o triturador da matéria e das aparências. “O tempo não pára”, dizia Cazuza. Embora isso pareça uma constatação banal, ela toma ares intrigantes nesta nossa época em que o óbvio precisa de dicionários para ser traduzido.&lt;br /&gt;O restauro do Santuário de Santo Antônio, no centro de Bento Gonçalves, traz implícita a idéia de que se pode passar uma borracha na ação do tempo, mediante alguns arremates de argamassa, tintas e vernizes. Além dos simulacros que os restauros arquitetônicos criam, há que se pensar nos entrelaçamentos políticos e ideológicos que estão na base do exagero preservacionista que vivemos, o qual tem feito muita gente confundir patrimônio histórico com patrimônio histérico.&lt;br /&gt;A rigor, tudo que o ser humano produz em sua vida social é relevante sob muitos aspectos. Um barraco erguido do dia para a noite numa favela é tão relevante para o processamento da cultura quanto uma catedral gótica que levou cem anos para ser construída. O barraco e a catedral são expressões contrastantes da intervenção humana sobre o mundo material e, por isso mesmo, revelam modos de estruturar a realidade não apenas no plano da matéria, mas também no plano simbólico. E é a dimensão simbólica da cultura o pano de fundo necessário para uma abordagem sobre o que se compreende por “patrimônio histórico”. &lt;br /&gt;Atualmente, pouco se pensa no motivo pelo qual se restaura uma determinada construção. O que se sabe é que produtores culturais estão acumulando verdadeiras fortunas com o “negócio da cultura”, feito gordas sanguessugas fazedoras de projetos. O que se sabe, também, é que muito dinheiro público, disponibilizado através da LIC (que está mais para Lei de Implosão da Cultura), vem sendo usado sem quaisquer critérios que apontem relevância histórica, qualidade artística ou valor sócio-identitário às muitas construções que, atualmente, estão em processo de restauro no país. No caso do Santuário de Santo Antônio, sabe-se que sua função social majoritária consiste em celebrar os refinados casamentos da elite local, a mesma elite que faz vistas grossas para doar uns trocados à restauração enquanto esbanja muito jabá em cópias de vestidos à Balenciaga e em recepções aos seus convidados. Tudo muito suspeito: o santo, por certo, abençoa, mesmo com uma goteira sobre a cabeça.&lt;br /&gt;Ora, se tudo que existe no plano material tem condições de servir como relato de uma época ou como evidência da cultura de um grupo social, então deveríamos transformar o planeta num canteiro de restauros, porque até mesmo uma casa de cachorro é um produto da cultura humana que merece ser preservado. O temor dos preservacionistas é que a passagem do tempo roube os precários sentidos que eles constroem em torno de suas vidas. E quanto a isso, é bom lembrar o que diz Jean Baudrillard: “o que pelo sentido mata, pelo sentido morre.” &lt;br /&gt;Todavia, é preciso ter calma com o andor, senão o santo despenca. Devido às controvérsias e ao pouco esclarecimento em torno das questões que envolvem a preservação histórico-patrimonial, muitos projetos de restauro tornam-se fontes de lucro fácil e ociosidade remunerada, além de disseminarem uma espécie de terrorismo preservacionista. Tal terrorismo encara o tempo como uma mera hipótese, contra a qual se pode lutar colocando uma cédula de dinheiro sobre a outra. Lembremos: o tempo não pára. Não tenho receio algum em afirmar que pessoas com sensibilidade, conhecimento e visão histórica dos assuntos referentes à cultura jamais darão guarida à esquizofrenia que estamos presenciando no que se refere às atuais (e escassas) discussões sobre o patrimônio histórico e sua preservação.&lt;br /&gt;De acordo com o que penso, não vejo qualquer relevância arquitetônica no Santuário de Santo Antônio que o situe entre as obras artisticamente superiores ou tecnicamente inovadoras e que, portanto, mereça receber vultosas quantias de dinheiro público em seu restauro. Pelo contrário: seu ecletismo é deplorável, sua forma monolítico-canônica é banal e enfadonha, sua plasticidade diletante é incômoda e sua rigidez compositiva torna-o menos interessante do que uma colméia de abelhas.&lt;br /&gt;Para finalizar, deixo claro que não sou contra o restauro do Santuário. Quem quiser continuar mendigando esmolas para tal finalidade, que o faça. Sou, sim, contra o uso de dinheiro público nesta obra, sobretudo porque isso envolve uma instituição que, só com os valores milionários que já gastou com acordos judiciais envolvendo denúncias de pedofilia contra seus sacerdotes, teria dinheiro suficiente para erguer santuários até mesmo na Lua. Preservar é necessário, desde que haja moderação, critérios e transparência de propósitos; caso contrário, estaremos prestes a viver num mundo que cheira a estuque e verniz, onde as ruínas incomodam por sinalizarem o que, de fato, somos: seres que destroem na medida em que podem ser destruídos, seres que só têm a incerteza como certeza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado no Jornal Gazeta, de Bento Gonçalves-RS, em 14/07/09&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6342298795416372464-5730579482028029421?l=escafandro-respire.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/feeds/5730579482028029421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6342298795416372464&amp;postID=5730579482028029421&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5730579482028029421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6342298795416372464/posts/default/5730579482028029421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escafandro-respire.blogspot.com/2009/07/patrimonio-histerico.html' title='Patrimônio histérico'/><author><name>Clóvis Da Rolt</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13384855180712203447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/-PJ-pf3Rcw74/TgJJwcbikdI/AAAAAAAAA2k/yjEeDkUFP-o/s220/Cassino%2Be%2BPelotas%2B04%2Be%2B05%2Bde%2Bjunho%2B2011%2B023.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SluqfiEfSjI/AAAAAAAAAnc/C77EiSoiIdU/s72-c/orozco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6342298795416372464.post-7120107960461781539</id><published>2009-07-06T18:38:00.003-03:00</published><updated>2009-07-06T18:42:06.515-03:00</updated><title type='text'>Ilusões democráticas</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SlJvL6flOEI/AAAAAAAAAnU/KxuouPL6dPk/s1600-h/060118_flavin1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355465157367904322" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_-GA6PgZa_1M/SlJvL6flOEI/AAAAAAAAAnU/KxuouPL6dPk/s320/060118_flavin1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;blockquote&gt;Obra de Dan Flavin&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Há algum tempo, a imprensa local vem disseminando as tratativas referentes ao Orçamento Participativo em nosso município, cuja proposta central consiste em envolver as pessoas numa discussão global sobre decisões políticas locais no plano orçamentário. Ocorre que o Orçamento Participativo – a despeito de sua grandiloqüência democrática –, não passa de uma ilusão, conforme tentarei expor nas linhas a seguir.&lt;br /&gt;Está claro, ao menos para mim, que não são as boas intenções que movem as decisões políticas. Embora seja bem-intencionado, o Orçamento Participativo peca por sua crassa visão de coletividade. É evidente que, num plano regional, não temos uma tradição de esquerda consolidada, ou melhor, para ser mais realista, ela não existe nem em germe. O PT sabe, portanto, que é uma nau à deriva no oceano liberal e burguês da serra gaúcha. Contudo, o Orçamento Participativo negligencia este fato ao pressupor que a minoria que participa das suas assembléias possui o poder (falsamente democrático) de legitimar os anseios da maioria que não compactua com as diretrizes políticas da ação petista. Ou seja, quando o PT alega que “a população” está participando das decisões referentes ao orçamento municipal, incorre numa falsa idéia de globalidade, já que “a população” a que se refere o Orçamento Participativo não passa dos 3% de participantes das suas assembléias.&lt;br /&gt;As vinte e nove assembléias realizadas em torno do Orçamento Participativo em Bento Gonçalves registraram a inexpressiva presença de pouco mais de três mil pessoas, o que deixa visivelmente claro que não se pode con
